Amazon inicia venda direta no Brasil com 12 categorias

Pascal Rossignol/Reuters
Esforços da gigante visam superar desafios logísticos de um país extenso

A varejista norte-americana Amazon.com inicia hoje (22) as vendas diretas de 12 categorias de produtos a partir do seu novo centro de distribuição em Cajamar (SP), em mais um passo da tão aguardada expansão das operações na maior economia da América Latina. O lançamento ocorre após vários meses de espera e confirma reportagens veiculadas no último ano sobre os esforços da gigante para superar os desafios logísticos inerentes a um país tão extenso quanto o Brasil e avançar com o chamado Fulfillment by Amazon (FBA).

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“Lançamos com 320 mil produtos diferentes em inventário, dos quais 200 mil livros… Nossa obsessão é sempre aumentar esse catálogo e ter tudo aquilo que o brasileiro procura e quer comprar na internet”, diz o presidente da Amazon no Brasil, Alex Szapiro. Ainda segundo o executivo, embora o momento coincida com o início de um novo governo, a decisão nada tem a ver com política ou macroeconomia. “Temos sido otimistas no Brasil há anos… Eram outros governos quando tomamos decisões lá atrás, então para nós não influencia em nada.”

A Amazon.com desembarcou no Brasil em 2012, concentrando-se inicialmente na venda de livros digitais e físicos, e começou a adicionar categorias de produtos a partir de 2017 por meio da venda de mercadorias de terceiros.

A companhia não informa o tamanho da base de vendedores do marketplace, que ganhará quatro novas verticais a partir de hoje: bebês, brinquedos, beleza e cuidado pessoal. Essas e outras oito estarão disponíveis na plataforma de venda direta, amplamente conhecida como 1P dentro o jargão de varejo.

Exceto livros, cuja distribuição seguirá sob os cuidados da operadora logística Luft em Barueri (SP), os demais itens para venda direta serão despachados a partir do galpão logístico em Cajamar, segundo ele. Com 47 mil metros quadrados, o equivalente a 10 campos de futebol, a instalação é fruto de uma parceria com a também norte-americana Prologis.

“Temos mais de 800 fornecedores/marcas distintos para venda direta”, acrescentou Szapiro, sem entrar em detalhes sobre as negociações.

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O executivo também não revelou o investimento nem o número de pessoas contratadas para o lançamento da plataforma 1P, mas disse que a Amazon emprega mais de 1.400 pessoas direta e indiretamente somadas todas as operações no Brasil.

Em relatório divulgado na segunda-feira, os analistas do BTG Pactual Fabio Monteiro e Luiz Guanais destacaram que o foco maior da Amazon no segmento de venda direta significa que a empresa está pronta para fortalecer os investimentos, potencialmente via parcerias com operadores e transportadoras que atuam no regime conhecido como “última milha”, em que produtos comprados pela internet são entregues em poucas horas.

Eles ponderaram, contudo, que a companhia deverá adotar uma “abordagem gradual”, dada a concorrência acirrada de varejistas já bem estabelecidas no mercado brasileiro. “Esse cenário deve impedir a Amazon de crescer rápido no Brasil. Em nosso estudo, ela compete por uma participação de mercado de duplo dígito baixo”, escreveram.

Mesmo assim, as ações de empresas de comércio eletrônico reagiram negativamente à expectativa de lançamento da plataforma 1P da Amazon, com B2W, Magazine Luiza e Lojas Americanas entre os destaques negativos do Ibovespa ontem .

Os esforços da Amazon para iniciar a venda direta no Brasil vinham esbarrando em um complexo sistema tributário, logística complicada e relações árduas com fornecedores. Na ocasião, fontes citaram a pouca flexibilidade por parte da gigante varejista como um dos principais entraves. “Como toda boa negociação, você se senta e quer ter as melhores condições para oferecer ao cliente… Nunca tem uma em que não haja discussão sobre os termos”, comentou o executivo no final do ano passado, ao ser questionado sobre o tom das conversas.

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