
Resumo:
- Você tomou um rumo errado em algum ponto e percebeu que o problema não é o emprego, mas, sim, o caminho escolhido;
- Negação, repressão, medo e uma série de outros fatores podem entrar em jogo — e você pode levar anos para enxergar a verdade;
- Se as questões em sua cabeça são constantes — e desgastantes –, talvez seja hora de mudar de carreira;
- Dê a si mesmo permissão para aprender e lembre-se: um novo começo significa novas possibilidades.
O zumbido baixo na cabeça o mantém acordado à noite. É a aflição que permeia seus pensamentos, assim como a agonia que o persegue toda segunda-feira de manhã, sem falta. Você não pode mais ignorar: não está apenas no emprego errado, mas no campo errado. Você tomou um rumo que não deveria em algum ponto da carreira, e recomeçar outra vez parece ainda mais aterrorizante do que seguir nesse caminho. O que fazer, então?
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Não é fácil encarar um erro profissional desses. Para muitos, aceitar que errou é um processo lento e árduo. Negação, repressão, medo e outros fatores podem entrar em jogo — e pode-se levar anos para enxergar a verdade. Eu mesma levei uma década inteira para deixar o setor financeiro e investir na psicologia. Dez anos é muito tempo de espera. Muito tempo com o zumbido na cabeça.
Eu me formei em economia e, ao procurar meu primeiro emprego, escolhi o campo da mesma forma que outros: fiz o que era “esperado”. Logo consegui um trabalho em uma empresa renomada, onde me rodeei de expectativas. Por mais embaraçoso que seja admitir, entrei na área de investimentos para impressionar meus amigos e deixar minha família orgulhosa. Aos 22 anos, a validação dos que me rodeavam importava muito. Talvez até demais.
Eu acreditava ter feito a escolha certa e entrei no mercado de trabalho com todo o fervor de um jovem adulto. Não demorou, no entanto, para a novidade passar e ser substituída pelos primeiros sussurros daquele baixo zumbido. Pouco a pouco, ele cresceu; seu volume subia lentamente.
Cinco anos depois, eu enfrentava a realidade complicada da infelicidade. Queria — talvez fosse mesmo necessário — fazer algo totalmente diferente com meu tempo, com a minha vida. Eu estava totalmente infeliz? Não, e era isso que tornava a situação ainda mais difícil. Eu estava moderadamente infeliz, e ninguém deixa um bom emprego se estiver assim. Ou deixa?
Mais cinco anos e, depois de muita busca, desabafo, lamento silencioso e contemplação dos meus desejos, ouvi minha voz: a psicologia era o meu destino. A ideia de me tornar uma terapeuta havia surgido durante meus anos de sofrimento em finanças, e parecia já antiga. Essa é a parte engraçada de descobrir uma verdade: quando a aceita, percebe que sempre esteve lá.
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Quando contei à minha chefe dos meus planos de fazer mestrado em psicologia, ela não ficou impressionada ou chateada. Pareceu apenas preocupada por ter de preencher minha vaga e acumular mais trabalho. E, mais do que isso, ela estava preocupada comigo. “Erika, as pessoas não saem dessa empresa”, ela me disse. “Você está se arriscando muito. Já pensou como isso afetará seu futuro?”
Ela não estava errada. Eu estava prestes a deixar a segurança do único campo que havia experimentado na vida. Eu dava as costas ao salário fixo, a um pacote robusto de benefícios e bônus anuais. Além disso, dois ou três anos de pós-graduação e seu alto preço me esperavam. Como meu objetivo era entrar em um consultório particular como conselheira de casais, eu pisaria no frágil campo de pequenos negócios, com todos os riscos associados. Uma mudança de carreira tão grande quase parecia irracional ao pesar os prós e contras. Mas havia o zumbido incessante.
Saltar do setor financeiro para a psicologia foi algo radical, mas alguns de nós mudarão de campo, ao longo da vida, de uma forma ou de outra. Para os poucos sortudos, a razão da mudança são sinais claros e impossíveis de ignorar. Para o resto, pode ser mais complicado.
Veja, na galeria de fotos abaixo, 4 dicas para uma mudança de carreira bem-sucedida:
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