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“O Risco na Agricultura É a Paralisia Provocada Pelos Dados”, Diz Jena Holtberg-Benge, da AGCO

Para a diretora de Digital e Informação global da companhia que fatura US$ 10 bilhões, os produtores estão ávidos por 'qualquer coisa que lhes permita reduzir custos de insumos e aumentar a produtividade'

8 min

Os agricultores sempre lidaram com incertezas. Condições climáticas, escassez de mão de obra, oscilações nos preços das commodities e aumento dos custos dos insumos há muito tempo determinam a economia da agricultura. Hoje, surgiu outro desafio: compreender o enorme volume de dados gerado pelas operações agrícolas modernas.

Para a AGCO, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos agrícolas e tecnologias de agricultura de precisão, a inteligência artificial está se tornando uma ferramenta essencial para ajudar os agricultores a lidar com essa complexidade. A empresa, que registrou receita de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões na cotação atual) em 2025, incorpora cada vez mais a IA em seus equipamentos, plataformas digitais e rede de concessionários para ajudar os agricultores a aumentar a produtividade, ao mesmo tempo que reduz seus custos. Segundo Jena Holtberg-Benge, diretora de Digital e Informação, o objetivo é simples.

“A AGCO considera a agricultura de precisão a resposta para um dos principais desafios dos agricultores”, afirmou. “A capacidade de produzir mais com menos”, afirma Jena, que trabalha na sede da AGCO, em Duluth, no estado da Geórgia, EUA

Tecnologia como vantagem competitiva

A perspectiva de Jena foi moldada por uma trajetória profissional pouco convencional. Antes de assumir o cargo de diretora de Digital e Informação da AGCO em 2026, ela comandou a área global de peças de pós-venda da empresa, o que lhe deu experiência direta como cliente interna da organização de tecnologia que agora lidera.

Essa experiência mudou sua visão sobre o papel da tecnologia. “Eu mesma fui cliente interna dessa tecnologia”, explica. “Tecnologia não diz respeito apenas aos impactos operacionais. Trata-se de ter a peça certa, no lugar certo, para os clientes, todas as vezes.”

Atualmente, seu departamento é responsável pela estratégia global de tecnologia da AGCO, iniciativas de IA, plataformas digitais, segurança cibernética, sistemas corporativos e recursos de dados. Em vez de considerar essas responsabilidades funções de apoio, Jena as vê como impulsionadoras do crescimento dos negócios. De plataformas de comércio eletrônico que permitem aos concessionários encomendar peças 24 horas por dia a experiências digitais para clientes que mantêm os equipamentos em operação durante períodos críticos de plantio e colheita, a tecnologia tornou-se um diferencial competitivo. “Realmente vemos a tecnologia como um instrumento para o crescimento estratégico da AGCO”, ressaltou. “Não se trata apenas da tecnologia em si. É uma vantagem competitiva.”

Em 2025, a AGCO destinou US$ 487,7 milhões (R$ 2,50 bilhões) a despesas de engenharia em 2025, montante que inclui US$ 374,5 milhões (R$ 1,92 bilhão) especificamente em pesquisa e desenvolvimento. Segundo a companhia, 47% dos investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento foram direcionados a máquinas inteligentes e tecnologias limpas, áreas que abrangem soluções baseadas em inteligência artificial. A AGCO, porém, não informa quanto desse orçamento foi destinado especificamente à IA.

Agricultura de precisão entra na era da IA

Grande parte dessa vantagem vem da agricultura de precisão, área na qual a AGCO investe há décadas. A joint venture da empresa com a Trimble, criada em 2024, combinou os recursos da AGCO em agricultura de precisão com o portfólio tecnológico da Trimble, formando uma das ofertas mais abrangentes do setor, que inclui sistemas de orientação, tecnologias de direção, pulverização direcionada e soluções para agricultura autônoma.

Ao contrário de fabricantes que trabalham exclusivamente com seus próprios equipamentos, a AGCO adotou o que Jena descreve como uma abordagem “retrofit-first”, que prioriza a adaptação de equipamentos já existentes, reconhecendo que a maioria das propriedades rurais opera máquinas de diversos fabricantes. “A maioria das propriedades rurais que você visita tem uma frota bastante diversificada e com várias marcas”, afirma.

Segundo a executiva, os agricultores têm respondido com entusiasmo porque a tecnologia atende diretamente a alguns de seus maiores desafios operacionais. Sistemas de orientação ajudam a compensar a escassez de mão de obra ao tornar os equipamentos mais fáceis de operar. Sistemas de pulverização equipados com IA identificam plantas daninhas individualmente, reduzindo o uso de herbicidas e, ao mesmo tempo, melhorando a sustentabilidade e diminuindo os custos operacionais. “Os agricultores estão ávidos por qualquer coisa que lhes permita reduzir os custos dos insumos e aumentar a produtividade”, diz Jena.

Transformando dados em decisões

Embora os equipamentos conectados gerem enormes volumes de informações, a executiva acredita que o desafio não está em coletar mais dados. Está em ajudar os agricultores a agir com base neles. “O risco na agricultura não é a escassez de dados”, afirmou. “Na verdade, é a paralisia provocada por eles.”

As propriedades rurais modernas geram continuamente informações provenientes de sensores das máquinas, monitores de produtividade, sistemas meteorológicos e consultores agronômicos. Em vez de pedir aos agricultores que conciliem informações de vários painéis, a AGCO trabalha para simplificar a tomada de decisões por meio de sua plataforma PTx Farm Management, que reúne dados de frotas mistas em uma única visão operacional. “Nosso trabalho coletivo na AGCO é reduzir esse volume e gerar informações úteis”, disse ela. “Informação no momento certo, na etapa certa do ciclo da cultura, para ajudá-los a tomar a decisão correta.”

A mesma filosofia se estende à rede de concessionários da AGCO. Agentes baseados em IA agora ajudam os concessionários a identificar as peças de reposição corretas, responder mais rapidamente às perguntas dos clientes e avisá-los de forma proativa quando contratos de manutenção ou assinaturas de telemetria estão próximos do vencimento. Esses recursos reduzem o tempo de inatividade dos equipamentos e, ao mesmo tempo, fortalecem o relacionamento entre agricultores, concessionários e a AGCO.

Preparando a força de trabalho para a IA

Internamente, Jena acredita que a adoção da IA depende tanto das pessoas quanto da tecnologia. Ao longo do último ano, a AGCO ampliou os programas de capacitação em IA em toda a organização, incentivando os funcionários não apenas a aprender sobre tecnologias emergentes, mas também a incorporá-las ao trabalho cotidiano. “Não se trata apenas de aprender”, afirmou. “Trata-se de colocar em prática.”

Ela própria segue esse conselho. Jena criou agentes de IA que acompanham os avanços tecnológicos, resumem notícias do setor, preparam materiais para reuniões e analisam contratos e escopos de trabalho. O objetivo é gastar menos tempo reunindo informações e mais tempo tomando decisões. Ela também incentiva o aprendizado contínuo por meio de perspectivas externas, citando o podcast a16z e o Substack de Nate B. Jones como recursos valiosos para compreender tanto os avanços técnicos quanto as implicações mais amplas da IA para os negócios.

Mantendo os agricultores em primeiro lugar

Mesmo com a rápida evolução da IA, Jena acredita que as prioridades da AGCO permanecem notavelmente consistentes. A filosofia “Farmer First”, ou “Agricultor em Primeiro Lugar”, da empresa orienta o desenvolvimento de produtos, as pesquisas com clientes e os investimentos em tecnologia. Painéis com clientes, demonstrações em campo e o contato contínuo com os concessionários ajudam a garantir que as novas tecnologias solucionem problemas práticos, em vez de simplesmente servirem para demonstrar capacidades tecnológicas.

Olhando para o futuro, ela considera que a IA terá um papel cada vez mais central para ajudar os agricultores a lidar com um setor submetido a uma pressão crescente para produzir mais alimentos com menos recursos. À medida que os mercados agrícolas se recuperarem da atual fase de retração, ela espera que as tecnologias digitais se tornem uma fonte ainda mais importante de diferenciação.

“Estou realmente entusiasmada com o potencial de aproveitar essa tecnologia”, afirma. “Usar a IA para realmente expandir os negócios. À medida que sairmos desta fase do ciclo, como podemos de fato aplicar a IA aos problemas dos agricultores e resolver esses problemas para eles?” Para a AGCO, o futuro da agricultura não será simplesmente mais conectado. Será mais inteligente, mais eficiente e cada vez mais impulsionado por tecnologias que ajudam os agricultores a tomar decisões melhores nos momentos em que elas são mais importantes.

Publicada originalmente em Forbes EUA, com contribuição de Forbes Brasil

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