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Preços do Café Arábica Devem Recuar 8,8% até o Fim do Ano com Safra Brasileira

Mercado futuro prevê retração para a variedade mais suave, enquanto cotações do robusta devem avançar 4,6%

3 min

Os preços dos grãos de café arábica, a variedade mais suave preferida por marcas de luxo como Starbucks e Nespresso, devem cair 8,8% até o final de 2026 em relação aos valores atuais, apesar da ameaça do El Niño, segundo uma pesquisa da Reuters divulgada nesta segunda-feira.

A previsão mediana da pesquisa, realizada com 11 analistas e corretores, aponta que os contratos futuros de café arábica na bolsa ICE devem fechar o ano a US$3 por libra-peso, abaixo dos US$3,293 registrados no fechamento da sexta-feira.

Os participantes da pesquisa, no entanto, acreditam que os preços do café robusta — tipo amplamente utilizado na fabricação de café instantâneo e bebidas prontas para consumo — subirão 4,6% daqui até o final do ano, para US$3.900 por tonelada métrica.

As respostas às perguntas da pesquisa revelaram extrema imprevisibilidade no mercado, particularmente para o café arábica, com estimativas de faixas de preço variando de US$2,50 a US$3,90 por libra-peso, já que a anomalia climática do El Niño obscurece as perspectivas.

“A variação dos preços dependerá do El Niño nos próximos meses, especialmente durante a fase de floração da safra brasileira de 2027/28”, disse Laleska Moda, analista da corretora Hedgepoint Global Markets.

Se a florada ocorrer normalmente, disse ela, os preços poderiam oscilar entre US$2,30 e US$2,60. Caso contrário, ficariam mais altos do que os atuais.

Os participantes da pesquisa concordaram quanto a uma safra brasileira recorde no momento, com uma previsão mediana de 75 milhões de sacas.

A próxima grande questão levantada por eles, depois do El Niño, foi a disposição dos produtores em vender esses grãos.

“Há café em abundância, mas a questão principal é com que rapidez ele será colocado no mercado. Os produtores com boa capitalização têm pouca pressão para vender: os custos de produção estão amplamente cobertos, e o Brasil continua sendo um dos lugares mais baratos para armazenar café”, disse um analista de uma empresa multinacional de comercialização, que pediu para não ser identificado.

A maioria dos participantes da pesquisa afirmou que os estoques persistentemente baixos nos principais mercados de destino do café (EUA, Europa e Japão) deixam o mercado vulnerável a choques de oferta, sejam eles climáticos ou logísticos.

Em condições normais de clima e logística, no entanto, a pesquisa indica uma perspectiva positiva para os estoques.

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