Carnaval 4.0: Rosas de Ouro terá realidade aumentada e carro alegórico virtual na avenida

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Ana Beatriz Godói, nova madrinha da bateria da Rosas de Ouro, com a pulseira inteligente

Na madrugada do próximo domingo (23), quando a Rosas de Ouro entrar na avenida, poderemos ver muito mais do que o casal de abre-alas e porta-bandeira ou a famosa bateria. Com o enredo “Tempos Modernos”, a escola fundada na Brasilândia, Zona Norte da capital paulista, vai contar a história das grandes revoluções econômicas da humanidade e convocar a sociedade a discutir o futuro.

“A proposta do enredo é humanizar a revolução industrial e divulgar o quanto é importante para a população brasileira entender o que está por vir. O futuro já chegou e a cada dia que passa, precisamos ficar mais atentos às inovações”, diz o vice-presidente da escola, Osmar Costa.

A roseira vai levar ao Sambódromo do Anhembi uma série de tecnologias embarcadas, capazes de fazer o público – tanto da avenida, quanto de casa – interagir com o desfile. As inovações também vão servir para ajudar a comunidade da escola durante e depois da apresentação. “A ideia é criar um momento ‘sputnik’, ou seja, alertar a população que se não fizermos algo agora para embarcar nessa nova onda tecnológica seremos, para sempre, um país de segunda categoria”, diz o professor Ari Costa, do curso de Engenharia de Produção do Instituto Mauá de Tecnologia, um dos 50 acadêmicos das três universidades envolvidos no projeto (as outras duas são a USP e a FEI). “A maneira de levar isso para a grande massa era por meio do Carnaval ou do futebol.”

A preocupação com a possibilidade de restar apenas as dores da revolução para o Brasil não é de hoje. Ela deu origem ao livro “Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, um Olhar para o Brasil”, publicado no início de 2018, um trabalho executado de forma colaborativa por diversos acadêmicos, alunos e especialistas em tecnologia. Apesar de todos os esforços empenhados na obra, seu alcance não passava nem perto do necessário para promover uma conscientização em massa, capaz de conectar o Brasil com a Revolução 4.0.

Foi então que surgiu a ideia de juntar as duas coisas, viabilizada por meio de um convênio técnico- científico com a Rosas de Ouro, as universidades, o GS1 Brasil (Associação Brasileira de Automação), 21 empresas de diferentes segmentos e especialistas para auxiliar a escola na aplicação de tecnologias de ponta no desfile.

QUATRO PILARES

Em maio do ano passado, essa força-tarefa começou a idealizar o desfile, com base em quatro pilares: educação, comunicação, produtividade e saúde. As tecnologias foram pensadas para contribuir com a escola nos processos de construção dos carros alegóricos, fantasias, preparação dos componentes, na entrega do espetáculo na avenida, no estabelecimento de novos canais de comunicação com os foliões e no acompanhamento do impacto ambiental da apresentação na avenida.

A realidade aumentada é um dos recursos usados para surpreender os espectadores. Marcadores virtuais para celular vão permitir que o público acompanhe os voleios de uma bailarina. Um aplicativo, disponível para iOS e Android, possibilitará ampliar os detalhes dos cinco carros alegóricos que entrarão na avenida. Além disso, as pessoas que tiverem baixado o app poderão, por meio de um QR Code, conferir um sexto veículo – projetado apenas virtualmente. O ROXP4 (foto), o robô-mascote do samba enredo, encarregado de cuidar de uma criança até ficar obsoleto, também ganhará vida graças à tecnologia.

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No que diz respeito aos integrantes da escola, todas as alas – além da presidente da escola, Angelina Basílio, do carnavalesco e do mestre de bateria – serão monitorados em tempo real, por meio de uma pulseira inteligente, para a coleta de informações como batimentos cardíacos, calorias gastas, passos e distância percorrida. Esses dados, processados em nuvem, serão confrontados com exames médicos dos foliões para estabelecer correlações de desempenho na avenida com o estado de saúde.

Para retratar a produtividade, etiquetas RFID (radiofrequência) foram instaladas nas fantasias, de maneira a rastrear quem entrou na avenida e saber o destino delas depois do desfile. Os dispositivos vão monitorar a performance de cada uma das 31 composições da escola ao longo dos 530 metros de comprimento durante os 65 minutos – tempo máximo permitido para cada escola – graças a quatro postos de captação de sinal instalados ao longo do percurso. O desempenho será retratado em um dashboard, por meio de cores – verde, amarelo e vermelho. No caso de um atraso em uma das alas, por exemplo, o painel vai sinalizar, permitindo que a escola corrija possíveis problemas em tempo real.

Cerca de uma dezena de integrantes, incluindo o mestre-sala, receberão coletes equipados com dispositivos GPS que permitirão comparar suas performances com a de atletas de alto desempenho. “Embora o circuito tenha pouco mais de 500 metros, os integrantes da escola andam mais de dois quilômetros ao longo do desfile”, explica Costa.

O professor diz que a ideia é que o trabalho feito para a escola em 2020 perdure além do desfile. A tecnologia RFID, por exemplo, vai permitir saber quantas fantasias foram devolvidas – informação importante para o posterior trabalho de reciclagem, que alimenta a economia circular.

Entre as empresas que participaram do projeto – todas em caráter colaborativo – estão a Nokia, encarregada do suporte à rede 4,5G, e DHL, responsável pela reciclagem e rastreabilidade. “Essa união tem um único objetivo: fazer com que a sociedade acorde para a quarta revolução industrial. Esse é, atualmente, o maior desafio da humanidade”, conclui Costa.

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Thierry Monasse/Getty Images

Europa enfrenta Big Techs e propõe mercado único de dados

A Comissão Europeia (CE) lançou hoje (19) sua aguardada estratégia digital para o velho continente. As propostas visam reduzir a dependência de países europeus de serviços e produtos desenvolvidos por empresas baseadas fora da região. O plano busca posicionar a Europa como líder na definição de padrões no desenvolvimento em tecnologias como IA, reconhecimento facial e outras inovações, priorizando cidadãos no processo.

Segundo as propostas anunciadas por Margrethe Vestager (foto), Thierry Breton e Ursula von der Leyen, membros sêniores da CE, braço executivo da União Europeia, “tecnologias que funcionem para as pessoas” é um dos três objetivos da estratégia, que também visa a “criação de uma economia justa e competitiva”, além de “uma sociedade aberta, democrática e sustentável”.

Na prática, isso quer dizer algumas coisas: a primeira é que a Europa quer encorajar as empresas baseadas nos países da comunidade a enfrentar a China e os Estados Unidos, que são líderes mundiais no desenvolvimento de IA. Diversas empresas nestes países investem bilhões em tecnologias baseadas em dados, ao passo que nenhum país europeu produziu uma gigante do setor até agora e o continente arrisca ficar para trás na corrida global por liderança na economia digital.

Como parte da visão anunciada hoje, as políticas propostas pela CE querem tirar o monopólio de dados do Vale do Silício. Um dos pontos principais da estratégia proposta inclui a criação um “mercado único de dados” até 2030, ou seja, oferecer condições para que as empresas europeias possam competir em pé de igualdade com as Big Techs.

O discurso é que cidadãos deveriam ser empoderados para tomar decisões com base em datasets anonimizados, que devem estar disponíveis para empresas de todos os tamanhos. A CE também reforçou planos de investir bilhões de euros em iniciativas que incluem o desenvolvimento de plataformas de compartilhamento de dados que garantam a privacidade de cidadãos.

Executivos de grandes empresas de tecnologia, incluindo Mark Zuckerberg, do Facebook , estiveram em Bruxelas nesta semana tentando, com sucesso limitado, forçar suas agendas com autoridades regulatórias. Segundo o “New York Times”, John Giannandrea, da Apple, e Sundar Pichai, CEO do Google, também foram até lá. A EC agora vai entrar em um período de consultas que durará meses e um plano final é esperado para (talvez) final de 2020.

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Ripio e Guiando são os destaques do Demo Day Visa

A Ripio, banco digital para o mercado B2C baseado em blockchain, e a Guiando, startup da área de gestão financeira que oferece solução de controle de custos de facilities, foram os destaques do Demo Day da Visa, realizado no MASP, em São Paulo, na última segunda-feira (17). “Ser escolhido o melhor pitch foi uma coisa inesperada, ainda mais por sermos do mercado de criptomoedas, que não é tão tradicional assim”, disse Ricardo da Ros, CEO da Ripio.

Rodrigo Schittini, CEO da Guiando, também se revelou surpreso com o fato de a empresa ter ganho o mesmo título, só que pelo voto popular. “Nosso negócio é muito complexo. Perceber que tiveram clareza do que fazemos e ainda nos escolherem foi sensacional.”

Os projetos apresentados durante o Demo Day foram avaliados por uma banca de executivos da Visa, além de investidores e um júri popular. “Além de gerarem negócios para toda a indústria e para nossos parceiros, as startups nos trazem uma experiência cada vez mais enriquecedora. É uma troca incrível de conhecimento”, disse Fernando Teles (foto), country manager da Visa no Brasil.

O Demo Day é parte do encerramento do Programa de Aceleração Visa, que tem o objetivo de fomentar o ecossistema de startups no país e promover o empreendedorismo, inovação, talento e tecnologia, além de gerar novas conexões de negócios entre os players da indústria de pagamento do Brasil. Na edição de 2019, nove startups participaram – além da Ripio e da Guiando, também fizeram parte da iniciativa Neopag, Lett, Getmore, Tranfeera, Tecpay, Medicinae Solutions e Safeticket. Até hoje, 66 startups já passaram pelo programa e 22 geraram negócios com a própria Visa ou seus parceiros. As inscrições para a edição 2020 estão abertas até 13 de março.

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ClickCash recebe aporte de R$ 5,5 milhões

O aplicativo ClickCash, que oferece empréstimo pessoal de até R$ 2 mil para pessoas físicas, está prestes a iniciar suas operações no Brasil. O app levantou € 1,2 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões) em um aporte liderado pela austríaca Telor e pela estoniana Morcote Holdings para apostar no lançamento, ao mercado brasileiro, de empréstimos totalmente automatizados.

“Acreditamos que com o crescimento econômico acelerado, o aumento da confiança do consumidor e as novas regulamentações brasileiras para bancos digitais e fintechs, a ClickCash vem oferecer uma alternativa conveniente, com taxas competitivas, em comparação com os empréstimos bancários tradicionais”, afirma Rene Hirv, fundador e CEO da Morcote Holding.

Douglas Murdoch (foto), country manager da ClickCash no Brasil, explica que a operação “aposta em um score de crédito próprio que combina inteligência artificial, dados móveis e serviços de informações de crédito tradicionais”. “É esse score próprio, em várias camadas, que garante a assertividade da análise e a velocidade da concessão do crédito”, revela.

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Drones e satélites monitoram lavouras e pastagens no Paraná

Recursos do sensoreamento remoto estão sendo empregados para monitorar os sistemas de produção no campo nas microbacias do Paraná. Como resultado, os pesquisadores estão conseguindo observar o grau de adoção de boas práticas conservacionistas e acompanhar o desempenho desses sistemas. Júlio Franchini, da Embrapa Soja, combina imagens de satélite e de drones para incrementar as avaliações sobre o manejo de solo em uma área de 250 mil hectares nos municípios de Cambé, Sertaneja, Sertanópolis e Primeiro de Maio.

O objetivo é criar padrões para monitorar em tempo real o que está ocorrendo no campo. Para isso, o cientista está estabelecendo critérios para diferenciar detalhes dos sistemas de produção adotados e, no futuro, automatizar o processo. “As imagens de satélite cobrem uma área extensa, mas nem sempre permitem boa visibilidade, por causa das nuvens”, comenta. Por isso, o trabalho é completado com imagens produzidas com drones.

Além da precisão no monitoramento e diagnóstico, o sensoreamento remoto permite avaliações e resultados com mais agilidade. “Com drones, em 15 minutos, por exemplo, podemos cobrir uma área de 50 hectares. No processo tradicional, as medidas são feitas a campo, o que demanda muito mais tempo”, compara.

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