O Ministério da Agricultura e Pecuária recebeu um pacote de 163 medidas elaborado pela Embrapa para orientar a gestão de riscos climáticos na agropecuária durante o El Niño na safra 2026/2027. O plano, elaborado por um grupo de trabalho com a participação do Instituto Nacional de Meteorologia, reúne 14 ações transversais ao setor, 139 recomendações específicas por segmento produtivo e dez propostas de apoio a políticas públicas. Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o documento adota uma perspectiva ampla para prevenir e adaptar o campo a eventos climáticos recorrentes.
“Embora motivado pelo El Niño 2026/27, o documento adota uma perspectiva mais ampla de gestão de riscos agroclimáticos, reconhecendo que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, diz Silvia.
O levantamento detalha soluções para o manejo do solo, irrigação, expansão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático e ampliação do seguro rural. O coordenador do grupo de trabalho, Bruno Leite, aponta que o desafio atual consiste em acelerar a chegada dessas tecnologias ao produtor rural. O relatório final com as estratégias de mitigação do grupo de trabalho será apresentado na quinta-feira (3), acompanhado pelo lançamento de um plano de comunicação institucional do Ministério da Agricultura para divulgar as diretrizes ao setor.
Exportações do agronegócio faturam US$ 87 bilhões no semestre, aponta Cepea

O faturamento com as exportações do agronegócio brasileiro somou US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 6,2% ante o mesmo período de 2025. Segundo levantamento do Cepea com dados do MDIC, o resultado foi impulsionado pelo desempenho da safra recorde de grãos 2025/26 e pelos embarques para China, Índia, União Europeia e países do Golfo, superando entraves logísticos e oscilações nos preços do petróleo gerados pelas tensões geopolíticas globais.
A expansão ocorreu mesmo com a retração de 25% na receita vinda dos Estados Unidos, afetada pela política tarifária do país, além do recuo nas vendas para destinos como Emirados Árabes Unidos e Iraque. Com o progresso das colheitas de café e cana-de-açúcar no país, o setor monitora o impacto dos custos de frete e das disputas comerciais internacionais sobre os embarques no segundo semestre.
Safra de azeite do Brasil deve ser menor em 2027, com foco em tecnologia e fiscalização
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) apresentou, na segunda-feira (31), na 49ª Expointer, em Esteio (RS), o balanço da safra de 2026, que atingiu o recorde de 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem. O Rio Grande do Sul liderou a produção nacional com 81% do volume colhido e 69% dos 10,3 mil hectares cultivados no país, que soma 620 produtores e 77 lagares em oito estados.
Diante da previsão de chuvas na primavera gaúcha, a entidade projeta uma safra menor em 2027 e busca parcerias com universidades para reduzir as oscilações produtivas. O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirmou que a instituição intensificará pesquisas de manejo e ações de fiscalização contra fraudes em azeites importados junto ao Ministério da Agricultura, além de incentivar vendas cooperativadas para ampliar a escala e a competitividade do produto brasileiro.
Com o agro, FIDCs atingem R$ 1 tri e captação cresce 22,5% em 12 meses
O patrimônio líquido dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) atingiu aproximadamente R$ 1 trilhão no Brasil, registrando alta de 22,5% nos 12 meses encerrados em novembro de 2025. O número de investidores saltou de 147,3 mil para 333,7 mil no período, acumulando R$ 90,1 bilhões em ofertas. O movimento ganhou tração em abril de 2026, quando a classe liderou as captações da indústria com entrada líquida de R$ 4,5 bilhões, em meio a um cenário de Selic a 14,00% ao ano após recuo em agosto.
A expansão dos FIDCs impulsiona o crédito estruturado no agronegócio e na indústria do Centro-Oeste, oferecendo liquidez para empresas com ciclos longos de caixa. Segundo Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, que possui R$ 550 milhões sob gestão, a análise granular de recebíveis garante previsibilidade e segurança às operações. Para 2026, a gestora projeta operacionalizar R$ 3,1 bilhões em crédito e investir R$ 5 milhões em tecnologia para reforçar suas análises.
Mantiqueira investe R$ 565 milhões para ampliar produção até 2028

A Mantiqueira Brasil vai investir R$ 565 milhões em um plano de expansão para elevar em 50% sua capacidade anual de produção de ovos, passando de 4 bilhões para 6 bilhões de unidades até 2028. Os aportes contemplam a ampliação do plantel em mais de 7 milhões de aves com projetos em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Goiás. A estratégia busca ganhar escala, ampliar a presença em itens de maior valor agregado e modernizar ativos operacionais.
O plano inclui a construção de uma fábrica em São Sebastião do Rio Verde (MG), voltada para 3 milhões de aves, e a expansão da unidade de ovos livres de gaiola em Lorena (SP), que poderá atingir 3 milhões de galinhas até 2028. A empresa também destinará recursos para a integração de 120 pequenos produtores no Paraná e para a digitalização dos processos comerciais com inteligência artificial. Segundo o fundador Leandro Pinto, os investimentos preparam a companhia para atingir eficiência e consolidar sua atuação global.
Indonésia habilita 21 novos frigoríficos brasileiros de carne bovina
O governo da Indonésia autorizou 21 novas plantas brasileiras a exportar carne bovina para o país, elevando o total de estabelecimentos nacionais habilitados para 73, distribuídos entre 26 empresas. A aprovação ocorreu após auditoria realizada pela Direção-Geral de Pecuária e Saúde Animal (DGLAHS) indonésia entre junho e julho de 2026, com aprovação de 100% das unidades inspecionadas em dez estados. A lista inclui unidades de indústrias como JBS, Masterboi, Plena e Frigorífico Silva, todas associadas à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
A medida amplia a presença do Brasil no país asiático de 280 milhões de habitantes, que comprou 43,2 mil toneladas da proteína brasileira em 2025 e ocupou o 13º lugar entre os principais destinos do produto. O avanço dá sequência à abertura obtida no ano passado, quando a Indonésia liberou a entrada de carne com osso, miúdos e preparados. As tratativas foram conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) junto às autoridades locais, com apoio do setor privado, para fortalecer a diversificação dos embarques internacionais.
Alta atinge recorde histórico com 1,2 milhão de doses de sêmen vendidas em agosto

A Alta encerrou agosto com mais de 1,2 milhão de doses de sêmen comercializadas no Brasil, o maior volume mensal já registrado pela companhia em três décadas de atuação no país. O resultado supera marcas históricas da empresa, que em 2008 registrava duas milhões de doses em todo o ano, e reflete a maior adesão dos pecuaristas às ferramentas de melhoramento genético nas cadeias de corte e leite para elevar a produtividade nas propriedades rurais.
O desempenho apoia-se na estrutura da Central da empresa em Uberaba (MG), que mantém mais de 500 touros em coleta e atendimento técnico nas principais regiões pecuárias do país. Segundo o diretor da Alta Brasil, Tiago Carrara, o crescimento reflete o foco em entender as demandas de cada sistema produtivo e oferecer soluções genéticas para os desafios do campo, consolidando a estratégia de expansão da marca no mercado nacional em 2026.
Ouro, BDRs e agronegócio lideram valorização da renda variável na B3 em agosto
Os índices atrelados a ouro, BDRs e agronegócio registraram os maiores ganhos da renda variável na B3 em agosto de 2026. O destaque do período foi o Índice Futuro de Ouro (IFGOLD B3), com alta de 10,11%, seguido pelo Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX B3), que avançou 6,04%. No agronegócio, o Índice Futuro de Milho (IFMILHO B3) subiu 3,73% e o Índice Agro (IAGRO B3) avançou 3,47%, enquanto o Índice Imobiliário (IMOBILIARIO B3) teve ganho de 3,04%.
O ranking dos dez ativos mais valorizados no mês inclui também o Índice Industrial (2,12%), o Futuro de Boi (1,91%), o Ibovespa B3 BR+ (0,94%), o IGC – Novo Mercado (0,89%) e o Índice de Materiais Básicos (0,72%). Os indicadores funcionam como referência para a negociação e criação de novos ETFs no mercado nacional.
Assistência técnica contínua dobra produtividade de pequenos cacaueiros em dois anos

Pequenos produtores de cacau com áreas de 3 a 5 hectares dobraram a produtividade no campo, elevando o volume de 300 kg para 600 kg por hectare após dois anos de assistência técnica contínua. Os dados do Projeto CCA 2030, criado em 2019 e apoiado por uma coalizão de 30 parceiros, foram apresentados pelo diretor da P&A Consulting e responsável pelo Cocoa Action Brasil, Pedro Ronca, durante a 2ª edição da ExpoCacau 2026.
Com apoio do SENAR e do consórcio CIAPRA, a iniciativa visa resgatar a renda do produtor e fortalecer a cadeia produtiva. O projeto tem o financiamento de oito indústrias fundadoras, além de recursos aprovados da Inglaterra e uma proposta em submissão ao Fundo Amazônia. As entidades estabeleceram como próximo passo a expansão imediata do atendimento para 5.000 produtores, com a meta posterior de alcançar 10.000 agricultores assistidos.
Por incentivo a diversidade, Syngenta abre 30 vagas de Jovem Aprendiz
A multinacional agrícola Syngenta abriu cerca de 30 vagas de Jovem Aprendiz com foco em pessoas pretas e pardas de 16 a 22 anos, cursando ou com Ensino Médio ou Superior concluído. As inscrições seguem abertas até 20 de novembro de 2026 no site da companhia. Com jornada de seis horas diárias e remuneração de R$ 1.533,56, as oportunidades oferecem contrato terceirizado via ONG por 15 meses sob o regime CLT, acompanhado de benefícios como assistência médica, vale-transporte e alimentação.
As posições abrangem setores como Recursos Humanos, Produção e Pesquisa & Desenvolvimento em unidades de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná. Segundo a coordenadora de Atração de Talentos da empresa, Erica Yano, o programa visa conectar novos profissionais ao setor por meio de aprendizado prático. O processo seletivo ocorre de forma online pelo portal de carreiras da marca.
Comercialização do milho safrinha vira o foco com 60% da safra vendida

Com mais de 90% da área colhida e cerca de 60% da produção vendida até o fim de agosto, a safrinha de milho 2025/26 entra em uma nova fase, concentrada no ritmo de absorção da oferta. Segundo a Biond Agro, a entrada do grão superou a velocidade das vendas, enquanto as exportações somaram 16,7 milhões de toneladas no período — abaixo das quase 30 milhões de toneladas registradas nos dois anos anteriores —, elevando a dependência do mercado interno para equilibrar os estoques.
O cenário exige atenção do produtor para aproveitar janelas de valorização no mercado físico ou atuar em futuros e opções diante das assimetrias com os preços das bolsas. Para a safra 2026/27, que está com apenas 10% do volume comercializado, a Biond Agro recomenda focar no gerenciamento de riscos e na garantia de margem, acompanhando o calendário da soja para evitar perdas de produtividade.
Brasil busca investimento árabe em fertilizantes para ampliar produção nacional
O governo brasileiro quer atrair investimentos de países árabes para expandir a produção nacional de fertilizantes e diminuir a dependência externa do insumo. Durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, em São Paulo, o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Rafael Requião, afirmou que o incentivo à indústria local não reduzirá as compras do bloco. Quarto maior consumidor global do insumo, o Brasil produz apenas 20% da sua demanda e importou 45,5 milhões de toneladas em 2025, sendo 20% oriundos do mercado árabe.
Requião destacou que a necessidade brasileira por fertilizantes crescerá pelo menos até 2050, o que mantém o espaço aberto tanto para o aporte financeiro direto em fábricas locais quanto para a manutenção do fluxo de importações. A estratégia visa reforçar a segurança alimentar de ambos os lados, trocando os nutrientes importados por embarques de carnes, açúcar e milho. O avanço das conversas bilaterais deve nortear as próximas parcerias comerciais e de infraestrutura entre o agronegócio brasileiro e os fundos árabes.
Sudeste registra o menor preço médio do etanol no país em agosto
O preço médio do etanol no Sudeste recuou 3,16% em agosto e atingiu R$ 3,99 por litro, o menor valor entre as regiões do país, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). A gasolina caiu 0,61%, para R$ 6,56, enquanto o diesel comum recuou 1,77% (R$ 6,65) e o diesel S-10 teve baixa de 0,71% (R$ 6,99). Na contramão das reduções, o gás natural veicular (GNV) subiu 1,27% no mês, cotado em média a R$ 4,79.
São Paulo liderou as baixas nacionais do biocombustível após retração de 3,31%, comercializado a R$ 3,80, além de registrar as menores cotações regionais do diesel comum (R$ 6,56) e S-10 (R$ 6,92). O biocombustível manteve vantagem econômica no abastecimento em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, enquanto a gasolina permaneceu mais competitiva no Espírito Santo. Os motoristas e gestores de frotas acompanham a variação regional das cotações no início de setembro para direcionar as estratégias de abastecimento.