Marfrig reverte prejuízo de R$ 1 bi com lucro modesto no 4º tri

Balanço
Lucro foi impulsionado por fortes vendas na América do Norte e demanda acelerada na China

A Marfrig, maior produtora de hambúrguer do mundo, reverteu resultado negativo bilionário sofrido no quarto trimestre de 2018 e registrou um lucro modesto no final do ano passado, impulsionada por fortes vendas na América do Norte e demanda acelerada na China.

A companhia, que também é uma das maiores produtoras de carne bovina do mundo, teve lucro líquido de R$ 27 milhões nos três últimos meses de 2019, ante prejuízo de R$ 1,3 bilhão apurado um ano antes, período em que a empresa sofreu um incêndio em uma de suas fábricas no Brasil e problemas de exportação para a Ásia a partir da América do Sul.

A empresa, rival da JBS em uma série de produtos, teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 1,6 bilhão, salto de 70,5% no comparativo anual. A margem no período passou de 8,2% para 11,4%.

No quarto trimestre, o custo de produtos vendidos da Marfrig foi de R$ 12,14 bilhões, 18,9% superior ao mesmo período do ano anterior, “explicado pelo maior volume de vendas em ambas as operações e maior custo de gado, principalmente no Brasil e Uruguai”.

“Em 2019, houve movimento forte por parte da China que criou demanda grande pela carne [bovina] na América do Sul”, disse o presidente-executivo da Marfrig, Eduardo Miron, em comentários sobre os resultados. “Em 2020, os preços do boi começam a voltar para um patamar mais razoável, as exportações continuarão fortes”, acrescentou o executivo.

A Marfrig superou suas estimativas de desempenho em 2019, com faturamento de R$ 49,9 bilhões ante previsão de R$ 47 bilhões a R$ 49 bilhões, e margem Ebitda ajustada de 9,6% ante projeção de entre 8,7% e 9,5%.

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Para 2020, a empresa decidiu não fornecer mais projeções ao mercado. “A empresa era nova e ninguém sabia o que esperar dela. Agora todo mundo já sabe onde está pisando e o que esperar. Não existe necessidade para um ‘guidance’ neste cenário”, disse o diretor financeiro, Marco Spada, referindo-se à reestruturação vivida pela Marfrig.

Apesar disso, Miron comentou que as mudanças promovidas pelo governo federal na economia “tendem a ajudar no consumo” doméstico e que a Marfrig está “otimista sobre a economia” este ano. “Talvez não seja tão bom quanto se espera, mas será melhor que em 2019”, disse o executivo.

O quarto trimestre também foi marcado pela conclusão do aumento da participação da Marfrig na norte-americana National Beef, quarta maior empresa de carne bovina dos EUA. A fatia do grupo brasileiro passou a ser de 81,7% e Miron afirmou que não está avaliando nenhuma outra aquisição para os próximos meses.

A Marfrig terminou 2019 com 13 de suas 18 fábricas na América do Sul habilitadas a embarcar carne bovina para a China. Miron comentou que o impacto da epidemia de coronavírus pode acabar fomentando a demanda por carne bovina no país asiático diante de possíveis mudanças de hábitos de consumo da população após as epidemias de peste suína africana e de gripe aviária.

O executivo, porém, afirmou que o novo coronavírus acabou gerando atrasos nos negócios com a China neste ano, devido ao prolongamento do feriado do Ano Novo Lunar por Pequim, como medida para conter a disseminação da doença.

“Eles estenderam o feriado e com isso todos estão voltando um pouco mais tarde. As operações estão demorando um pouco mais para serem retomadas”, disse Miron. “As pessoas precisam comer. A demanda está lá, mas agora existe um consumo de estoque”, acrescentou.

No quarto trimestre, a receita da operação da América do Sul da Marfrig, que além do Brasil inclui Argentina, Uruguai e Chile, foi a principal beneficiária do aumento de exportações para a China. A unidade viu a receita líquida disparar 34,3% no período, a R$ 4,6 bilhões, impulsionada por preços e volumes de exportações maiores, além da desvalorização do real ante o dólar.

Nos negócios na América do Norte, a Marfrig conseguiu alta de 10,2% na receita líquida da região, para US$ 2,3 bilhões de dólares (R$ 9,6 bilhões). O desempenho foi apoiado por preços mais altos e demanda maior nos Estados Unidos.

A companhia fechou 2019 com relação dívida líquida sobre Ebitda em reais de 2,77 vezes e de 2,74 vezes em dólares.

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