A agropecuária cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e voltou a avançar bem acima da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,0% na mesma base de comparação, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, já descontados os efeitos sazonais, a diferença também foi expressiva. Enquanto o PIB brasileiro avançou 0,5%, a agropecuária cresceu 2,8%, o melhor resultado entre os três grandes setores da economia. A indústria teve alta de 0,1% e os serviços cresceram 0,2%.
O resultado mantém o campo entre os setores que sustentam a atividade econômica em um momento de desaceleração. O PIB havia avançado 1,1% nos três primeiros meses de 2026 e reduziu o ritmo para 0,5% entre abril e junho.
Segundo o IBGE, o crescimento da agropecuária no segundo trimestre contou com bom desempenho da pecuária e com o avanço de lavouras importantes no período.
O desempenho da pecuária encontra respaldo nos dados mais recentes da produção animal. Em prévia divulgada pelo IBGE em 19 de agosto, referente ao segundo trimestre de 2026, o abate de bovinos chegou a 10,72 milhões de animais, alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025. O peso das carcaças bovinas cresceu 3,0%, para 2,76 milhões de toneladas.
Nos suínos, o número de animais abatidos aumentou 3,2% em um ano e o peso das carcaças avançou 4,8%. No frango, embora o número de animais abatidos tenha recuado 1,2% frente ao primeiro trimestre de 2026, o total ficou 2,8% acima do registrado no segundo trimestre de 2025. O peso das carcaças cresceu 5,1% na mesma comparação. Os dados da pecuária ainda são preliminares. O IBGE programou para o próximo dia 15 de setembro a divulgação dos resultados completos das pesquisas de abate, leite, couro e ovos referentes ao segundo trimestre.
Nas lavouras, a soja foi um dos principais destaques. Segundo o IBGE, a produção cresceu 5,3% em 2026. O café avançou ainda mais, 15,1%. Os resultados compensaram parte das quedas estimadas para o arroz, de 11,3%, e para o algodão, de 6,7%. Para o milho, a estimativa apontou estabilidade, com variação de 0,0%.
Agro cresce, mas abaixo do ritmo de 2025
O resultado ocorre depois de um ano de forte expansão para a agropecuária brasileira. Em 2025, o setor cresceu 11,7%, maior avanço entre os grandes setores da economia. No mesmo ano, o PIB brasileiro aumentou 2,3%, enquanto a indústria cresceu 1,4% e os serviços, 1,8%.
A expansão do campo em 2025 esteve fortemente ligada à produção de grãos. A safra de milho cresceu 23,6% e a de soja, 14,6%, ambas com volumes recordes, segundo o IBGE. A pecuária também contribuiu positivamente.
A comparação entre os segundos trimestres mostra uma desaceleração, mas sobre uma base elevada. Entre abril e junho de 2025, a agropecuária havia crescido 10,1% frente ao mesmo período de 2024. Agora, nessa mesma comparação anual, o avanço é de 6,8%.
Mesmo com a perda de ritmo, o setor segue crescendo mais que o conjunto da economia. No segundo trimestre, enquanto a agropecuária avançou 6,8% frente ao mesmo período do ano passado, a indústria cresceu 1,5% e os serviços, também 1,5%.
O PIB brasileiro totalizou R$ 3,425 trilhões no segundo trimestre. No primeiro semestre, a economia acumula crescimento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Vale registrar que os dados do IBGE se referem ao PIB da agropecuária, que considera a produção agrícola e pecuária dentro das propriedades rurais. O indicador não corresponde ao chamado PIB do agronegócio, que inclui outros elos das cadeias, como insumos, agroindústria e serviços.