Com foco no consumo consciente, Gloria Pires investe em sua veia empreendedora

Sócia da plataforma colaborativa Bemglô, fundada em 2014, a atriz busca abrir espaço para marcas alinhadas com as iniciativas de baixo impacto ambiental e slow fashion.

Beatriz Calais
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Marcelo Faustini/Divulgação

Surpreendentemente – ou não -, a longa carreira como atriz moldou parte do caráter empreendedor de Gloria Pires

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“A gente é que nem roda: se parar, cai”, brinca Gloria Pires ao comentar sobre sua movimentada rotina. A atriz ouviu a frase no filme “Bye-bye Brazil”, de 1980, e desde então ficou com a citação na cabeça como um mantra. Nos últimos anos, Gloria tem dedicado grande tempo e esforço a um trabalho que vai além das telinhas e das câmeras: o de empreendedora.

A primeira oportunidade, no início dos anos 2000, foi ao lado da cunhada, Roselle Morais. A Set – cujo nome, que faz referência aos ambientes de gravação, não é uma coincidência – era uma confecção de roupas localizada em Goiânia. O negócio, que durou sete anos, deixou grandes aprendizados para as sócias. “Nós duas aprendemos uma regra de ouro: empreender é percorrer todo o processo, não apenas ter um sonho”, destaca a atriz, que guardou algumas peças como uma lembrança de sua primeira experiência no mundo dos negócios.

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Surpreendentemente – ou não -, a longa carreira como atriz moldou parte do seu caráter empreendedor. Filha do humorista Antônio Carlos, Gloria cresceu em meio aos bastidores da TV e começou a trabalhar como atriz aos quatro anos. “Quando eu vi, a vida já tinha me levado por esse caminho”, conta a artista, atualmente com 57 anos. No entanto, ao contrário do que aparenta, a atriz mirim nem sempre encarou a vida na televisão com bons olhos. Insegura com a quantidade de câmeras e espectadores, ela precisou de muito treino, trabalho de respiração e meditação para se encantar de vez pelo estrelato.

No empreendedorismo, embora as papeladas e a burocracia não causem tanta ansiedade e hiperventilação na atriz, as decisões também precisam de muito treino e paciência. Com erros e acertos, a empresária aprendeu que imediatismo não combina com empreendedorismo. “Não pule nenhum passo do processo. Isso não significa, necessariamente, que você terá sucesso, mas ajuda muito saber se está andando pra frente ou apenas em círculos. No futuro, vai ter valido a pena.”

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Talvez tenha sido essa visão de mercado a responsável pela criação da Bemglô, uma plataforma colaborativa que compartilha produtos artesanais e apoia o consumo consciente. A empresa fundada em 2014 surgiu a partir de uma conversa despretensiosa entre Gloria, seu marido, o músico Orlando Morais, e sua amiga Betty Prado. “Na época, as vendas online se mostravam bastante promissoras e a busca dos consumidores por lifestyle também era crescente”, lembra. Ela uniu, então, o útil ao agradável. O projeto nasceu com o objetivo de vender e contar a história por trás de produções alinhadas com o propósito de baixo impacto ambiental e slow fashion.

Em parceria com marcas sustentáveis e artesanais nos segmentos de decoração, arte, moda, beleza, cosmética natural, bem estar, artesanato, upcycling (reutilização criativa), design e até café de pequenos produtores, a plataforma lucra com uma porcentagem dessas vendas. “A Bemglô tem sido uma grande oportunidade de ampliar e dar voz às iniciativas nas quais eu acredito”, revela.

O EMPREENDER COM PROPÓSITO

Como Gloria já havia aprendido em sua experiência com a Set, sonhos não se tornam realidade sem esforço e estudo. “Vivemos um processo que se desenvolveu ao longo de oito meses para o lançamento do site. Desde então, o modelo de negócio foi se transformando e se adaptando, até abrirmos a nossa primeira concept store, na rua Oscar Freire, em 2019.” Com um alto teor de inovação, a empreendedora ressalta que tudo precisou ser feito com calma para que alcançasse o resultado esperado.

“Nosso projeto vai na direção contrária do comércio convencional. A primeira  dificuldade foi fazer uma plataforma e-commerce com espaço para conteúdo escrito. A segunda, encontrar parceiros que estivessem alinhados aos propósitos da empresa e contassem a história de uma economia circular e afetiva”, conta. Além disso, ela destaca a importância de estar sempre atento ao que o mundo está dizendo, principalmente em um momento em que a velocidade das informações não tem precedentes. “Para negócios que buscam trabalhar de forma mais consciente, reconhecer erros e acertos é fundamental e faz a gente estar sempre em processo de evolução e busca por melhorias.”

Para ela, tudo isso faz com que os resultados sejam ainda mais valiosos, desde conquistas de crescimento até parcerias que confirmam sua paixão pelo consumo sustentável. “Conhecer de perto os pequenos produtores e fomentar a valorização do comércio justo é uma coisa que muito me inspira.” Seja por essa recarga de energias gerada pelo empreendedorismo com propósito ou pelas horas dedicadas à estruturação do negócio, em 2020 a Bemglô foi certificada como Empresa B, uma certidão internacional que reconhece companhias que trabalham com soluções socioambientais.

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Além disso, a expansão da marca é notável. “Estamos lançando nosso e-commerce em Portugal e nossa primeira collab com o ateliê de biquínis Suntime. Também temos um projeto de expansão física por meio de franquias, mas precisamos aguardar o desenrolar da pandemia para que isso aconteça da melhor forma possível.”

Com um projeto que tem o seu DNA, Gloria, nomeada pela Forbes em 2013 como uma das celebridades brasileiras mais influentes do país, usa sua voz para exaltar a biodiversidade e a relação das riquezas naturais com o consumo desenfreado. “Eu admiro muito os negócios que fomentam a floresta e a geração de renda para as comunidades tradicionais. Vejo a importância dessa valorização como uma urgência”, destaca. A partir disso, diz enxergar o impacto da Bemglô como um dente de leão.“Quero que voe e que possa germinar terras distantes.”

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