Duas pessoas foram presas em conexão com o roubo de joias preciosas da coroa no Museu do Louvre, em Paris, segundo a imprensa francesa. O Ministério Público de Paris informou que um dos suspeitos foi detido quando se preparava para embarcar em um voo no Aeroporto Charles de Gaulle.
Os itens, avaliados em 88 milhões de euros (aproximadamente R$ 500 milhões), foram levados do museu mais visitado do mundo no último domingo, quando quatro ladrões armados com ferramentas elétricas invadiram o edifício em plena luz do dia. O ministro da Justiça francês reconheceu que houve uma falha nos protocolos de segurança, o que deixou o país com uma “imagem terrível”.
De acordo com o Ministério Público, as prisões ocorreram na noite de sábado, sem que fosse divulgado o número exato de detidos. Fontes policiais disseram à imprensa francesa que um dos suspeitos se preparava para viajar à Argélia e o outro, ao Mali. A polícia especializada poderá interrogá-los por até 96 horas.
O Ministério Público criticou o “vazamento prematuro” de informações sobre o caso, afirmando que isso prejudica os esforços para recuperar as joias e identificar todos os envolvidos.
Segundo as investigações, os ladrões chegaram por volta das 9h30 (6h30 no horário de Brasília), pouco depois da abertura do museu. Eles utilizaram um elevador mecânico acoplado a um veículo para alcançar a Galerie d’Apollon (Galeria de Apolo), através de uma varanda próxima ao Rio Sena. Imagens do local mostraram uma escada levando até uma janela do primeiro andar.
Dois dos invasores entraram cortando a janela com ferramentas elétricas. Em seguida, ameaçaram os seguranças, que evacuaram o prédio, e arrombaram vitrines que abrigavam as joias. Um relatório preliminar revelou que um terço das salas da área do museu atingida não possuía câmeras de segurança.
A polícia francesa afirma que os criminosos permaneceram apenas quatro minutos dentro do museu e fugiram em duas motos que os aguardavam do lado de fora, às 9h38.
A diretora do Louvre, Laurence des Cars, declarou ao Senado francês que a única câmera voltada para a parede externa do museu, por onde ocorreu a invasão, não apontava para a varanda que dá acesso à Galeria de Apolo. Ela também reconheceu que o sistema de vigilância perimetral era antigo e deficiente, o que impediu a equipe de identificar o ataque a tempo.
Especialistas temem que as joias já tenham sido desmembradas em centenas de peças. Ouro e prata podem ser derretidos, e as pedras preciosas, cortadas em fragmentos menores — tornando quase impossível rastreá-las, explicou o detetive de arte holandês Arthur Brand, à BBC.
Após o roubo, as autoridades reforçaram as medidas de segurança em instituições culturais por toda a França. Parte das joias mais valiosas do Louvre foi transferida para o Banco da França, onde será mantida em um cofre subterrâneo de 26 metros de profundidade, na sede da instituição, no centro de Paris.