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“Efeito Musk”: Como o Pacote Trilionário da Tesla Puxou a Remuneração de CEOs para Nível Recorde

Ganhos médios saltaram 21% e chegaram a US$ 22,8 milhões; conselhos de administração passaram a usar os acordos astronômicos de Musk como métrica

3 min

Os planos de remuneração para os principais executivos das empresas do S&P 500 (índice que reúne as 500 maiores companhias listadas nas bolsas dos EUA) atingiram um recorde histórico em 2025. O movimento ocorreu depois que o pacote trilionário de Elon Musk na Tesla se tornou uma “referência” para o mercado, segundo um estudo divulgado pela Reuters.

A remuneração média dos CEOs no S&P 500 — excluindo Musk — saltou 21%, chegando a US$ 22,8 milhões em 2025, informou a agência com base em dados da AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais). Este é o maior patamar desde que a federação começou a monitorar as remunerações corporativas, na década de 1990.

Para o secretário-tesoureiro da AFL-CIO, Fred Redmond, o acordo de Musk na Tesla “muda a dinâmica quando os planos de remuneração de outros CEOs entram em pauta”, uma vez que “os conselhos de administração o usam como referência”.

Ao se incluir o pacote de Musk — que pode ultrapassar o valor de US$ 1 trilhão caso a Tesla atinja as métricas estipuladas —, a média da remuneração para diretores executivos no índice salta para mais de US$ 340 milhões.

Avaliação da Forbes

Musk segue como a pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 870,6 bilhões. Seu patrimônio líquido é mais que o dobro do registrado pelo cofundador do Google, Larry Page (US$ 284,3 bilhões), e por Jeff Bezos, da Amazon (US$ 275,7 bilhões), que ocupam o segundo e o terceiro lugares do ranking, respectivamente.

O CEO da SpaceX e da Tesla se tornou o primeiro trilionário do mundo após a estreia da fabricante de foguetes na bolsa de valores em junho. Sua fortuna chegou a atingir o pico histórico de US$ 1,45 trilhão, antes que a queda das ações da SpaceX cortasse o patrimônio do empresário pela metade. Musk pareceu reconhecer o declínio no mês passado em uma publicação no X, chamando a si mesmo de “(ex-)trilionário”.

Contexto

No ano passado, os acionistas da Tesla aprovaram um pacote de remuneração para Musk atrelado a diversas metas de vendas e de valorização na bolsa. O acordo exige, entre outras coisas, que o valor de mercado da Tesla ultrapasse US$ 8,5 trilhões em um prazo de 10 anos e que a montadora aumente suas vendas em 12 milhões de veículos.

O pacote enfrentou oposição de alguns grupos de investimento, incluindo a gestora do fundo soberano da Noruega. A instituição declarou estar “preocupada com o tamanho do prêmio, a diluição das ações e a falta de mitigação do risco de dependência do executivo.”

Musk possui incentivos semelhantes em seu pacote da SpaceX. Entre as metas estabelecidas, está a criação de uma “colônia humana permanente” em Marte, com pelo menos 1 milhão de pessoas, e o desenvolvimento de data centers extraterrestres. Esses centros de dados precisariam fornecer 100 terawatts de computação anualmente — o equivalente a cerca de 29 vezes toda a eletricidade gerada no mundo em 2023.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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