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No Cume Depois dos 50

Marina Bandeira Klink conta sua primeira experiência com o montanhismo

5 min

Cientes de que a nossa melhor fase física normalmente está concentrada num período que vai dos 20 aos 45 anos de idade, valorizamos muito a nossa juventude. Essa também é a fase em que colocamos toda a nossa energia no trabalho. Aproveitamos enquanto estamos ativos, saudáveis – na maior parte dos casos – e participamos com vigor da competitividade natural do mercado de trabalho, gerando nossa maior produtividade. Nessa ciranda, alguns constroem família e outros optam pela independência de viver outras dinâmicas. Acontece também que é nessa fase que entendemos ser o momento de se focar na realização de sonhos ou de metas materiais mais audaciosas.

Ao longo da vida ouvi vários amigos dizerem que estavam trabalhando arduamente porque planejavam trabalhar até os 50 anos, quando programavam pausar as atividades profissionais e usariam o produto do trabalho para recuperar o tempo de lazer perdido. Passados os anos, constato que poucos conseguiram realizar o tão sonhado projeto de vida, e a maioria ainda trabalha em busca desse inatingível momento de trégua.

Mesmo tendo experimentado a máxima de que a vida começa depois dos 50, fiz com que isso fosse real. No meu caso foi coincidência que, aos 50 anos de idade, eu tenha encerrado minhas atividades na área de eventos, passando a me dedicar à fotografia de natureza. Foi nesse período de mudança de curso de vida que, em função de uma fotografia, experimentei o montanhismo pela primeira vez. Muito embora não tenha sido previamente planejado, isso aconteceu.

Lembro de quando eu era criança, costumava observar as Agulhas Negras pela janela da casa da minha avó que naquela época morava em Resende. As Agulhas se destacavam na Serra da Mantiqueira e me chamavam a atenção. Pelo olhar de uma criança parecia um ponto mágico e inalcançável. Mesmo imaginando não ser capaz por não ser experiente com subidas em montanhas, aos 50 anos de idade me vesti de coragem e encarei o desafio.

Marina Bandeira Klink

Durante a pandemia, numa das muitas Lives a que assisti, uma se destacou. Foi quando conheci um guia especializado em montanhas e decidi tentar. Minha preparação foi simples. Organizei duas mochilas: em uma coloquei roupas técnicas e confortáveis, botas e chapéu; na outra separei um equipamento fotográfico que eu pudesse carregar do começo ao fim (até mesmo uma bateria pode parecer ter ficado pesada ao longo das horas de caminhada!). Fechei a bagagem, entrei no carro e parti rumo ao Parque Nacional de Itatiaia.

Uma escalada, por mais desafiadora que seja, começa com um primeiro passo: a decisão de tentar. Quando chegamos na base da montanha e olhamos o corpo daquela imensa muralha, muitas vezes pode parecer quase impossível vencer a subida. Mas é essa a hora de tentar. Começamos uma caminhada suave, depois vem passos mais difíceis. Chegam os obstáculos e então outros passos, cada vez mais desafiadores. Porém, quando olhamos para trás, às vezes percebemos que já percorremos grande parte do caminho. Diferentes desafios vão surgindo no caminho, como pedras soltas, paredões, fendas e rios, mas, com a ajuda do guia experiente, vamos vencendo um a um, e percebemos serem todos transponíveis. Com um pouco mais de fôlego, mais adiante descobrimos estar no cume, e aquela sensação de recompensa nos revigora.

No alto da montanha finalmente respiramos o ar que que buscávamos, acompanhado de um troféu invisível da nossa conquista pessoal. A alegria de poder observar a Terra lá do alto, acompanhada da realização pessoal de ter alcançado o topo com nosso próprio esforço, é uma recompensa impagável. Não existe mistérios: o segredo da recompensa está na nossa própria caminhada. É termos a coragem de começar uma jornada cheia de obstáculos em que não é possível cortar caminhos.

Marina Bandeira Klink

Desse dia em diante, passei a gostar cada vez mais do desafio de vencer montanhas. Entendo que é tão bom que até pode ser que o melhor da vida não comece nem mesmo aos 50, mas décadas depois. Vamos em frente, não desista… Mesmo nos caminhos mais desafiadores, damos um passo de cada vez.

*Marina Bandeira Klink é uma fotógrafa de natureza brasileira, com nome reconhecido especialmente por seus registros fotográficos das regiões mais remotas do globo. Atualmente, Marina propõe novas experiências para viajantes e fotógrafos que, assim como ela, deseja fazer registros em destinos não convencionais. Ela publicou 3 livros de fotografia e 2 livros infanto-juvenis – ambos adotados por escolas particulares e pela rede pública de ensino de todo o país. Além disso, seu trabalho está presente em livros didáticos, jornais e revistas e em exposições fotográficas no Brasil e exterior. Em suas palestras Marina relata experiências vividas em viagens nada usuais abordando temas como coragem para uma mudança de Mindset, desafios e superação, liderança, empreendedorismo e meio ambiente.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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