Raio-X do empreendedorismo feminino na AL mostra crescimento e desafios

 Thomas Barwick/Getty Images
Estudo revela que há mais mulheres da área de exatas empreendendo na América Latina

Mulheres à frente de startups na área de exatas tem ganhado maior representatividade na América Latina, mas ainda enfrentam uma série de desafios no desenvolvimento e internacionalização de seus negócios, segundo um novo estudo que ilustra a atividade destas fundadoras na região.

A pesquisa “wX Insights 2020: The Rise of Women STEMpreneurs” do IDB Lab, laboratório de inovação do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento e do Santander X, ecossistema de empreendedorismo universitário do banco, mostra crescente dinamismo no panorama de empreendedorismo feminino nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês) em países latinos e no Caribe.

O estudo, que nota um aumento consistente em empreendimentos de STEM desde 2013, teve uma base de 1.148 participantes, 405 das quais são classificadas como “STEMpreendedoras”. O Brasil tem a maior representatividade no estudo (15% das participantes), seguido do Peru (11%) e Argentina (9%).

O relatório também detalha os nichos de atuação de maior interesse para estas fundadoras: edtech (15% dos negócios liderados pelas participantes do estudo), fintech (14%) e healthech (10%).

A vasta maioria destes negócios (81%) foi estabelecida nos últimos cinco anos. Entre as fundadoras consultadas, 54% levantaram investimento de anjos ou venture capital, ao passo que a grande maioria (80%) tem segurança suficiente para escalar seus negócios para outros países nos próximos cinco anos.

O maior desafio das STEMpreendedoras em relação a recursos é a falta de dinheiro próprio para começar a construir seus projetos, segundo o estudo, que aponta redes de contato mais próximas como crucial para seus negócios (78% das fundadoras brasileiras recorrem a este grupo como fonte principal de capital). Fundadoras também reportaram acesso limitado a uma rede de contatos apropriada como outra grande dificuldade.

Apesar destas barreiras, empreendedoras de exatas na América Latina têm conseguido atrair investimentos de fontes institucionais, segundo o relatório, e tem maior propensão de atrair mais de uma fonte de capital em relação a fundadoras de negócios não-STEM.

A maioria das STEMpreendedoras latinas escolhe cofundadores da sua própria rede profissional (44%). Estes cofundadores podem ser homens (62% das empresas lideradas pelas mulheres que participaram do estudo em uma base de cofundadores mista). Startups latinas lideradas só por mulheres representam 22% da base consultada, e 13% das empresas são geridas por uma só mulher.

Além do aspecto de acesso a capital, o estudo mostra a importância de mentoria para as inovadoras. Entre as empreendedoras consultadas, 67% dizem ter recebido mentoria, enquanto 79% das mulheres que conseguiram captar investidores  para seus projetos também tiveram o apoio de mentores.

O QUE PRECISA MUDAR

Para criar condições mais favoráveis para empreendedoras nas áreas de STEM, o relatório oferece recomendações que incluem um maior envolvimento de mulheres nos processos seletivos de fundos de venture capital e aceleradoras. Além de ajudar fundadoras, o relatório recomenda que estes mesmos fundos busquem investir em empresas que tenham políticas que incentivem o crescimento profissional de mulheres.

Sobre processos de aceleração, o relatório sugere que atores do ecossistema não só criem cotas para mulheres, mas que ativamente façam um pré-filtro de possíveis candidatas, que podem então participar das chamadas para estes processos. Além disso, o relatório recomenda que o trabalho de mentores e apoiadores destas fundadoras seja celebrado e premiado com mais frequência pelo ecossistema.

Governos também têm um papel a cumprir, segundo o estudo, que podem ser mais ativos na provisão de capital para empreendedoras, em particular nas áreas STEM. Além disso, deve haver um maior foco na educação, com programas de treinamento e programas de estudo, bem como missões para o exterior.

A anatomia da STEMpreendedora latina, segundo o wX Insights:

– 40% têm mestrado ou doutorado;
– A maioria (72%) tem menos de 40 anos;
– 46% têm mais de um dependente;
– A maioria (64%) tem pelo menos um empreendedor na família;
– 67% estudou ou trabalhou em outros países.

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Clube de autores desenvolve tecnologia para identificar um potencial best-seller

Uma década depois de revolucionar a forma de editar livros, o Clube de Autores comemora os resultados com novidades. A plataforma de autopublicação criada pelo baiano Ricardo Almeida que fechou 2019 com mais de 70.000 títulos publicados desde o início das operações e 50% de crescimento em relação ao ano anterior, percebeu que o modelo de negócios está passando por mudanças. “Os leitores que acompanham os nossos autores pararam de procurar essas obras na nosso ecommerce e as estão buscando em outros canais, como os sites da Amazon e da Livraria Cultura e os marketplaces tradicionais, como o Magazine Luiza. Com isso, o Clube passou a ser o lugar onde os autores compram livros para montar seus próprios estoques – ao contrário de quando começamos. Naquela época, eles não queriam ser obrigados a imprimir uma quantidade mínima, que muitas vezes ficava ‘encalhada’”, explica Almeida. Agora, com o advento das redes sociais, os autores precisam manter um estoque, ainda que pequeno, para vender diretamente ao consumidor.

Com essa reviravolta de comportamento, a plataforma foi redesenhada e estreia hoje (31) com outra cara e algumas mudanças no modelo de negócios, agora totalmente voltada aos autores. Uma delas é que, ao contrário da impressão de um único exemplar por vez – estratégia que sustentou a iniciativa ao longo dos últimos 10 anos –, o autor vai poder comprar volumes maiores e, se quiser, ainda vai ter a opção de deixar a operação logística a cargo do Clube. “Durante o período de testes, já registramos um pedido de 2.000 exemplares. Estão começando a aparecer pequenas editoras interessadas nesse modelo de impressão e distribuição”, explica o CEO da empresa, que tem expectativa de vender 170 mil unidades em 2020.

Além disso, a empresa está trabalhando em uma ferramenta, baseada em inteligência artificial, capaz de analisar as características das obras e apontar, com alguma precisão, as potenciais candidatas a best seller. “Nós publicamos, em média, 40 livros por dia. Não tem como depender do trabalho humano para isso – precisaríamos de uma equipe gigantesca. Por isso, tenho convicção de que a solução passa pela tecnologia, por um algoritmo”, explica o executivo, adiantando que a empresa está conduzindo testes que interpretam as características dos títulos – como fluidez do texto e relevância do tema no momento atual – para determinar maior ou menor probabilidade de sucesso. Assim que essa estratégia se mostrar eficiente, a empresa certamente vai conquistar um outro nível de relacionamento com as livrarias tradicionais, além de orientar os autores para trabalhos futuros. A expectativa é que a ferramenta esteja em funcionamento até o ano que vem.

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Da esquerda para a direita: Samuel Gotto (Google), Ana Luisa Bezerra, (premiada), Rafaella De Bona, premiada, Deborah De Mari (fundadora do Força Meninas), Isabelle Christina (premiada) Mariana Groff ( Premiada)

Força Meninas faz primeira missão no Vale do Silício

O Força Meninas, negócio de impacto social com foco na capacitação de garotas, acaba de voltar da sua primeira missão ao Vale do Silício. O projeto, liderado por Déborah de Mari e apoiado pelo Banco Original, trabalha com meninas no desenvolvimento de habilidades para a liderança do futuro.

As quatro meninas que foram para os Estados Unidos são as ganhadoras do prêmio “Mude o Mundo Como Uma Menina”, que foi realizado em outubro de 2019 e teve como objetivo homenagear as cinco brasileiras de 15 a 25 anos que mais se destacaram por sua contribuição em projetos e iniciativas que impactaram a sociedade no último ano.

As jovens Isabelle Christina (paulistana, 16 anos), Mariana Bigolin Groff (gaúcha,17 anos), Anna Luísa Beserra (baiana, 21 anos) e Rafaella De Bona (curitibana, 22 anos), fizeram uma imersão de cinco dias, tiveram o objetivo de expor as garotas a empresas e ideias que aumentem seu potencial.

Brasileiros atuantes em empresas baseadas no Vale, como Samuel Gosto, do Google, Angela Teodoro, do eBay, Andrea Lista, da Silicon House, Carolina Reis, da One Skin, e a investidora de venture capital Barbara Minnuzi, bem como atores do ecossistema local, receberam as jovens para discutir temas como experiência do usuário, design, futuro do trabalho e sororidade.

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Pipefy leva trainees para o Vale do Silício

A startup de gerenciamentos de processos Pipefy abriu inscrições para seu programa de seleção de trainees, o Young Guns. Um grupo de 15 a 20 pessoas será selecionado para passar um ano na empresa, com a possibilidade de um intercâmbio no Vale do Silício. Os trainees também receberão cursos, eventos e visitas em outras empresas.

No ano passado, a empresa recebeu mais de 2.500 inscrições de candidatos brasileiros e de países como Índia, Itália, Estados Unidos e Irlanda para o estágio. A maioria da equipe comercial da empresa é composta por alumni do programa. A empresa não exige experiência nem formação em vendas para o processo seletivo, que tem três etapas e recebe inscrições até 8 de fevereiro.

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IA reduz em 60% de casos graves de violência da 99

O aplicativo de compartilhamento de transporte 99 reduziu a quantidade de ocorrências graves na plataforma em 60% em 2019. O resultado é creditado a um investimento robusto em segurança, como o uso de inteligência artificial para monitorar o perfil de todas as chamadas, detectar corridas perigosas e prever incidentes antes mesmo que eles aconteçam.

Os algoritmos utilizados pela empresa vasculham padrões de comportamento que estão associados a incidentes (como horário, modo de pagamento e histórico do usuário) no momento da chamada. Se um passageiro acaba de baixar o aplicativo, solicita uma corrida em dinheiro e em horas avançadas, por exemplo, a tecnologia entende que pode haver risco. Essa soma de fatores resulta em um bloqueio automático ou a validação adicional de identidade, pedindo dados como nascimento, CPF e cartão de crédito.

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Ministério da Saúde e Twitter juntos por informações sobre o coronavírus

O Ministério da Saúde e o Twitter anunciaram um recurso para ajudar a busca por informações sobre o novo coronavírus. As pessoas que buscarem termos associados ao assunto na rede social vão receber, como primeiro resultado, uma notificação para acessar conteúdos oficiais da instituição. Entre as informações disponíveis estão detalhes sobre as causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. A ferramenta também funciona em outros idiomas e países.

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Escola do futuro brasileira participa de competição em San Diego

A escola focada em formação para profissões digitais Trybe estará entre as participantes da competição de edtechs StartUp CUP, que será realizada em San Diego, na Califórnia. A competição reunirá as 200 startups de educação mais promissoras do mundo entre os dias 30 de março e 1º de abril como parte da conferência de edtechs e empregabilidade ASU+GSV Summit.

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