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Circuit Breaker na B3 Reflete Temor do Mercado com Contas Públicas após Eleição de Lula

O mecanismo funciona como botão de emergência e foi utilizado pela última vez em março de 2020; A regra determina que a pausa dure 30 minutos

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Na manhã desta segunda-feira (26), a Bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker após o Ibovespa cair mais de 10% logo na abertura. A oscilação refletiu a resposta imediata do mercado financeiro ao resultado do pleito presidencial realizado no domingo que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva.

Na abertura, o Ibovespa caiu 15,9%, a 172.479,84 pontos. No mínimo até o momento, chegou a 169.516,43 pontos.

Para Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset, ainda não é possível concluir que começou uma tendência prolongada de baixa. “O circuit breaker confirma a intensidade das vendas, mas não prevê sua duração. Um susto passageiro tende a perder força após a reorganização das posições”, explicou o consultor.

O dólar à vista, por sua vez, registrava alta de 11,02%, cotado a R$ 5,53. Durante a manhã, a B3 informou a revisão dos limites de oscilação diária da moeda para todos os vencimentos, elevando a margem de 6% para 8,4% e, posteriormente, ajustando-a para 12% em novo comunicado.

O circuit breaker funciona como um botão de emergência que suspende temporariamente todas as ordens de compra e venda de ativos para conter o efeito de “manada” e evitar um colapso desordenado de preços.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a preocupação do mercado são os próximos passos do presidente eleito. “O principal problema não é simplesmente o resultado eleitoral, mas a incerteza sobre a condução das contas públicas. Medidas expansionistas sem receitas ou cortes compensatórios aumentam a necessidade de financiamento do governo e o retorno exigido pelos investidores.”

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 dispararam. O índice na abertura marcava alta de 14,915%, 206 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da sessão anterior. Para Murad, o mercado passou a exigir mais remuneração diante dos riscos fiscais, cambiais e inflacionários.

Lima destaca que a estabilização da bolsa exige uma sinalização fiscal convincente do governo. “Dependerá principalmente das primeiras decisões econômicas do governo reeleito.

Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, essa sinalização precisa levar em conta uma mudança de orientação na condução das contas públicas. “O Brasil já convive com dívida bruta de 82,9% do PIB, juros nominais próximos de R$ 1,182 trilhão em 12 meses e crescimento projetado de apenas 1,31% em 2027. Nesse cenário, insistir em uma política fiscal sem credibilidade significa ampliar o risco, pressionar os juros e comprometer as condições de financiamento da economia”, afirmou. 

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