AgRural eleva previsão da 2ª safra de milho do Brasil

A grande safra tem pressionado as cotações em importantes praças de negociação do Brasil

Reuters
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Plantação de milho
REUTERS/Nacho Doce

Plantação de milho em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso

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A segunda safra de milho do Brasil será maior do que o previsto com impulso da colheita de Mato Grosso, disse hoje (25) a consultoria AgRural, projetando a produção da “safrinha” 2021/22 do país em recorde de 87,3 milhões de toneladas.

O número revisado havia sido repassado para clientes da consultoria em 14 de julho, mas não tinha sido divulgado ainda para a imprensa. A projeção anterior era de 86,5 milhões de toneladas.

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A grande safra tem pressionado as cotações em importantes praças de negociação do Brasil, com o indicador da Esalq/USP no menor valor nominal (sem considerar a inflação) desde dezembro de 2020.

Considerando apenas a safra do centro-sul, a projeção subiu para 80,9 milhões de toneladas, versus 80,3 milhões na estimativa de junho, com produtividades acima do esperado em Mato Grosso, que mais do que compensaram revisões para baixo em outros Estados.

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“O aumento do centro-sul foi todo em Mato Grosso, cujas produtividades reveladas pela colheita têm sido maiores do que estimávamos anteriormente”, disse a analista Daniele Siqueira, à Reuters.

“Esse aumento em Mato Grosso mais do que compensou pequenos cortes que fizemos no Paraná (por ataque da cigarrinha) e em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás (ajustes finos nas perdas por estiagem)”, acrescentou.

Até a última quinta-feira, a colheita da “safrinha” havia alcançado 61,8% da área cultivada no centro-sul do Brasil, contra 52,7% uma semana antes e 39,3% no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da AgRural.

“Isso significa que cerca de 50 milhões de toneladas de milho já saíram das lavouras da região”, disse a AgRural em relatório.

Com Mato Grosso na reta final e Goiás avançando bem, a colheita no Paraná e Mato Grosso do Sul começou a ganhar mais ritmo, na medida em que a umidade dos grãos diminui.

Nos próximos dias, porém, a queda das temperaturas e algumas chuvas podem fazer a umidade dos grãos subir novamente nos dois Estados, limitando o avanço dos trabalhos, alertou a empresa de análises.

PRESSÃO NAS COTAÇÕES

O avanço da colheita e a grande safra estão pressionando os preços.

Na região de Campinas (SP), o Indicador Esalq/BM&FBovespa voltou para a casa dos 80 reais/saca de 60 kg, acumulando queda de 4% no mês.

“As desvalorizações estão atreladas ao avanço da colheita de segunda safra, que tem mantido consumidores retraídos, apostando em maiores desvalorizações. Além disso, a melhora do clima nos Estados Unidos pressionou os vencimentos futuros, que, por sua vez, reduziram os valores nos portos brasileiros”, disse o Cepea.

Compradores estão atentos à limitação de armazenagem de milho no Brasil. Relatos já indicam armazéns lotados no Sudeste e produto a céu aberto no Centro-Oeste, cenário que pode reduzir a qualidade do grão, acrescentou o centro de estudos da Esalq/USP, na sexta-feira.

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