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Lideranças afetam mais a saúde mental dos colaboradores que terapeuta

Pesquisa realizada com mais de 3000 pessoas em dez países comprovou impacto que líderes causam no bem-estar na qualidade de vida dos subordinados

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Getty ImagesLíderes impactam a saúde mental dos colaboradores, mas não reconhecem isso

Uma interessante pesquisa feita pelo Workforce Institute que entrevistou mais de 3000 pessoas em dez países mostrou que as lideranças impactam mais a saúde mental dos colaboradores (69%) do que terapeutas (41%) e tanto quanto um cônjuge ou parceiro amoroso.

O que isso nos diz sobre a importância do papel dos líderes? Líderes não se restringem, evidentemente, ao mundo corporativo. Eles estão na escola e na faculdade – na figura de professores -, no esporte – na figura de treinadores -, na política, nas artes, em todos os segmentos da sociedade.

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Durante o meu curso de Medicina, fui guiado por duas figuras de liderança (os professores Adib Jatene e Paulo Fraletti), cada qual com um estilo muito diferente do outro – um, mais trabalhador e empreendedor, o outro, mais durão -, que ajudaram a pavimentar a estrada na qual eu segui a minha carreira profissional.

Creio que todos temos em nossas vidas exemplos semelhantes aos que eu citei. Isso confirma o impacto que uma liderança tem na vida, no bem-estar, na qualidade de vida, nos valores com os quais uma pessoa vai se identificar.

Incrivelmente, a mesma pesquisa da Workforce mostrou que 1 em cada 3 colaboradores disse que seu líder não reconhece o impacto que tem no bem-estar de sua equipe. Dado que as pessoas são o capital mais importante para o fortalecimento de uma organização, é fundamental que as chefias não só estejam cientes de seu papel na promoção da saúde mental de seus times como trabalhem para fortalecê-la.

Uma via para fazer isso é que elas mesmas admitam a sua vulnerabilidade. Quando líderes se abrem sobre os desafios que eles enfrentam, suas batalhas para ter uma boa saúde mental, não apenas dão o exemplo a seus liderados como também criam o sentimento de pertencimento no trabalho. Afinal, as chefias deveriam ser a primeira escolha dos times para uma conversa sobre questões de saúde mental.


Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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