Sem maca a fogo há 10 anos. Na pecuária de corte, uma forma tradicional de identificação é a maca com ferro quente. E há 10 anos iniciou-se o projeto que trouxe consciência para essa prática.
Algumas fazendas tiveram coragem de participar desse debate inicial, que buscavam essas respostas. juntamente com algumas empresas do setor e pesquisadores do grupo Etco, de Jabuticabal (SP).
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Hoje, passado 10 anos da decisão de abolir a marca a fogo da fazenda, exceto da brucelose, que é obrigatória pelo Ministério da Agricultura, a gente enxerga benefícios diretos, como redução no número de acidentes, agilidade nos trabalhos, animais menos reativos, manejos mais fáceis e, principalmente, o ganho gerencial, já que a identificação dos animais passou a ser eletrônica.
Nosso erro de identificação diminuiu em 18%. Usamos tatuagens, brincos de identificação e botons eletrônicos. Há ainda os ganhos indiretos na produtividade, já que os animais não passam por memórias negativas. Há também os ganhos para a imagem na pecuária brasileira, que aos poucos reduz uma prática cruel ao animal.
Me pergunto, se há métodos mais eficientes e menos dolorosos, por que não adotá-los? A mata-fogo é uma prática tradicional na pecuária, mas tradição não pode se sobrepor à evidência científica. A ciência comprova os benefícios da marca-fogo no bem-estar dos animais e também na eficiência operacional. Existem métodos mais efetivos e menos invasivos, já validados por diversas fazendas brasileiras.
- Carmen Perez é pecuarista e entusiasta das práticas do bem-estar animal na produção animal. Há 14 anos, trabalha a pesquisa na fazenda Orvalho das Flores, no centro-oeste do Brasil, juntamente com o Grupo Etco, da Unesp de Jaboticabal e universidades internacionais. Foi presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) em 2017/2018.
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