O café solúvel foi contemplado na lista de isenções da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre importações provenientes do Brasil, em uma decisão bastante aguardada pela indústria do segmento, o único do setor de café brasileiro que ainda estava sendo taxado pelo governo norte-americano.
Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a isenção ao café solúvel protege exportações brasileiras de café aos EUA — historicamente o maior mercado do Brasil — na ordem de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano, incluindo o grão verde, que já contava com a isenção tarifária.
Já o café solúvel havia permanecido sob tarifas dos EUA, com uma alíquota de 10%, mesmo depois que o governo norte-americano decidiu revogar as taxas maiores sobre boa parte dos produtos brasileiros, incluindo o grão verde.
A vigência de uma tarifa de 50% sobre o café solúvel brasileiro importado pelos EUA por um período teve um impacto significativo nos embarques do produto, que recuaram 28,2% em 2025 em relação a 2024, para o equivalente a 558.470 sacas de 60 kg, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Esse volume representou cerca de 15% do total que o Brasil exportou desse produto no ano passado, segundo a Abics.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, ressaltou que a isenção concedida agora reflete o reconhecimento do trabalho conjunto da indústria brasileira com a National Coffee Association, entidade do setor dos EUA.
Segundo ele, os esforços, iniciados no ano passado, buscaram demonstrar tecnicamente a agregação de valor proporcionada pela indústria e sua contribuição para a estabilização dos preços ao consumidor norte-americano.
Matos destacou que os EUA são o maior consumidor e importador mundial de café, enquanto o Brasil é o maior produtor e exportador do produto.
“São parceiros insubstituíveis, é uma relação de ganha-ganha, uma relação de via de mão dupla”, disse.
O tarifaço dos EUA está entre os fatores que derrubaram as exportações totais do Brasil em 2025, levando a Alemanha a assumir o posto de maior importador de café brasileiro no ano-safra 2025/26 (julho/junho), de acordo com o Cecafé.
Ainda que a taxa de 50% tenha durado por cerca de quatro meses, os embarques totais para o país norte-americano recuaram 43,2% no ano-safra 2025/26, em relação aos 12 meses anteriores.
Com relação ao café solúvel, no período da aplicação da tarifa de 50%, entre agosto e dezembro, a redução nos embarques foi ainda maior: 62,8% ante o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Abics.