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Exportadores de Carne Bovina do Brasil Reagem À Suspensão Imposta pela União Europeia

ABIEC informa que garantias oficiais já foram apresentadas e diz que protocolo privado sobre antimicrobianos está em execução entre frigoríficos habilitados ao bloco

4 min

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) informou nesta quarta-feira (2), que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) já apresentou às autoridades europeias as garantias oficiais relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. A manifestação ocorre na véspera da interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia (UE), marcada para esta quinta-feira (3), após a Comissão Europeia informar que não havia recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das regras. Em 2025, as vendas brasileiras da proteína ao bloco foram de US$ 1,05 bilhão, o equivalente a 5,86% das receitas obtidas pelo país com as exportações do produto. O Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina ao bloco.

“Neste momento, os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas”, afirmou a ABIEC. A entidade participa das tratativas por meio do suporte técnico prestado ao MAPA, enquanto a negociação com as autoridades europeias permanece sob condução do governo brasileiro.

Na iniciativa privada, a ABIEC, a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criaram um protocolo para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia bovina. Segundo a associação, o mecanismo passou a integrar as garantias oficiais apresentadas pelo Brasil e já está sendo aplicado no setor. Todas as empresas associadas à ABIEC habilitadas a exportar para o mercado europeu aderiram ao procedimento.

Na produção animal, as exigências da UE restringem o uso de determinados antimicrobianos empregados também no tratamento de seres humanos. Antimicrobianos são substâncias usadas para combater microrganismos, como bactérias, fungos, vírus e parasitas. Na produção animal, o termo inclui medicamentos empregados para prevenir, controlar ou tratar infecções. O ponto mais sensível são os antibióticos.

Para a carne bovina, a Comissão Europeia informou que as garantias precisam alcançar todo o ciclo de vida dos animais. O bloco anunciou em maio a retirada do Brasil da relação de países considerados em conformidade para determinados produtos de origem animal e fixou 3 de setembro como data para o início da suspensão das importações.

Na avaliação da ABIEC, a medida corresponde a uma exigência regulatória específica do mercado europeu e não modifica os parâmetros de qualidade, segurança ou condição sanitária da carne brasileira. O país vende o produto para mais de 170 mercados, segundo a entidade, mas a destinação da mercadoria não pode ser reorganizada de forma automática quando um comprador deixa temporariamente de receber os embarques.

A carne para a Europa

“Não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos”, informou a ABIEC. A UE ocupa uma posição particular nas exportações brasileiras pelo perfil dos cortes adquiridos e pelo valor das operações. Em geral, a UE compra cortes específicos, como alcatra, filé mignon e contra-filé, cortes de alto valor agregado. A China, por exemplo, compra a carcaça inteira e processa os cortes no país.

A entidade afirma que a carne brasileira continuará sendo comercializada nos mercados para os quais o país estiver habilitado, enquanto prosseguem as negociações para recuperar o acesso europeu. A prioridade declarada é restabelecer os embarques sem perder a diversificação de destinos mantida pela cadeia exportadora.

Na terça-feira (1º), um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o bloco ainda não havia recebido garantias consideradas suficientes para o cumprimento das regras sobre antimicrobianos. Para os bovinos, a cobrança envolve registros que cubram as diferentes fases da vida dos animais. A Comissão não estabeleceu uma data para a retomada das importações brasileiras.

A suspensão anunciada pela UE também alcança outros produtos brasileiros de origem animal. No caso da carne de frango, o mercado europeu comprou US$ 763 milhões do Brasil em 2025, cerca de 8% do valor exportado pelo setor. Uma auditoria sobre a produção brasileira de aves e mel estava prevista para terminar no fim desta semana, mas a Comissão Europeia informou que os resultados não estariam disponíveis imediatamente. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que acompanhava a missão junto ao governo brasileiro e que a inspeção transcorria bem até então.

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