Lições de liderança: o que as falhas de Putin ensinam

Você pode aprender mais observando as falhas e erros de liderança de alguém do que ao notar os sucessos e triunfos.

Edward Segal
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O que os líderes podem aprender ao observar as falhas de Putin?

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Dois homens em destaque no mundo – o presidente russo Vladimir Putin e o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, são exemplos de liderança completamente diferentes. Enquanto vale a pena copiar o comportamento de Zelensky, o de Putin deve ser evitado a todo custo pelos executivos. Uma pesquisa informal feita por experts em liderança, consultores e entusiastas, rendeu um olhar mais claro para as numerosas falhas de estratégia do russo, além das táticas e técnicas.

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Excesso de confiança

Mike Rogers, o chairman do conselho da Mitre Corporation, é um ex-membro do Congresso e ex-líder do House Permanent Select Committee on Intelligence (entidade que supervisiona os departamentos de inteligência dos Estados Unidos). Ele apontou que “Putin confundiu sucesso tático com sucesso estratégico”. Ocupar a Geórgia sem enfrentar consequências permitiu que ele acreditasse que pudesse fazer em nome de uma Rússia ressurgente. “Putin continuou com sua linguagem agressiva para com seus vizinhos e teve sucesso em campanhas de fake news em todo o Leste Europeu, dividindo a União Europeia – e todos permitiram que ele acredite que está em uma posição mais poderosa do que realmente está”. 

Isolamento

“Quando as democracias liberais se uniram em frente a Putin, ele foi forçado a voltar aos dias em que lembrava ao mundo que tinha armas nucleares e que não tinha medo de usá-las. Na proporção em que se tornou mais forte, o círculo de liderança de Putin se tornou menor e mais isolado, o que o fez perder tremendas oportunidades de modernizar a economia da Rússia”, diz Rogers.

5 pontos para se ater à realidade

A capitã aposentada da marinha dos Estados Unidos Barbara Bell é professora de liderança na Vanderbilt University e autora do livro “Flight Lessons: Navigating Through Life’s Turbulence and Learning to Fly High”  (Lições de Voo: Navegando por entre as turbulências da vida e aprendendo a voar alto). Ela observa que:

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  • Autoritarismo é o contrário de liderança
  • Por mais que Putin tenha sido democraticamente escolhido como líder no passado, seu desejo agudo por poder e propensão ao autoritarismo não deixaram espaço para uma liderança decente. Liderança e autoritarismo raramente coexistem.
  • Poder sem liderança ética leva à catástrofe. Putin deixou os limites de lado e agora a Ucrânia (e muitos cidadãos russos) estão sofrendo as consequências.
  • A falta de autonomia individual pode minar uma nação. Quando a liberdade individual é apagada, todos sofrem.
  • No ambiente atual, em que as redes sociais são importantes, o desejo do povo não pode ser desconsiderado.

Visão do túnel

“O presidente Putin progressivamente tem se tornado um prisioneiro psicológico de sua própria torre de marfim com um círculo de bajuladores e conselheiros cada vez menor. Por essa razão, sua consciência situacional e suas opções subsequentes tornam-se mais estreitas, quase como uma visão do túnel, o que aumenta os riscos de qualquer ação que ele pratique”, diz Albert Goldson, diretor executivo do Cerulean Council, um centro de estudos sediado em Nova York. 

Prender-se ao passado

Edward Sullivan é o CEO da consultoria executiva Velocity. Ele diz que Putin está preso ao passado. “Grandes líderes olham para o futuro e ajudam suas empresas a chegar lá antes de qualquer um. A Rússia tem os recursos naturais e a população preparada para se tornar um líder global em indústrias de tecnologia e energia renovável, mas em vez disso Putin aprisionou o país no passado, sugando tudo o que pode da decadente indústria de commodities como petróleo, gás natural e carvão.”

Nenhuma dissidência permitida

Sullivan observa que grandes líderes buscam a divergência porque ouvir as pessoas é o que as faz mais leais. “Putin tem reprimido ativamente as opiniões divergentes e, assim, tem minado sua habilidade de mobilizar milhões de pessoas criativas e inteligentes que poderiam estar felizes em ajudar a Rússia a se tornar uma potência de uma perspectiva cultural e tecnológica novamente.”

Ação autoritária

“De acordo com todos os relatórios, Putin agiu de forma independente [contra a Ucrânia]. Portanto, pode-se presumir que não há concordância nem mesmo entre seus líderes sêniores. Dado o regime totalitário, essa falta de ação das partes interessadas se tornará um problema mais significativo se a guerra continuar. Já existem relatórios de membros da oligarquia que se dizem contra o conflito, e que o apoio a Putin pode ‘decair’ conforme o passar do tempo”, diz o consultor de gestão Barry Elliott é fundador e presidente da End2End Wins.

Métricas irrelevantes

“Uma das falhas de Putin é que ele mede o sucesso por território, dominação militar e império. Por mais que esses fatores fossem relevantes há um ou dois séculos, eles não levam à prosperidade no modelo integrado de economia atual e em um mundo movido a informação”, diz Moshe Cohen, professor sênior em negociação e liderança na Boston University’s Questrom School of Business.

Visão

 “A visão de um líder direciona uma nação e a visão de Putin está arraigada no passado, o que marginaliza a posição da Rússia no cenário global ao longo do tempo. O atual conflito com a Ucrânia é o exemplo perfeito desse erro. Qualquer ganho territorial que a Rússia fizer com a guerra será irrelevante diante do isolamento diplomático e da dificuldade econômica. Se o ataque de Putin à Ucrânia apressar a entrada da Finlândia e da Suécia na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e ajudar a Europa a se desvencilhar da dependência energética da Rússia, ele terá atingido o oposto de seus objetivos de fortalecer a seguridade e a prosperidade da Rússia”, diz Cohen. 

Conselhos para líderes de negócios

Use métricas apropriadas

Cohen diz que, os líderes executivos precisam mensurar o sucesso de acordo com métricas relevantes para o ambiente atual e futuro em vez de usar fatores que só eram relevantes no passado. “A visão deles determina a direção das organizações, e eles devem olhar para frente, não para trás. Caso contrário, eles também arriscam danos estratégicos às suas empresas ao se engajarem em táticas que funcionaram no passado.”

Mude com o tempo

“Com a competição ficando mais feroz e fluida do que nunca, é importante para os líderes executivos se adaptarem e mudarem com o tempo. Um acerto, hoje em dia, não garante um sucesso longo e duradouro no futuro. Portanto, um acerto precisa ser sentido por toda a empresa; deixar as pessoas para trás impede o sucesso. Fechar todas as oportunidades de divergência de opiniões não é saudável para nenhuma empresa. Essa atitude fecha os olhos dos líderes para as reais mudanças no gerenciamento dos times e no mercado.”, diz.

Relações são importantes

James Harold Webb é o empresários à frente de diversas empresas focadas em diagnóstico por imagem, dor e serviços laboratoriais, além de ser autor de “Redneck Resilience: A Country Boy’s Journey to Prosperity” (Resistência caipira: A jornada de uma garoto do interior rumo à prosperidade). Ele observa que Putin esteve em uma posição de poder ditatorial por tanto tempo que não pensa nas relações como algo importante para si. Ele tem destruído quase todas as relações internas e externas que tinha e agora se apoia em uma postura de negação com pouquíssimo respaldo. O mesmo pode acontecer no mundo dos negócios se não estivermos abertos às relações que temos com funcionários, parceiros, vendedores, e sim… até mesmo nossos concorrentes. Não há nada de errado em ser competitivo, mas podemos fazer isso como verdadeiros líderes e ainda manter todas as relações, tanto internas como externas”, diz. 

 

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