No papel, o mercado de trabalho dos Estados Unidos em maio de 2026 parece promissor. Os empregadores criaram 172 mil vagas pelo terceiro mês consecutivo de crescimento, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. Mas, para quem está procurando emprego, esses números nem sempre refletem a realidade. Muitos candidatos enfrentam uma sequência de respostas automáticas de rejeição, tornando a busca frustrante.
Vivemos a chamada “era das vagas fantasmas”, em que os indicadores econômicos são positivos, mas conseguir uma oportunidade parece cada vez mais difícil. Embora novas vagas estejam sendo abertas, uma parcela crescente dos desempregados — 27,5% em maio — estava sem trabalho havia mais de 27 semanas. Na prática, a porta de entrada para o mercado está congestionada, e as antigas estratégias de candidatura deixaram de funcionar.
Para recém-formados ou profissionais afetados pelas ondas de demissões que se tornaram frequentes, depender apenas do botão de candidatura rápida já não basta. Especialistas defendem uma mudança de postura: deixar de agir apenas como candidato e passar a se apresentar como um consultor.
Por que simplesmente enviar currículos deixou de funcionar
As plataformas públicas de vagas, como LinkedIn e Indeed, estão sobrecarregadas. Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, o crescimento do emprego está concentrado principalmente em setores como lazer, hospitalidade e governo. Enquanto isso, empresas de tecnologia e grandes corporações tornaram seus processos seletivos mais conservadores.
Com o aumento do desemprego de longa duração, recrutadores passaram a dar preferência a candidatos previamente recomendados ou validados por alguém de confiança, reduzindo o risco das contratações. Como consequência, muitos profissionais passam meses enviando currículos sem obter retorno, competindo em um processo baseado em volume, no qual têm poucas chances de se destacar.
Diante desse cenário, especialistas recomendam mudar o foco e buscar oportunidades antes mesmo de elas serem anunciadas publicamente.
A prioridade das indicações internas
Em um mercado mais competitivo, as indicações internas deixaram de ser apenas uma vantagem e passaram a representar um diferencial importante. As empresas procuram formas de evitar os milhares de currículos armazenados em seus sistemas de recrutamento (ATS), preferindo candidatos que já tenham algum tipo de validação.
Não é necessário conhecer o diretor-presidente da empresa para conquistar uma oportunidade. Desenvolver habilidades de comunicação, ampliar a rede de contatos e aumentar a própria visibilidade profissional ajudam a construir uma imagem de especialista, em vez de apenas mais um candidato.
Três passos para ganhar visibilidade
1. Pare de enviar currículos em massa
Enviar dezenas ou centenas de currículos por semana costuma gerar desgaste sem aumentar significativamente as chances de contratação. Em vez disso, vale selecionar algumas empresas de interesse e personalizar cada abordagem, tratando-a como uma apresentação estratégica. Também pode ser vantajoso procurar vagas em empresas menores e plataformas menos concorridas.
2. Faça abordagens baseadas em projetos
Em vez de apenas pedir uma oportunidade, demonstre como você pode resolver um problema da empresa. Um profissional de marketing pode enviar uma breve análise da estratégia de redes sociais da organização; um desenvolvedor pode apontar um erro no site e sugerir uma solução. Essa estratégia permite mostrar competência na prática, sem depender apenas do currículo.
3. Direcione a busca para setores em expansão
Dados da Forbes indicam que os setores de lazer, hospitalidade e governo lideram a criação de empregos. Profissionais de áreas mais desaceleradas, como tecnologia, podem adaptar suas competências para esses segmentos. Um analista de dados que atuava em uma empresa de software, por exemplo, pode atender às necessidades de um órgão público em modernização ou de uma grande rede hoteleira.
O novo mercado exige mais do que candidaturas automáticas
Embora a economia continue criando empregos, o caminho até essas oportunidades mudou. Hoje, construir conexões, demonstrar valor e adaptar a própria experiência têm mais peso do que simplesmente preencher formulários online.
Em vez de permanecer como apenas mais um nome em um banco de dados, especialistas sugerem que o profissional procure se apresentar como alguém capaz de solucionar problemas reais. Com uma estratégia bem direcionada, é possível transformar a chamada “era das vagas fantasmas” em uma oportunidade para reposicionar a carreira.
*Sho Dewan é coach de carreira, criador de conteúdo e CEO e fundador da Workhap.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com