Atrás das grades: 9 bilionários e ex-bilionários que já foram presos

Reprodução/Forbes
Os presos políticos Mikhail Khodorkovsky (à esquerda) e Platon Lebedev cumpriram dez anos em prisões russas

Em 23 de janeiro, o ex-bilionário John Kapoor, fundador da fabricante de fentanil (medicamento utilizado para a dor), Insys, foi condenado a cinco anos e meio de prisão, quando foi considerado culpado por subornar médicos para prescrever seu remédio a indivíduos que não precisavam dele. Uma semana antes, o bilionário Jaime Botín teria sido condenado a 18 meses por tentar contrabandear uma obra de Pablo Picasso em seu super-iate. Embora haja relatos de que ele pode não cumprir pena porque é sua primeira infração, Kapoor, em contrapartida, deverá ser preso.

Quando isso ocorrer, certamente este não será o primeiro ou o último super-rico a ficar atrás das grades. Seja em uma prisão de segurança máxima no Colorado ou em um campo de trabalho russo, pelo menos uma dúzia de bilionários e ex-bilionários cumpriram pena. Outros fugiram para evitar o destino.

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Dos 10 ricaços listados abaixo, quatro, incluindo Thomas Kwok e Michael Milken, mantiveram suas fortunas, enquanto outros cinco, como Raj Rajaratnam e Allen Stanford, perderam suas riquezas. Stanford e Joaquín Guzmán Loera ainda estão presos e todos os patrimônios líquidos datam de 23 de janeiro de 2020.

  • Allen Stanford

    Tempo na prisão: 10 anos de 110 de sentença
    Patrimônio líquido: saiu da lista de bilionários em 2009

    Em 2009, Stanford foi indiciado por administrar um esquema de ponzi de US$ 7 bilhões por meio do Stanford International Bank em Antígua, onde é cidadão. Foi negada a fiança. Ele é o segundo maior fraudador do esquema depois de Bernie Madoff. Em 2012, foi condenado a 110 anos atrás das grades por fraude eletrônica e de correspondência, obstrução de investigação e conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Ele foi obrigado a pagar uma sentença em dinheiro de US$ 5,9 bilhões, destinados em parte a vítimas de seus crimes.

  • Mikhail Khodorkovsky e Platon Lebedev

    Tempo cumprido de pena: 10 anos
    Patrimônio líquido: Khodorkovsky saiu da lista de bilionários em 2006
    e Lebedev em 2005

    Outrora o homem mais rico da Rússia e, em 2004, com US$ 15 bilhões, o 16º mais rica do mundo, Khodorkovsky se tornou o prisioneiro russo mais famoso quando ele e seu parceiro de negócios, Platon Lebedev, foram presos por sonegação de impostos em 2003. Ele perdeu sua empresa de petróleo e gás, Yukos, e recebeu uma sentença de 13 anos de prisão em um julgamento controverso que diz ter sido manipulado pelo presidente russo, Vladimir Putin. Como parte de sua pena, foi enviado para um campo de trabalho no sudeste da Rússia, onde escreveu um ensaio em três partes sobre responsabilidade política e social. A dupla deveria ter sido libertada em 2011, mas os dois foram condenados novamente por acusações de peculato e lavagem de dinheiro, que geraram mais seis anos de sentença. Em 19 de dezembro de 2013, Khodorkovsky foi libertado da prisão com perdão de Putin por conta da saúde de sua mãe, e Lebedev foi solto um mês depois.

  • Raj Rajaratnam

    Tempo cumprido de pena: 8 anos
    Patrimônio líquido: saiu da lista de bilionários em 2010

    Rajaratnam, nascido no Sri Lanka, tornou-se bilionário como fundador do Galleon Group, uma empresa de fundos de hedge de Nova York. Em 2009, o FBI o prendeu por uso de informação privilegiada e um júri o considerou culpado de 14 acusações de fraude e conspiração. Em 2011, ele foi condenado a 11 anos de prisão, ordenado a abrir mão de mais de US$ 50 milhões e pagar uma multa de US$ 10 milhões. Aparentemente, ele foi libertado no início de julho de 2019, devido supostamente ao First Step Act, assinado pelo presidente Trump pressionado por Kim Kardashian (entre outros). A lei oferece a libertação antecipada de infratores não violentos com mais de 60 anos ou que estejam em estado terminal. Agora com 62 anos, Rajaratnam é diabético e vive na cidade de Nova York sob liberdade supervisionada.

  • Thomas Kwok

    Tempo cumprido de pena: 3 anos
    Patrimônio líquido: US$ 2,1 bilhões

    O ex-copresidente da Sun Hung Kai Properties, uma empresa de investimentos imobiliários de Hong Kong de US$ 43 bilhões (capitalização de mercado), foi condenado a cinco anos em 2014 e obrigado a pagar uma multa de US$ 500 mil por oferecer US$ 8,5 milhões de suborno ao antigo secretário-chefe de Hong Kong, Rafael Hui. Kwok negou envolvimento e seu irmão e ex-copresidente da empresa, Raymond Kwok, foi absolvido de todas as acusações. Em 21 de março de 2019, o bilionário foi libertado depois de cumprir um pouco mais de três anos de sua sentença.

  • Joaquín Guzmán Loera

    Tempo na prisão: 2 anos de uma sentença perpétua
    Patrimônio líquido: saiu da lista de bilionários em 2013

    O bilionário mais infame, senão o mais perigoso da lista é conhecido como El Chapo. Líder de longa data do cartel mexicano de Sinaloa, Guzmán Loera escapou duas vezes das prisões mexicanas, mas foi capturado e extraditado para os Estados Unidos em 2017. Ele foi condenado por dez acusações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em 2019 e agora cumpre pena de prisão perpétua e mais 30 anos no território norte-americano. Guzmán Loera também foi condenado a pagar US$ 12,6 bilhões em confisco. O cartel enviou centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos e controlou até 60% do comércio de drogas no México.

  • Michael Milken

    Tempo cumprido de pena: 2 anos
    Patrimônio líquido: US$ 3,7 bilhões

    Milken foi pioneiro na estratégia de alto rendimento para fusões e aquisições corporativas quando trabalhava no banco de investimentos Drexel Burnham Lambert nas décadas de 1970 e 1980. Em 1986, ele foi denunciado pelo antigo investidor árbitro e parceiro conspirador Ivan Boesky por uso de informação privilegiada e manipulação de ações, o que levou a uma investigação do ex-procurador dos EUA Rudy Giuliani. Em 1990, Milken se declarou culpado de seis acusações de fraudes de valores mobiliários e violações de impostos, foi condenado a pagar uma multa de US$ 600 milhões e concordou em cooperar com autoridades em investigações contínuas. Ele cumpriu dois anos de prisão e também foi barrado do mercado de ações por toda a vida. Em 1993, logo após ter sido diagnosticado com câncer de próstata, fundou a Prostate Cancer Foundation, em cujo conselho ainda permanece. Em 1998, pagou US$ 47 milhões para resolver uma reclamação da SEC (regulador federal dos mercados de valores mobiliários dos Estados Unidos), que alegava violar os termos de sua proibição de atuação no setor. Milken agora preside o “think tank” do Instituto Milken, que tem uma conferência anual em Los Angeles.

  • Jay Y. Lee

    Tempo cumprido de pena: 11 meses
    Patrimônio líquido: US$ 7 bilhões

    Em 2017, Lee, vice-presidente da Samsung Electronics, foi condenado na Coreia do Sul por acusações de suborno, vinculadas ao eventual impeachment e prisão do então presidente do país, Park Geun-hye e seu confidente, Choi Soon-sil. Lee teria subornado Choi com US$ 38 milhões na tentativa de obter a aprovação da fusão entre a Samsung C&T (empresa controladora do Samsung Group) e a Cheil Industries. O acordo resultaria em um grande pagamento para a família do bilionário, mas ele negou qualquer irregularidade e foi libertado em fevereiro de 2018, após cumprir 11 meses de prisão. Aparentemente, Lee está enfrentando um novo julgamento que pode mandá-lo de volta à cadeia devido a quantias elevadas de suborno, incluindo cavalos no valor de US$ 2,8 milhões dados de presente para a filha de Choi, com ocupações relacionadas ao hipismo.

  • Alfred Taubman

    Tempo cumprido de pena: 9 meses
    Patrimônio líquido: no momento de sua morte, Taubman tinha US$ 3,1 bilhões

    Em 2001, o ex-presidente da casa de leilões da Sotheby’s foi indiciado com Anthony Tennant, presidente da Christie’s, por conspirarem para fixar taxas de comissão cobradas aos vendedores dos Estados Unidos, de modo a violar as leis antitruste. De 1993 a 1999, cobraram pelo menos US$ 400 milhões em comissões. Taubman negou as acusações contra ele, mas foi condenado a um ano e um dia de prisão, já Tennant não pôde ser extraditado de Londres, sob a lei inglesa, e portanto, nunca foi julgado. O ex-bilionário (morto em 2015), que acumulou sua fortuna construindo shoppings nos subúrbios dos Estados Unidos, cumpriu nove meses de cárcere e foi libertado em maio de 2003. “Perdi um pedaço da minha vida, meu bom nome e cerca de 12 quilos”, escreveu em sua autobiografia.

  • S. Curtis Johnson

    Tempo cumprido de pena: 3 meses
    Patrimônio líquido: US$ 4 bilhões

    Johnson é o bisneto de Samuel Curtis Johnson, fundador da SC Johnson, gigante de produtos de limpeza de vários bilhões de dólares de propriedade da família. Em 2011, ele foi acusado de repetidas agressões sexuais de sua enteada adolescente, o que poderia mantê-lo preso por 40 anos.Todavia, a jovem se recusou a entregar seus registros médicos e, depois de uma batalha judicial de três anos, o bilionário aceitou um acordo: ele se declarou culpado de acusações leves de agressão sexual de quarto grau e conduta desordenada em troca de apenas quatro meses de prisão, dos quais cumpriu apenas três, e uma multa de US$ 6.000.

Allen Stanford

Tempo na prisão: 10 anos de 110 de sentença
Patrimônio líquido: saiu da lista de bilionários em 2009

Em 2009, Stanford foi indiciado por administrar um esquema de ponzi de US$ 7 bilhões por meio do Stanford International Bank em Antígua, onde é cidadão. Foi negada a fiança. Ele é o segundo maior fraudador do esquema depois de Bernie Madoff. Em 2012, foi condenado a 110 anos atrás das grades por fraude eletrônica e de correspondência, obstrução de investigação e conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Ele foi obrigado a pagar uma sentença em dinheiro de US$ 5,9 bilhões, destinados em parte a vítimas de seus crimes.

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