1. Início
  2. /
  3. Forbes Tech
  4. /
  5. Chips de Memória Disparam em Meio À Expansão de Data Centers de IA
Forbes Tech

Chips de Memória Disparam em Meio À Expansão de Data Centers de IA

Boom da IA transformou as fabricantes de chips de memória, como a Micron e a SK Hynix, de negócios cíclicos em um setor de crescimento explosivo

5 min

O boom da inteligência artificial deu início a uma corrida de um trilhão de dólares para construir data centers por todo o país (e fora dele) a fim de fornecer capacidade computacional para sistemas de IA. A memória — uma parte essencial dos data centers — define o quão rápido os servidores conseguem processar informações. Isso é uma excelente notícia para as empresas de chips de memória, que estão vivenciando um crescimento exponencial vendendo para as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Nvidia, Apple e Amazon.

Entre os maiores beneficiados pelo frenesi da IA está a gigante das memórias Micron, que fabrica chips de alta velocidade posicionados lado a lado com a GPU para alimentar os modelos de IA com dados. A receita da Micron explodiu, crescendo 196% em termos anuais, atingindo cerca de US$ 24 bilhões no segundo trimestre de 2026. A empresa faturou cerca de US$ 37 bilhões em receita em 2025, um aumento de aproximadamente 50% em relação a 2024. As ações da empresa estão voando, subindo 270% este ano e impressionantes 860% nos últimos 12 meses. Esse crescimento a ajudou a subir 140 posições na lista Global 2000 da Forbes, que classifica as maiores empresas de capital aberto do mundo.

Em maio, o valor de mercado da Micron ultrapassou US$ 1 trilhão, tornando o CEO Sanjay Mehrotra um bilionário com uma fortuna estimada em US$ 1,2 bilhão, informou a Forbes. Seu valor de mercado era de cerca de US$ 100 bilhões há pouco mais de um ano. Hoje, o principal cliente da empresa sediada em Boise, Idaho, é a Nvidia (Nº 27), representando 16% de sua receita, seguida por gigantes da tecnologia como Apple (Nº 11) — onde seus chips são usados em iPhones, Macs e iPads –, Dell (Nº 129) e HP (Nº 522), além de hiperescaladores como Amazon (Nº 2), Microsoft (Nº 7) e Google (Nº 4).

Historicamente, as empresas de memória estão sujeitas a ciclos voláteis de altos e baixos. A demanda por memória dá um salto, os preços sobem durante uma crise de abastecimento, vários concorrentes começam a fabricar ao mesmo tempo para atender à demanda e, no momento em que os chips chegam ao mercado, a demanda esfria e os preços caem. A IA parece ter quebrado completamente esse ciclo, criando um boom prolongado para chips de memória especializados que permitem que os dados se movam para os modelos de forma mais rápida e eficiente.

Mehrotra, que anteriormente foi cofundador da fabricante de pen drives SanDisk (Nº 614), passou anos transformando a Micron de uma fabricante de chips de commodities na fornecedora de infraestrutura de referência para a IA. No início de 2026, ele encerrou a divisão de produtos de consumo da empresa, que já durava 29 anos e vendia unidades de armazenamento e SSDs para usuários comuns, a fim de direcionar o suprimento para data centers, dobrando a aposta na demanda por IA. Ele também liderou a mudança da empresa de vender chips no mercado à vista (spot) para assinar contratos plurianuais de longo prazo, garantindo que os preços permanecessem elevados.

As empresas de IA continuam enfrentando uma escassez de chips, em parte devido a uma demanda sem precedentes que superou em muito a oferta. A Micron quer manter as coisas assim. Em março, Mehrotra disse que a Micron consegue atender apenas de 50% a 75% dos requisitos de seus clientes. A Micron tem controlado deliberadamente o ritmo de construção de suas novas fábricas de chips em Idaho e Nova York para garantir que a oferta não exceda a intensa demanda de mercado impulsionada pela inteligência artificial.

Como a única fabricante de memória com sede nos EUA, a Micron tem uma vantagem, mas não é a única a surfar ventos favoráveis graças à IA. A gigante sul-coreana das memórias, SK Hynix, relatou uma receita recorde de US$ 35,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 198% em termos anuais. A empresa registrou US$ 68,1 bilhões em receita em 2025 e dobrou seu lucro para cerca de US$ 33 bilhões. Esses números impressionantes a ajudaram a saltar 107 posições no Global 2000, chegando ao 48º lugar.

Outro conglomerado sul-coreano, a Samsung, registrou uma receita sem precedentes de US$ 50,4 bilhões em sua divisão de memórias no primeiro trimestre do ano, graças ao boom da infraestrutura de IA. Mas a empresa também evitou por pouco uma potencial crise na cadeia de suprimentos global depois que seus trabalhadores ameaçaram entrar em greve. Em um acordo polêmico, a empresa concordou em pagar a alguns de seus funcionários da divisão de chips bônus de cerca de US$ 400.000 por pessoa, em média. É a única gigante de tecnologia sediada fora dos EUA no top 20, subindo para a 15ª posição este ano, vinda do 19º lugar em 2025. Micron, SK Hynix e Samsung, os três grandes titãs das memórias, alcançaram US$ 1 trilhão em valor de mercado.

Outras empresas de semicondutores também se beneficiaram. A gigante dos chips de IA, Nvidia, subiu 20 posições, enquanto sua rival AMD saltou 116 posições e agora ocupa o 194º lugar. A Broadcom, que projeta chips de IA personalizados para empresas como OpenAI, Google e Meta, avançou 15 posições, chegando ao nº 53. A fabricante de chips Cerebras abriu seu capital em maio, fazendo sua estreia na lista deste ano na 1611ª posição. Embora a empresa ainda não seja lucrativa, relatou uma receita anual de US$ 510 milhões para o ano fiscal de 2025, um aumento de 76% em relação aos US$ 290,3 milhões gerados em 2024.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.