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Como Ganhar Dinheiro com o Tesouro Direto

Selic está em 15% ao ano, maior taxa desde julho de 2006, o que proporciona uma oportunidade histórica

7 min

No cenário econômico atual, com a taxa de juros brasileira em 15% ao ano, estamos diante de uma oportunidade histórica no Tesouro Direto. O ambiente é muito favorável para quem deseja acelerar o crescimento patrimonial com muita segurança. Recomendo que você dedique algum tempo para compreender a dinâmica dos títulos públicos, pois estamos diante de uma chance histórica para até mesmo dobrar patrimônio em um intervalo de tempo relativamente curto.

Desvendando a renda fixa: os tipos de títulos

Todo investimento em renda fixa é sempre um empréstimo que você está fazendo a alguém em troca de juros. Você pode emprestar para o governo (títulos públicos), para o setor bancário (CDB e RDB), ou para a iniciativa privada (debêntures, CRIs, CRAs). Em geral, os juros a receber por esses empréstimos estão em uma das categorias a seguir:

  • Pós-fixados: a rentabilidade desses títulos é atrelada a um indicador, como a taxa Selic ou o CDI, e só é definida no vencimento ou ao longo do tempo. Se você investe em um Tesouro Selic, por exemplo, seu dinheiro cresce de acordo com a variação dessa taxa. Se a Selic subir, o rendimento aumenta; se cair, ele diminui. O importante é que o valor principal do investimento não se desvaloriza, apenas a velocidade de crescimento da rentabilidade se altera.
  • Prefixados: ao adquirir um título prefixado, você trava uma taxa de juros no momento da compra. Ou seja, a remuneração é fixa e conhecida desde o início, independentemente das flutuações do mercado. Se você compra um título que paga 13% ao ano, essa será sua rentabilidade anual até o vencimento.
  • Indexados à inflação (IPCA+): são títulos que oferecem uma rentabilidade híbrida: parte fixa (uma taxa de juros pré-determinada), parte variável, resultado da variação da inflação (IPCA). Dessa forma, seu poder de compra é preservado, e você ainda garante um ganho real acima da inflação.

Marcação a mercado: risco ou oportunidade?

Esse é um conceito que você precisa entender para não se assustar com as variações de valor de seus investimentos em renda fixa, especialmente aqueles prefixados ou indexados à inflação. Os preços desses títulos oscilam diariamente no mercado secundário, refletindo expectativas futuras do mercado quanto à taxa de juros.

O conceito de marcação a mercado é simples de entender: Imagine que você adquiriu um título prefixado que promete 15% ao ano. Se, no dia seguinte, as expectativas de mercado para os juros futuros caem, e títulos semelhantes ao que você adquiriu, passam a ser negociados a 10% ao ano, o seu título, que ainda rende 15%, se torna mais valioso para quem deseja comprá-lo no mercado secundário.

Essa diferença percentual, que antes seria distribuída ao longo dos anos até o vencimento, é antecipada no preço do seu título. Assim, o valor de mercado do seu investimento sobe.

Por outro lado, se as taxas de juros sobem após a sua compra, o seu título que paga 15% ao ano, não é mais tão atrativo se comparado a outros que estejam pagando, por exemplo, 17% ao ano. Nesse caso, o preço unitário (PU) do seu título terá um deságio caso você resolva vendê-lo antes do vencimento.

Isso acontece porque o investidor só deixará de comprar um título que paga 17% ao ano para, em vez disso, comprar um que paga 15% ao ano se o preço for atrativo. Concorda?

Até aqui, suponho que você já compreendeu que marcação a mercado pode ser risco ou oportunidade. Vai depender da forma como você agir com o título adquirido.

Ganhando dinheiro com a marcação a mercado

Muito provavelmente você já ouviu falar de aproveitar a marcação a mercado para ganhar dinheiro com títulos de renda fixa. Em momentos em que a taxa de juros básica da economia (Selic) está alta e há uma expectativa de queda futura, investir em títulos de longo vencimento pode gerar ganhos expressivos em um curto período.

Quando os juros começam a cair, o preço dos títulos pré-fixados e indexados à inflação de longo prazo tende a subir significativamente. Isso ocorre porque a taxa mais alta que você contratou se torna mais atrativa em um cenário de juros em queda.

Por exemplo, se você investe em um Tesouro IPCA+ 2045, que esteja pagando IPCA + 6% ao ano, e as taxas de juros de mercado para títulos similares caem para IPCA + 4%, o valor do seu título subirá. Essa valorização pode representar um ganho de capital relevante, com a venda antecipada do título, superando até mesmo a rentabilidade originalmente pactuada.

Os riscos e a importância do timing

Apesar do potencial de altos retornos, a marcação a mercado também implica riscos. Se você precisar vender seu título em um momento em que as taxas de juros subiram desde a sua compra, a venda pode ocorrer por um preço inferior ao que pagou, resultando em perdas.

Sendo assim, entender a dinâmica dos ciclos econômicos e da marcação a mercado é importante para acertar o timing de saída, realizando os lucros quando as taxas de juros estiverem em patamares baixos, após a queda esperada.

A percepção do mercado sobre a inflação e a política fiscal também impactam as taxas de juros futuras. Fatores como a queda da inflação ou uma expectativa de maior controle dos gastos públicos podem sinalizar um cenário de queda de juros, beneficiando os títulos de longo prazo.

Se você prefere segurança e previsibilidade pode adquirir títulos visando levar até o vencimento e receberá ao longo do tempo a taxa pactuada. Mas, se a ideia é comprar para aproveitar a marcação de mercado, é necessário acompanhar a movimentação através do noticiário econômico e dos preços e taxas no site do tesouro direto, a fim de realizar seu propósito.

Nunca ignore a diversificação

Isso é algo que eu insisto em alertar sempre, e especialmente no atual cenário, onde as taxas dos títulos de renda fixa estão incrivelmente atrativas: nunca abra mão da diversificação de sua carteira de investimentos.

É claro que você deve aproveitar os atuais níveis de taxa disponíveis no Tesouro Direto, principalmente nos títulos mais longos, pois estamos em patamares muito raros. No entanto, não é prudente concentrar todo o seu patrimônio em um único tipo de investimento.

A alocação inteligente dos recursos em diferentes classes de ativos e, dentro de cada uma delas, em diferentes produtos, ajuda a mitigar riscos e a buscar o equilíbrio entre segurança e rentabilidade.

Aproveitar o potencial que as altas taxas proporcionam para turbinar patrimônio é bastante viável, mas sem perder de vista que as oportunidades estão em vários tipos de investimento, e tentar capturar as melhores chances em cada categoria, será um o diferencial importante para seus resultados de longo prazo.

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