A Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil e principal exportadora brasileira de café, informou em um comunicado aos seus produtores associados na terça-feira que rejeitará grãos que apresentarem problemas de qualidade causados pelo excesso de umidade.
A cooperativa com sede no Sul de Minas Gerais conta com cerca de 20 mil cafeicultores associados, que entregam toda ou boa parte de sua produção anual à Cooxupé para que ela armazene e revenda.
A cooperativa informou que não aceitará entregas de café que apresentem micotoxinas — substâncias químicas produzidas naturalmente por certos fungos — ou café que tenha ficado exposto à umidade por muito tempo.
Em comentários adicionais à Reuters, a cooperativa afirmou que o café contaminado por micotoxinas é impróprio para consumo, de acordo com a legislação brasileira, e não deve entrar em seu sistema de processamento nem na cadeia alimentar.
A Cooxupé, que atua também no Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Média Mogiana paulista, afirmou que continuará a receber todos os tipos de café dos produtores, exceto os grãos com esse problema específico.
A medida tomada pela exportadora reforça as preocupações levantadas pelos participantes do mercado sobre possíveis problemas de qualidade na safra brasileira de 2026, devido à maior umidade em meio ao fenômeno climático do El Niño.
“Acho que eles estão tentando evitar receber café que caiu no chão por causa das chuvas e ficou lá por um tempo até ser recolhido”, disse um corretor de café local.
Ele explicou que o café que ficou em contato com o solo úmido por um período prolongado pode adquirir um gosto ruim e corre o risco de ser rejeitado por um importador.
Os cafeicultores brasileiros enfrentaram chuvas acima da média durante a colheita deste ano. Grande quantidade de café caiu das árvores e teve que ser varrida do chão. O café que havia sido coletado e colocado para secar nos pátios das fazendas também foi atingido pelas chuvas.
O corretor disse acreditar que a cooperativa quer evitar problemas com os clientes e também economizar espaço em seus armazéns para o café que atende aos padrões de exportação.