Conheça a empresa sul-coreana que busca a expansão em meio à crise de Covid-19

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A Lotte pretende expandir seu lado na indústria química durante a pandemia

Depois de anos de turbulência pontuada por uma briga de família e uma breve passagem pela prisão por suborno, o presidente do Grupo Lotte, Shin Dong-bin, seguia um plano ambicioso para triplicar a receita do conglomerado de seus negócios de produtos químicos por um período de 10 anos e desafiar a Dow e a ExxonMobil Chemical. Até que veio o novo coronavírus.

Como a pandemia afeta os negócios em todo o mundo, Shin provavelmente arquivará seus planos de expandir as fábricas da Lotte para, em vez disso, buscar oportunidades baratas de fusões e aquisições durante a crise, uma estratégia que a maioria dos negócios sul-coreanos considera muito arriscada.

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Mas Shin, cuja formação foi ocidental (ele fez seu MBA na Universidade de Columbia, em Nova York), pretende transformar a Lotte, o quinto maior conglomerado da Coreia do Sul, mais conhecido por suas lojas de departamentos e chocolates, em um gigante global que busca um lugar entre os cinco principais produtores de químicos do mundo.

Ambição

A Lotte Chemical foi, na verdade, a primeira empresa do Grupo Lotte em que Shin trabalhou (quando ainda se chamava Honam Petroquímica), em 1990. O empreendedor, nascido em Tóquio, disse ao jornal japonês “Nikkei” em março que seu foco era aumentar o crescimento da Lotte nas áreas hoteleiras e químicas.

Embora os hotéis tenham sinergias com as outras empresas focadas no consumidor da Lotte, a indústria química é uma oportunidade para desenvolver novos fluxos de receita. Em 2018, a Lotte Chemical, como parte da unidade de negócios de construção e química do conglomerado, contribuiu com um terço da receita total do grupo, de US$ 76,4 bilhões – quase igual ao tradicionalmente forte negócio de varejo, responsável por 34,5%.

No futuro, a Lotte Chemical deverá contribuir com uma parcela muito maior das receitas do conglomerado. A empresa está nos estágios iniciais de um plano de crescimento de 10 anos para ser uma das sete maiores produtoras químicas do mundo, mirando vendas anuais de 50 trilhões de won coreanos (cerca de US$ 45 bilhões) até 2030.

Embora as vendas anuais da Lotte Chemical tenham aumentado constantemente nos últimos anos, certamente ainda há muito a fazer. Em fevereiro, a Lotte Chemical relatou vendas estimadas em 2019 em cerca de US$ 13 bilhões, queda de 5,9% em relação ao ano anterior. É improvável que as vendas melhorem em 2020 devido à incerteza econômica global criada pela crise do novo coronavírus e uma explosão em uma das duas usinas de nafta sul-coreana da Lotte Chemical no início de março, que feriu pelo menos 56 pessoas.

Nos anos anteriores, a ascensão da Lotte Chemical foi impulsionada por aquisições e crescimento orgânico. Em um negócio concluído em 2016, a companhia adquiriu as unidades de produtos químicos da Samsung por US$ 2,6 bilhões – o maior negócio já feito pela Lotte. E, no ano passado, concluiu uma fábrica de etileno de US$ 3,1 bilhões em Lake Charles, Louisiana – o primeiro projeto desse tipo nos EUA feito por uma empresa petroquímica sul-coreana.

Mas como a pandemia de Covid-19 interrompeu a atividade econômica global, Shin anunciou, em 25 de março, que está mudando as estratégias do Grupo Lotte para sustentar o crescimento contínuo durante a crise atual.

Em busca de ofertas

Para a Lotte Chemical, isso significa que o crescimento provavelmente virá de aquisições. Algo que, inclusive, já foi feito antes na crise financeira anterior.

Em 2010, quando a economia global estava se recuperando da crise financeira de 2008, a Lotte Chemical fez sua primeira aquisição no exterior: a Titan Chemicals, maior fabricante petroquímica da Malásia, por US$ 1,27 bilhão. Em 2017, a Lotte abriu o capital da Titan na Malásia, levantando cerca de US$ 878 milhões – a maior listagem no país do sudeste asiático desde 2012.

Na cíclica indústria química, as empresas financeiramente fortes compram empresas mais fracas durante as crises econômicas para se tornarem mais fortes a longo prazo, observa Yoon Jae-sung, analista da Hana Financial Investment, com sede em Seul.

E a Lotte Chemical é uma dessas empresas químicas financeiramente fortes, diz o especialista, apontando para o lucro de 2019, estimado em US$ 1,6 bilhão. Embora tenha caído 30% em relação ao ano anterior, os números da Lotte Chemical vêm crescendo nos últimos anos, chegando a US$ 3,2 bilhões em 2017. Para efeito de comparação, o lucro da rival LG Chem em 2019 foi de US$ 2,4 bilhões, também uma queda de 30% em relação a 2018. Para Yoon, o ambiente econômico atual é uma boa oportunidade para a Lotte Chemical ir à caça de pechinchas e conquistar outro patamar.

A Lotte Chemical estará especialmente interessada em fabricantes de produtos químicos especiais, seu calcanhar de Aquiles, acrescenta Yoon. No artigo publicado no “Nikkei” em março, Shin disse que está interessado neste tipo de empresa, principalmente no Japão.

De fato, a Lotte Chemical pode não ter escolha a não ser se concentrar em aquisições para crescer, pois a expansão de suas plantas atuais, bem como de outras empresas químicas, será difícil durante a pandemia.

“A queda na demanda, as questões de disponibilidade de mão-de-obra e as políticas governamentais para reforçar o distanciamento social já atrasaram a expansão das empresas químicas”, observa Utpal Sheth, diretor executivo de Singapura da empresa de pesquisa IHS Markit. “Várias usinas químicas desaceleraram suas atividades de construção. Além disso, vários novos projetos que estavam em estágio avançado de decisão final de investimento provavelmente entrarão em pausa até o mundo voltar ao normal.”

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