Trump pressionou líder da Ucrânia a investigar atividades de Biden, mostra transcrição

Jonathan Ernst/Reuters
Conversa telefônica entre Donald Trump e Volodymyr Zelenskiy ocorreu em julho deste ano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em uma conversa telefônica ocorrida em julho, para investigar se o ex-vice-presidente norte-americano Joe Biden encerrou uma investigação sobre uma empresa que empregou seu filho, mostrou a transcrição do telefonema divulgada pelo governo dos EUA hoje (25).

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A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, anunciou na terça-feira (24) que a Casa de maioria democrata estava iniciando um inquérito formal de impeachment e instruiu seis comitês a prosseguirem com investigações das ações do presidente.

Democratas acusam Trump, que buscará a reeleição no ano que vem, de solicitar ajuda da Ucrânia para difamar Biden, o pré-candidato presidencial democrata favorito, antes da eleição do ano que vem.

“Fala-se muito sobre o filho de Biden, que Biden interrompeu a investigação, e muitas pessoas querem descobrir isso, então o que quer que você possa fazer com o procurador-geral seria ótimo”, disse Trump na ligação, segundo resumo fornecido pelo Departamento de Justiça dos EUA.

“Biden saiu por aí se vangloriando de ter impedido a investigação, então, se você puder conferir isso… Parece horrível para mim”, disse Trump, de acordo com o memorando.

O telefonema aconteceu depois de Trump ordenar ao governo norte-americano que congelasse quase US$ 400 milhões de ajuda dos EUA à Ucrânia.

O inquérito da Câmara pode levar a artigos do impeachment na Casa que poderiam desencadear um julgamento no Senado para se decidir se Trump deve ser afastado do cargo.

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Trump disse a Zelenskiy que o secretário de Justiça e procurador-geral dos EUA, William Barr, entraria em contato com ele sobre a reabertura da investigação sobre a empresa de gás ucraniana.

Mas Trump não pediu que Barr contatasse a Ucrânia, disse um porta-voz do Departamento de Justiça, e Barr não se comunicou com a Ucrânia sobre uma possível investigação ou qualquer outro assunto. Barr, nomeado por Trump, só soube da conversa várias semanas depois que ela ocorreu, disse o porta-voz.

Segundo a Constituição dos EUA, a Câmara tem poder para afastar um presidente por “graves crimes e delitos”. Nenhum presidente norte-americano foi retirado por um processo de impeachment. Atualmente, os democratas controlam a Câmara, mas os colegas republicanos de Trump comandam o Senado.

“As ações da Presidência Trump revelaram o fato desonroso da traição do presidente ao seu juramento de posse, da traição de nossa segurança nacional e da traição da integridade de nossas eleições”, disse Pelosi na terça-feira.

Trump sobreviveu a diversos escândalos desde que tomou posse, em 2017, e democratas da Câmara cogitaram, mas nunca puseram em prática, ativar artigos do impeachment em reação às ações de Trump ligadas à interferência russa na eleição de 2016 com a meta de fortalecer sua candidatura.

Na segunda-feira (23), Trump negou ter tentado coagir Zelenskiy a iniciar uma investigação de corrupção sobre Biden e seu filho em troca de ajuda militar dos EUA durante o telefonema.

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