1. Início
  2. /
  3. Carreira
  4. /
  5. Como Liderar em Tempos de Incerteza? Veja o Que Pensam os Executivos na Era da IA
Carreira

Como Liderar em Tempos de Incerteza? Veja o Que Pensam os Executivos na Era da IA

Líderes de grandes empresas discutem como acelerar a inovação, responder às pressões econômicas e manter a pessoas no centro das decisões

5 min

O cenário econômico global atravessa um período de imprevisibilidade histórica, entre taxas de juros elevadas, pressões fiscais, a urgência da adaptação tecnológica e polarização política. “Pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial, não tivemos um conjunto tão grande de incertezas como o que estamos vivendo na economia global”, afirmou Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, durante o Exponential Summit 2026, evento organizado pela B2B Match que reuniu CEOs e executivos C-Level na última semana.

Nas empresas, cabe aos líderes equilibrar a condução dos negócios, a proteção da rentabilidade e a gestão de pessoas e dos ânimos em um cenário imprevisível.

Os maiores desafios dos CEOs no Brasil

Para Honorato, as complexidades econômicas são uma realidade do país, mas não o único obstáculo enfrentado pelas lideranças hoje. “O Brasil ainda tem juros altos e desafios monumentais de competição e de regulação. A segurança jurídica vai continuar testando os líderes”, diz à Forbes Brasil.

O economista afirma que a gestão financeira é, surpreendentemente, o lado mais controlável da equação. “A parte fácil é esse acompanhamento macro. A evolução tecnológica é que vai ser o tema da nossa agenda nos próximos anos.”

O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho e na formação de novos talentos é o maior dilema corporativo hoje, e deve seguir assim pelos próximos anos.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, a transição tecnológica e a automação por IA devem deslocar 92 milhões de empregos até 2030. A organização estima que 39% das habilidades essenciais dos profissionais precisarão mudar até lá para acompanhar o avanço tecnológico. “O Claude faz hoje o trabalho de três semanas de dois PhDs em economia. Mas se abrir mão desses jovens, como vou formar a futura geração de economistas-chefes do banco?”, questiona Honorato.

Os impactos da tecnologia na liderança

Essa transição acelerada, inevitavelmente, gera ansiedade. Vania Neves, ex-diretora global de tecnologia da Vale, conselheira de administração do Grupo Ultra e do Pacto Contra a Fome, reconhece que a velocidade das mudanças tem deixado os profissionais cautelosos.

Para a executiva, a primeira barreira comportamental do líder hoje é aceitar a própria obsolescência. “Precisamos ter autoconhecimento para saber que é necessário mudar. O que nos trouxe até aqui não vai nos levar adiante”, afirma.

Se as ferramentas digitais assustam em um primeiro momento, elas também podem abrir espaço para uma gestão mais humana. “A tecnologia vai liberar tempo para você fazer aquilo que ela não faz: conversar, dialogar, entender o que faz sentido”, diz Márcio Alencar, CEO da Alelo.

Diante de tantas mudanças simultâneas, o momento exige que os líderes sejam estratégicos. “A incerteza em um cenário difícil tem o lado do risco e o da oportunidade. Ela deveria aumentar a régua de exigência”, afirma Fernando Brossi, VP de Operações e Serviços Financeiros da C&A. “Hoje, não basta um projeto ser apenas bom; ele precisa ser muito bom para ir em frente.”

Como liderar em um mar de incertezas

Os executivos ajudam a traçar caminhos para navegar na instabilidade. “Ouça o seu cliente, entenda o que é importante para ele e veja se o seu negócio está entregando isso”, diz Brossi.

A estratégia, porém, só se sustenta com uma equipe engajada. “Precisamos cuidar do time, no sentido de dar segurança de continuidade. Ter convicção estratégica, um caminho e um norte claros ajuda muito a passar por essas fases.”

Além de cuidar do caixa, acompanhar o comportamento do consumidor e manter a equipe engajada, é preciso estar atento ao cenário externo. Honorato, do Bradesco, alerta que um mundo cada vez mais fragmentado exige atenção. “O líder que não estiver plugado no que está rolando lá fora, do ponto de vista estratégico e geopolítico, vai ver a sua empresa sofrer muitas consequências”, diz o economista-chefe.

Nesse cenário dominado pela tecnologia e marcado pela incerteza, o fator humano ganha ainda mais relevância. “A missão mais complexa é prover esperança para as pessoas. Vivemos em um mundo de muita desesperança”, diz Alencar, CEO da Alelo. “O líder precisa apresentar um futuro de oportunidade e desenvolvimento, especialmente para os mais jovens.”

Para orientar as decisões no dia a dia e lidar com os ruídos internos e externos, o executivo recomenda a escuta ativa. “Nessa dinâmica de polarização, o principal problema é que as pessoas não ouvem mais. Elas colocam as suas certezas à frente da escuta do outro. A grande tarefa da liderança é ouvir e também apresentar possibilidades.”

O processo de adaptação contínua também exige coragem para experimentar novas rotas sem paralisar diante de eventuais erros. “A melhor forma de acalmar o medo do amanhã é fincar os pés no hoje. É menos futurismo e mais presença”, diz Vania Neves. “Para cuidar do futuro, eu preciso entender o presente e escolher bem meus movimentos, onde vou aprender e experimentar, para chegar a esse amanhã.”

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.