Como ajudar alguém que apresenta pensamentos suicidas?

É mito a ideia de que não podemos falar sobre o assunto com aqueles que estão em sofrimento; entenda formas de auxiliar com o colunista Arthur Guerra

Arthur Guerra
Compartilhe esta publicação:
Justin Paget/Getty Images
Justin Paget/Getty Images

Não passa de mito a ideia de que não podemos conversar sobre a angústia e o sofrimento com alguém que apresente tendências suicidas

Acessibilidade


Setembro é um mês muito especial para os médicos da área de saúde mental. É neste mês que a Associação Brasileira de Psiquiatria, junto com o Conselho Federal de Medicina, organiza o Setembro Amarelo, que tem como objetivo conscientizar a população brasileira sobre a importância de todos nós – médicos e cidadãos – trabalharmos pela prevenção do suicídio.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o suicídio é uma das principais causas de morte no mundo. Morrem mais pessoas como resultado de suicídio do que de Aids, câncer de mama ou malária. Os números da OMS apontam que 1 em cada 100 mortes se deve à auto eliminação.

LEIA TAMBÉM: Conheça a startup que pretende derrubar as taxas de suicídio no país

Uma das perguntas mais frequentes que cercam este tema é: “Será que se eu conversar com alguém que acredito ter ideia de se matar vou encorajá-lo a cometer suicídio?” Esse é um dos mitos mais comuns. É algo que faz parte do imaginário popular, mas que se propagou inclusive entre profissionais de saúde. Estudos nos Estados Unidos apontam que apenas 1 em cada 3 médicos aborda o assunto com seus pacientes com depressão. Depressão, nós sabemos, é um dos problemas de saúde mental mais diretamente relacionados ao aparecimento da ideia de alguém tirar a própria vida.

A verdade é que abordar o tema com alguém que está desesperançado pode abrir caminho para que a pessoa que está sofrendo discuta e coloque para fora os seus sentimentos, geralmente de desalento em relação à vida.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Nós, médicos, quando nos deparamos com alguém que dá algum indício de querer tirar a própria vida, temos de olhar para esse paciente de forma respeitosa, amorosa, mas muito atentos para procurar entender qual é o sofrimento que ele guarda dentro dele. Como podemos ajudar aquela pessoa que está passando por um momento muito particular e íntimo, mas de grande angústia?

E o resto de nós? Como abordar esse tema com alguém que conhecemos e sabemos que pode estar pensando em tirar a própria vida? É importantíssimo demonstrar afeto e estar totalmente aberto a escutá-lo. Muitas vezes, o que aquela pessoa quer – e precisa – é de um aperto de mão, de um abraço, de um aconchego.

Procure pegar na mão daquele seu conhecido, sentar-se ao lado dele ou dela, encostando ombro com ombro para mostrar o quanto você gosta dele. Você pode falar algo assim: “Eu estou preocupado com você. Eu não sei exatamente o que você tem. Eu não sou médico, mas eu gostaria que você procurasse um médico, pois vejo que não está bem. Eu estou fazendo com você o que eu sei que você faria comigo se eu estivesse no seu lugar. Posso marcar um médico para você? Posso ir junto? Vamos conversar com um médico agora?”

Essa proximidade, essa humanidade, esse afeto ajudam muito quem está em um quadro de sofrimento. Iniciar uma conversa como essa pode, sim, contribuir para que quem sofre veja formas alternativas de sair dessa situação e saiba que pode encontrar auxílio junto a um profissional de saúde.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: