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Mc Soffia: Como a Música Negra e Periférica Cria Conexões entre Marca e Consumidor

Aos 20 anos, rapper já conquistou palcos nos Estados Unidos e na Europa

3 min

A música sempre foi um dos maiores ativos culturais do Brasil. Vozes das periferias fazem parte da construção desse patrimônio e cada vez mais marcas têm entendido a música preta e periférica como uma grande força de diálogo com as pessoas de dentro e fora desse território, pela influência cultural que exercem.

Recentemente, uma parceria da Feira Preta com a Disney, Marvel e Kondzilla lançou uma exposição no Museu das Favelas com artistas periféricos que criaram obras inspiradas em uma música e visual elaborados pela produtora. Uma combinação riquíssima de diferentes expressões artísticas carregadas da brasilidade real.

Nesse território, entra a história da MC Soffia, rapper que, aos 20 anos, representa uma potência. A artista jovem, talentosa e consciente tem potencial enorme de conectar o público com marcas, ampliando conexão e conversão.

Com uma carreira ascendente, Soffia já conquistou palcos nos Estados Unidos e na Europa em 2024, levando consigo não apenas a força de sua voz, mas o valor cultural da música periférica. Seus hits, como “Menina Pretinha”, “Minha Rapunzel tem Dread” e “Empoderada”, ressoam com uma audiência diversificada e crescente, ultrapassando os limites geográficos e sociais. Ao celebrar a beleza e a identidade da mulher negra, Soffia cria narrativas de pertencimento que impactam diretamente comportamentos de consumo.

MC Soffia e a música como conexão entre marcas e públicos

No contexto em que os consumidores demandam cada vez mais valores alinhados com suas identidades, a música periférica se torna um ativo potente. Ela dialoga com públicos jovens, conectados e conscientes, que buscam representatividade em tudo que consomem — seja moda, beleza, tecnologia ou entretenimento.

A colaboração de marcas com artistas sempre foi eficiente para posicionar produtos e serviços. Depois, vieram os influenciadores, dando novas camadas a essa relação. Hoje, temos os “artistas influenciadores”, que se comunicam de forma direta e emocional com uma parte significativa do mercado. No caso do consumidor negro, é sempre importante lembrar que ele representa a maioria da população. Portanto, estamos falando de narrativas de impacto cultural fortíssimas.

Um motor para a nova economia preta

A música periférica, além de expressar a realidade de milhões de brasileiros, fomenta a chamada economia preta — um ecossistema criativo e econômico impulsionado por saberes e talentos negros. Dados de um estudo realizado pela Feira Preta, AUÊ Creators e Shopper Experience revelam que 89% da população negra se enxerga como criativa. Isso se traduz em uma vasta rede de talentos e oportunidades.

Ao ouvir MC Soffia e outros artistas pretos e periféricos, não estamos apenas consumindo música. Estamos conectando marcas a histórias, identidades e valores que instrumentalizam o presente e moldam o futuro.

*Adriana Barbosa é diretora executiva da PretaHub e fundadora do Festival Feira Preta, maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina. Foi reconhecida como a primeira mulher negra entre os Inovadores Sociais do Mundo em 2020 pelo Fórum Econômico Mundial e passou a integrar o time de empreendedores sociais da Rede Schwab.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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