João Adibe revela as armas da Cimed para enfrentar pandemia

Forbes
Alexandre Cassiano/divulgação

O executivo de 48 anos, que praticamente nasceu acompanhando a produção de medicamentos, contou sua trajetória

“Tenho como mantra não apenas ser a maior, mas a melhor farmacêutica do Brasil. Esse é o nosso propósito.” A declaração é de João Adibe Marques, CEO da Cimed, 3ª colocada no ranking das maiores indústrias farmacêuticas do país em unidades vendidas e a 12ª em faturamento de acordo com dados do relatório da IQVIA sobre o acumulado 2020.

O executivo de 48 anos, que praticamente nasceu acompanhando a produção de medicamentos, contou sua trajetória e falou um pouco sobre o mercado farmacêutico brasileiro durante uma live com o CEO e publisher da Forbes, Antonio Camarotti, transmitida no canal da publicação no Instagram. A tradição no setor começou com o avô de João, que trabalhava numa farmacêutica multinacional. Em meados dos anos 1970, surgiu a oportunidade de, junto com o filho (pai de João), comprar um pequeno laboratório em São Paulo que, mais tarde, deu origem à União Química, na qual todos os irmãos do avô também eram sócios.

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Tempos depois, o pai de João saiu do negócio e comprou outra pequena indústria, um embrião da Cimed. Foi aí que João começou no negócio, aos 15 anos. Atualmente, a soma dos três ramos da família – Cimed, Biolab e União Química –, resulta no maior grupo farmacêutico do país. “Existe uma competição sim, mas um completa o outro: o que um vende bem o outro nem tanto, e vice-versa”, diz ele.

Para João Adibe, o Brasil é uma potência na indústria farmacêutica, resultado de gerações de empresas familiares que foram melhorando o setor e da quebra de patente com lançamento dos genéricos, que tornaram o país líder na categoria. “Hoje, o desenvolvimento de um produto genérico consome 24 meses, mais 18 meses para passar pelos critérios da Anvisa. No total, são 42 meses”, explica, considerando o prazo bem razoável na comparação com outros países.

O mercado farmacêutico movimenta, atualmente, R$ 70 bilhões no Brasil, dos quais R$ 10 bilhões vêm dos genéricos, cuja produção quase que total – 93% – é feita por empresas nacionais. O país é o 6º maior mercado de medicamentos do mundo, atrás apenas da França, Alemanha, Japão, China e Estados Unidos. João Adibe lembra que é preciso ficar atento às características do nosso país. “A gente costuma dizer que dentro do Brasil existem dez Brasis diferentes”, diz ele, referindo-se às diferenças socioeconômicas entre as regiões, que precisam ser levadas em conta na operação. “Tem farmácia no interior do país em que a pessoa entra para comprar uma colher de xarope, um único comprimido – porque é tudo que ela pode pagar. A gente flutua entre esses mundos, ajustando rapidamente o portfólio para cada região. Isso explica o fato de crescermos mais nas regiões Norte e Nordeste”, disse ele em outra ocasião à Forbes.

OPERAÇÃO DURANTE A PANDEMIA E AUMENTO DAS VITAMINAS

O executivo conta que começou a detectar que as coisas não iam bem em dezembro do ano passado, já que uma parte dos insumos é importada da China, onde tudo começou. Ele decidiu, então, antecipar os embarques para que, quando o coronavírus chegasse por aqui, a empresa não tivesse problemas com falta de matéria-prima. Então, até o fim do ano, foi embarcado tudo que seria necessário para garantir a produção para o primeiro trimestre de 2020. “Quando o navio estava chegando aqui, o coronavírus estava chegando na Europa e a China estava em lockdown”, lembra.

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Ele conta, ainda, que, como a China é um país muito fechado, havia dificuldades para entender do que se tratava a nova doença e os hábitos de consumo. “Compreendemos, no entanto, que o principal problema era o sistema respiratório, então focamos em antibióticos, antiinflamatórios e anti-gripais.” Quando a pandemia chegou em março, a empresa estava preparada para fabricar esses medicamentos.

João Adibe relata um aumento considerável no consumo de vitaminas – segmento no qual a Cimed detém 50% de market share, com três das principais marcas – no período, num país que tem 220 milhões de habitantes, dos quais apenas 6% consomem o produto. E, desse total, 3% restringem-se à vitamina C efervescente. A outra classe do produto, multivitamínicos, fica com os outros 3%. Ou seja, vitamina não é um hábito dos brasileiros. “As pessoas relacionam a gripe com a vitamina C e acabam consumindo o produto apenas quando estão doentes, quando deveria ser o contrário”, diz ele.

“O coronavírus acabou servindo como um aprendizado. As pessoas perceberam que as vitaminas servem para prevenir. Elas precisam ser um hábito, e não entrar na vida das pessoas apenas no inverno ou quando estão doentes. Outro aprendizado que eu acho que veio para ficar é o hábito da higienização e da máscara”, diz.

João conta que a venda de antigripal caiu 45% durante a pandemia, graças ao aumento do consumo de vitaminas. Algumas categorias do produto na Cimed chegaram a registrar aumento de 600%. Criou-se uma super demanda, para a qual as outras indústrias não estavam preparadas, já que alguns multivitamínicos levam mais de 30 componentes. O resultado foi a falta do produto no mercado.

No que diz respeito às providências internas, foi adotado um novo protocolo de cuidado extremo com a cadeia de produção, que inclui aferição da temperatura dos funcionários e distribuição de vitaminas, ampliação do horário de almoço pra não ter aglomeração e incremento da frota. Com isso, conseguiu-se minimizar os problemas. As plantas continuaram funcionando. “Não podíamos deixar faltar medicamentos. Mesmo não precisando, as pessoas resolveram estocar remédios na segunda quinzena de março. E compravam tudo: de produtos de uso contínuo a antiinflamatórios e antibióticos.”

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PROJEÇÕES

Em 2018, a Cimed alcançou o seu primeiro bilhão em faturamento. A estimativa inicial, para 2020, era chegar a R$ 2 bilhões. João diz que vai chegar lá, resultado que fará com a empresa dobre de tamanho em apenas três anos.

A construção da nova planta em Pouso Alegre (MG), anunciada em 2018 com investimentos de R$ 100 milhões, também continua de pé. A ideia, a princípio, era apenas de uma expansão, mas a oportunidade de comprar uma grande área na mesma região acabou fazendo com que o local seja transformado no novo quartel general da Cimed, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2021. “Nos próximos cinco anos, toda a companhia será transferida para lá. O investimento foi para R$ 180 milhões na primeira etapa. Decidimos seguir com a expansão e não apostar em novos produtos no segundo semestre de 2020.” A fábrica nova vai triplicar a produção atual, de 40 milhões de caixas por mês (ou 4,4 bilhões de unidades) que abastecem 80 mil farmácias em todo o país.

 

 

 
 

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