O agronegócio brasileiro ocupou 28,4 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, alta de 0,7% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representa o maior contingente já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os trabalhadores do setor corresponderam a 26% da população ocupada no país.
O crescimento foi impulsionado pelo segmento primário, com avanço de 2,7% na ocupação, e pelos agrosserviços, com alta de 1,1%. Em contrapartida, os insumos agropecuários registraram queda de 6,5%, enquanto a agroindústria recuou 2,4%. Entre as posições profissionais, aumentaram os trabalhadores por conta própria (2,4%), os empregadores (3,5%), os empregados com carteira assinada (0,5%) e os auxiliares familiares (1,2%). Já os empregados sem carteira apresentaram redução de 1,7%.
Os empregados com carteira assinada continuaram como o maior grupo, com aproximadamente 9,88 milhões de pessoas, equivalentes a 34,8% dos ocupados no agronegócio. A escolaridade da mão de obra manteve trajetória de elevação. Na divisão por gênero, a ocupação masculina cresceu 0,6%, enquanto a feminina avançou 0,7%, contribuindo para a expansão do mercado de trabalho do setor.
Exportações de tilápia crescem 32% em setembro e atingem US$ 3,68 milhões

As exportações brasileiras de tilápia avançaram cerca de 32% em setembro de 2026 na comparação com agosto, totalizando 852 toneladas embarcadas, segundo dados da Embrapa divulgados pela Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR). O volume gerou uma receita de US$ 3,68 milhões no mês, ante US$ 3,51 milhões registrados no período anterior. A despeito da expansão nas vendas externas, a entidade aponta alta pressão sobre a rentabilidade no mercado interno, provocada pela valorização do milho e do farelo de soja.
O encarecimento das rações reduziu o poder de compra do produtor pelo terceiro mês consecutivo, enquanto os preços do peixe pago na porteira oscilaram entre estabilidade e quedas de até 2,29%, como no Triângulo Mineiro. Simultaneamente, as importações brasileiras de tilápia do Vietnã subiram 11% em setembro, somando 1.324 toneladas. O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, afirma que a associação monitora as questões comerciais e regulatórias do produto importado para tentar ampliar a competitividade da produção nacional.
Relatório do USDA eleva oferta de milho e pressiona cotações em Chicago
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a estimativa da safra americana de milho 2026/27 para 407,3 milhões de toneladas, ante 401,3 milhões no levantamento anterior. O volume superou a projeção média do mercado de 399,7 milhões de toneladas e elevou os estoques finais dos EUA em 18%. Na soja, a produção norte-americana subiu 0,6%, alcançando 124,2 milhões de toneladas, com estoques em 8,6 milhões de toneladas.
A expansão da oferta global do cereal, cujos estoques passaram de 272,1 milhões para 280,4 milhões de toneladas, eliminou a sustentação das cotações internacionais. Conforme a analista da Biond Agro, Yedda Monteiro, o cenário exige que o produtor atue de forma escalonada na venda dos grãos, enquanto o mercado volta a atenção para a evolução da demanda chinesa por soja e o ritmo do plantio na América do Sul.
Mamão, melão e manga lideram ranking de exportação de frutas brasileiras
Mamão, melão e manga mantiveram as primeiras posições no ranking de Vantagem Comparativa Revelada (VCR) entre nove frutas analisadas pelo Cepea na edição de outubro da revista Hortifruti Brasil, divulgada nesta quinta-feira (15). O estudo aponta que, entre 2016 e 2024, sete das nove culturas avaliadas elevaram o indicador e ampliaram participação no valor total das vendas externas globais, com destaque para a receita do abacate, que saltou de US$ 6,8 milhões para US$ 36,2 milhões no período.
A análise do Cepea, elaborada com dados do Comex Stat e da Faostat, indica que limões, melancia, uva e abacate também ganharam espaço no comércio internacional. Em contrapartida, as cadeias de banana e maçã mantiveram foco no mercado doméstico devido à forte concorrência externa e a gargalos logísticos. O centro de pesquisas ressalta que a consolidação dos embarques brasileiros depende de regularidade na oferta, gestão de custos, eficiência logística e adequação às exigências dos compradores globais.
Azeite de Minas Gerais vence Prêmio Brasil Artesanal 2026 na categoria Blend

O azeite Mantikir Summit Premium, produzido pela Vinícola Essenza na Serra da Mantiqueira (MG), conquistou o Selo de Ouro na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado da premiação, que avaliou 85 amostras de diversas regiões do país, foi anunciado na noite de quinta-feira (15), em Brasília. Elaborado com azeitonas cultivadas a até 1.910 metros de altitude em Maria da Fé (MG), o rótulo superou os concorrentes em degustações às cegas conduzidas por júris técnico e popular. Além do título principal, a empresa obteve a quarta colocação na categoria Monovarietal com o Mantikir Coratina.
Para o proprietário da Vinícola Essenza, Herbert Sales, o reconhecimento em duas categorias valida os investimentos em infraestrutura e consolida a competitividade do produto nacional frente ao mercado de importados. A premiação integra o programa da CNA de valorização de alimentos artesanais e projeta os azeites da Mantiqueira para expansão no circuito gastronômico e no turismo de experiência regional.
Basf apoia documentário que retrata avanço e liderança feminina no agronegócio
A Basf Soluções para Agricultura anunciou o lançamento do documentário “Polinizadoras – Mulheres que fazem o agro voar”, viabilizado via Lei Rouanet, para marcar o Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado na quinta-feira (15). Clique aqui e veja o vídeo. A produção acompanha 12 mulheres brasileiras, entre produtoras e cientistas, e ganha relevância diante de estudo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), que indica que as mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de decisores do setor no País. O levantamento revela ainda que 77% das produtoras possuem ensino superior e 91% figuram como proprietárias totais ou parciais dos empreendimentos.
Com estreia agendada para 18 de novembro, em São Paulo, a obra dirigida por Patricia Travassos terá posterior distribuição em plataformas de streaming. De acordo com a gerente de Sustentabilidade da BASF Brasil, Camila Montebelli, o avanço feminino reflete diretamente na eficiência e na transformação sustentável da gestão agrícola no território nacional.
Arroz para exportação alcança R$ 90 por saca com retomada de compras no RS

A retomada das compras de arroz para exportação no Rio Grande do Sul elevou a cotação média da saca de 50 quilos para R$ 90. A movimentação no mercado gaúcho é impulsionada pela entrada recente de três tradings no segmento, reaquecendo as negociações após um período de estagnação causado pelas oscilações na cotação do dólar, segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, afirma que o retorno das tradings deve sustentar os preços no curto prazo. Por outro lado, o setor lida com gargalos operacionais no campo e entraves econômicos: chuvas e baixas temperaturas atrasam a semeadura e a emergência das lavouras em regiões como Litoral Norte, Zona Sul e Fronteira Oeste, enquanto a lentidão na liberação de crédito bancário restringe o financiamento da próxima safra.
Mercado global de pescado movimenta US$ 184 bilhões e abre oportunidades para o Brasil
O mercado mundial de produtos aquáticos movimentou US$ 184 bilhões com produção recorde de 235 milhões de toneladas, segundo o relatório SOFIA 2026, da FAO. Apresentados pelo head de portfólio da Seafood Show Latin America, Ricardo Torres, na quarta-feira (14), os dados mostram a aquicultura superando 100 milhões de toneladas globais e a piscicultura brasileira atingindo o marco de 1,011 milhão de toneladas em 2025, impulsionada pela tilápia.
O avanço produtivo e o consumo per capita nacional de 12,6 quilos ampliam a relevância do país, que busca recuperar embarques após a isenção de tarifas americanas para filés frescos. A A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) projeta exportações de US$ 600 milhões para o setor.
Acesso ao crédito eleva em até 29% a produção de leite e reduz emissões no campo
Produtores de leite de médio e pequeno porte que acessaram crédito de investimento registraram alta de até 29% na produção e aumento de 25% a 36% na receita bruta. Os dados integram o relatório “Bringing Impact to Light: The AgroForte Case”, conduzido pela Credit Saison Brazil e The Yield Lab Latam em parceria com a fintech AgroForte. O estudo apontou ainda uma redução de 17% a 21% nas emissões de gases de efeito estufa por litro produzido, além de um ganho de eficiência ambiental de 20% a 27% impulsionado por melhorias em manejo e infraestrutura.
Nas linhas de capital de giro, os produtores aumentaram a produção entre 18% e 28% em até nove meses, estabilizando o caixa em fases críticas. O levantamento mostrou também que 41% dos pecuaristas teriam reduzido seus rebanhos sem o financiamento. O CEO da AgroForte, Felipe D’Ávila, afirma que a produtividade e a sustentabilidade caminham juntas quando o financiamento respeita o ritmo real da atividade leiteira, reforçando que o crédito precisa se adaptar à realidade do campo para acelerar a inclusão financeira do setor.
Instituto de Pesca recebe parecer do MCTI para integrar rede de métodos alternativos ao uso de animais

O Laboratório Interinstitucional de Sanidade em Aquicultura (LISA), do Instituto de Pesca de São Paulo (IP-APTA), recebeu parecer favorável do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para aderir à Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais (RENAMA). A recomendação reconhece o mérito técnico-científico da proposta, voltada ao desenvolvimento e à validação de metodologias que reduzem, refinam e substituem a utilização de animais em testes de sanidade aquícola.
O parecer técnico do MCTI destaca a infraestrutura e as parcerias da equipe com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan para suprir a limitação de ferramentas alternativas na aquicultura. A pesquisadora do IP Danielle de Carla Dias afirma que a iniciativa busca avaliar a saúde e a resposta imunológica dos organismos com precisão, fortalecendo a inovação no setor. A entrada na rede viabiliza a padronização de protocolos, estudos colaborativos e a formação de recursos humanos especializados.
Exporta Mais Brasil prevê movimentar US$ 2,8 milhões no setor vitivinícola
A rodada de negócios do programa Exporta Mais Brasil voltada ao setor de vinhos, espumantes e sucos de uva deve movimentar US$ 2,8 milhões nos próximos 12 meses. A iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realizada durante a ProWine São Paulo 2026 entre 6 e 8 de outubro, reuniu 24 empresas nacionais e compradores de sete países. Do total previsto, US$ 900 mil referem-se a acordos imediatos e US$ 1,9 milhão a contratos projetados para os meses subsequentes.
A ação promoveu 140 reuniões entre produtores brasileiros e representantes comerciais da China, Reino Unido, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai. As exportações brasileiras de vinhos e espumantes somaram US$ 6,79 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23,73% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço das negociações visa consolidação de novos canais de distribuição internacionais até 2027.
Área de canola mais que dobra no RS e impulsiona matéria-prima para biodiesel

A área cultivada com canola no Rio Grande do Sul atingiu 353.397 hectares na safra 2026, crescimento de 102,64% ante os 174.394 hectares de 2025, segundo dados da Emater/RS. A expansão da oleaginosa no Estado reforça a oferta de insumo para a indústria de biodiesel e óleos comestíveis, além de posicionar o cultivo de inverno como alternativa de renda para os produtores gaúchos. O avanço da cultura foi destacado nesta terça-feira (13) durante a Abertura Nacional da Colheita da Canola e Carinata de 2026, realizada em Ijuí (RS).
Para o presidente da APROBIO e da ACEBRA, Jerônimo Goergen, o fortalecimento da oferta depende da integração direta entre agricultores, cerealistas e usinas de biocombustíveis. A consolidação da cadeia exige previsibilidade comercial para transformar a produção do farelo, destinado à alimentação animal, e do óleo em valor agregado para o mercado interno.
Banco Mercedes-Benz nomeia Vukašin Jovanović como novo diretor de Crédito

O Banco Mercedes-Benz do Brasil (BMB), instituição financeira líder no financiamento de veículos da marca, anunciou a contratação de Vukašin Jovanović para o cargo de diretor de Crédito. O Banco Mercedes-Benz atua no agronegócio brasileiro facilitando o acesso ao crédito para a compra de caminhões e veículos comerciais voltados ao escoamento de safras, grãos, madeira, cana-de-açúcar e operações rurais.O executivo, que se reporta diretamente à Presidência, chega para liderar a estratégia de concessão de crédito, fortalecimento da governança e gestão de ativos. O movimento ocorre no momento em que a instituição celebra 30 anos de atuação no mercado brasileiro.
Sérvio e mestre em Negócios Internacionais e Economia, Jovanović acumula passagens pela Daimler Truck Financial Services na Alemanha e na China em funções globais de auditoria, riscos e controladoria, além de ter liderado o Corporate Office da companhia. Esta é a primeira experiência do profissional no mercado brasileiro. A prioridade imediata do novo diretor envolve alinhar a gestão de riscos e a inteligência de dados à demanda da rede de concessionários para garantir o crescimento sustentável da carteira.
Agroallianz eleva produtividade de café em 25,8% em Minas Gerais com projeto inédito
A Agroallianz desenvolveu o Projeto AAcRes para direcionar o manejo do cafezal com base na análise do tecido vegetal das plantas, integrando dados de laboratório e de campo. Na safra de 2026, a metodologia aplicada na Fazenda BellaMinas, em Guapé (MG), registrou produtividade de 105,46 sacas por hectare no tratamento testado, ante 83,82 sacas por hectare na área testemunha, um incremento de 25,8% (ou 21,64 sacas adicionais).
As lavouras sob a nova estratégia apresentaram empenho biométrico superior no momento da colheita, com média de 9,43 nós e taxa de enfolhamento de 80,19%, frente a 8,86 nós e 72,59% no grupo controle. O gerente técnico de marketing da Agroallianz, Renato Menezes, e o gerente da propriedade, Diego Santos, destacam que a resposta fisiológica permite mitigar estresses térmicos e hídricos. A empresa projeta agora a expansão do modelo analítico para outras regiões e sistemas agrícolas.