Compradores de jatos apoiam acordo Boeing-Embraer, conforme Airbus amplia alcance

ReutersConnect/Chris Helgren
A decisão da Bombardier de sair do mercado causou receio de falta de opções para os viajantes

Alguns dos maiores compradores de aeronaves do mundo estão pedindo à União Europeia que libere o acordo da Boeing com a Embraer, temendo que a unidade de aviação comercial da empresa brasileira enfrente dificuldades caso continue independente agora que a Airbus aumentou a participação na sua principal concorrente no setor de jatos regionais.

A Airbus, maior fabricante de aviões da Europa, ontem (13), aumentou sua participação controladora no programa regional de jatos A220, principal rival da Embraer, já que a Bombardier vendeu o projeto que havia montado.

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Esse acordo deixa a Embraer cada vez mais exposta, apesar de sua longa história como fabricante independente, e aumenta a pressão sobre a empresa brasileira e a gigante norte-americana Boeing para concluir um acordo, disseram analistas.

O acordo de US$ 4,2 bilhões prevê que a Embraer ceda 80% de seu braço comercial à Boeing. A fusão foi adiada por uma investigação de concorrência da UE que deve durar até abril.

A UE teme que a consolidação provocada pela decisão da Bombardier de sair do mercado deixe as aéreas com poucas opções, reduzindo o número de principais fornecedores de quatro para três e, depois, dois, se o negócio da Embraer for concluído.

Mas em uma reviravolta incomum, com os compradores de aviões normalmente querendo maior variedade de fornecedores, companhias aéreas e arrendadores apoiam o acordo Boeing-Embraer, expressando receios de que a Embraer possa oferecer uma alternativa indefinida para um jato agora apoiado por uma fabricante muito maior.

“Agora você tem o boxeador peso pesado no ringue com alguém que é sete categorias mais leve. Há apenas um resultado”, disse Aengus Kelly, presidente-executivo da empresa de leasing AerCap, a maior compradora mundial de aviões comerciais.

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Kelly instou a Comissão Europeia a apoiar o acordo. “Acho que é uma obrigação: se a Embraer não fizer isso, é provável que a Airbus encurrale parte do mercado de corredor único, o que será ruim para o consumidor”, disse ele. “Simplesmente não acontecerá de a Embraer ser uma concorrente independente viável a longo prazo, contra o poder da Airbus”.

A Embraer e a Airbus não fizeram comentários imediatos. A Boeing se recusou a comentar. Espera-se que a UE reinicie sua investigação sobre o acordo Boeing-Embraer na próxima semana, depois de interromper o processo enquanto aguarda mais dados, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.

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