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Joaninhas e Afins: os Organismos Que Formam uma Rede Oculta de Sustentabilidade da Terra

Animais e microrganismos mantêm ecossistemas com eficiência superior a qualquer sistema de engenharia humana

4 min

A sustentabilidade é frequentemente vista como um desafio liderado por humanos, impulsionado por políticas, inovação e infraestrutura. Fora desse escopo, existem certos sistemas que sustentam o planeta e não foram construídos por pessoas.

Tais sistemas são mantidos por animais e microrganismos que regulam os ecossistemas com um nível de eficiência que nenhum sistema de engenharia conseguiu igualar.

O sistema invisível que alimenta a comida e a estabilidade do ecossistema

Os polinizadores estão entre os exemplos mais claros desta infraestrutura natural. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), aproximadamente 75% das colheitas globais de alimentos dependem, ao menos em parte, da polinização.

Da mesma forma, quase 90% das plantas com flores silvestres dependem da polinização animal. Este serviço ecológico se traduz diretamente em valor econômico. Se os polinizadores forem removidos, os sistemas alimentares perdem a estabilidade de forma quase imediata.

Como insetos e animais sustentam a agricultura e os ciclos de carbono

Getty ImagesAbelha coletando o pólen em flor

Além da polinização, os animais moldam os ecossistemas de forma ativa. De acordo com o MIT News, os animais desempenham um papel mensurável no ciclo do carbono ao redistribuir nutrientes pelos ecossistemas e pela dispersão de sementes.

Em ambientes marinhos, por exemplo, as baleias contribuem para o sequestro de carbono ao transportar nutrientes por meio de seus padrões de movimento e alimentação.

Em terra, alguns insetos atuam como um sistema de apoio agrícola integrado. Joaninhas e crisopídeos, por exemplo, controlam pragas naturalmente. As joaninhas consomem até 5.000 pulgões durante a vida, conforme mostra um artigo da Universidade da Califórnia.

Vespas parasitas suprimem ainda mais os danos às plantações ao visar espécies de pragas como as cochonilhas, reduzindo as populações de forma significativa.

Ao mesmo tempo, os escaravelhos reciclam nutrientes ao decompor o esterco, o que melhora a fertilidade do solo e a produtividade das pastagens. Os insetos são responsáveis por serviços ecossistêmicos essenciais, incluindo decomposição, formação do solo e controle biológico.

Redes microbianas e o risco crescente de declínio ecológico

Dois besouros rola-bostas se esforçando para rolar uma bola pela areia
Dois besouros rola-bosta no meio do trabalho de transporte de fezes bovinas

Os microrganismos operam em um nível ainda mais fundamental. Os micróbios do solo são centrais para o ciclo global do carbono, influenciando a quantidade de carbono armazenada nos solos em comparação com a liberada na atmosfera, conforme detalha o National Institute of Health (NIH).

Esses microrganismos decompõem a matéria orgânica, fixam o nitrogênio e estabelecem relações simbióticas com as raízes das plantas, o que afeta diretamente a saúde e a produtividade vegetal. Além disso, solos saudáveis, impulsionados em grande parte pela atividade microbiana, sustentam a produção global de alimentos.

O problema central reside no fato de que diversas espécies de insetos, incluindo abelhas selvagens, sofrem ameaça de extinção em razão da atividade humana, o que abrange mudanças no uso da terra, poluição e mudanças climáticas. Esse declínio já enfraquece os sistemas biológicos que sustentam a segurança alimentar, a estabilidade climática e a resiliência dos ecossistemas.

A resposta necessária é tanto sistêmica quanto prática, visto que a redução de insumos químicos, como pesticidas, e a adoção de práticas agroecológicas podem restaurar as populações de polinizadores e a saúde do solo. Proteger habitats, apoiar a biodiversidade e integrar soluções baseadas na natureza ao design urbano e industrial são caminhos necessários.

A sustentabilidade ambiental existe como um sistema vivo alimentado pela biodiversidade. O real desafio é saber se os sistemas humanos podem se alinhar a ela com rapidez suficiente para evitar comprometer a própria base da qual dependem.

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