O Censo da Suinocultura MS 2026 traça um retrato inédito da atividade em Mato Grosso do Sul e aponta espaço para crescimento. Realizado pela ASUMAS, o levantamento ouviu 130 produtores, cerca de 40% dos suinocultores do Estado, por meio de 70 perguntas. Entre os entrevistados, 75% manifestaram interesse em ampliar a produção, com potencial superior a 500 mil animais. Desse volume, 346.258 estão em unidades de terminação e 124.550 em propriedades de ciclo completo.
A expansão, no entanto, depende da superação de gargalos. A disponibilidade de integradora foi apontada por 57,28% dos produtores, seguida por mão de obra, com 16,50%, e crédito rural, com 12,62%. O levantamento também identificou investimentos projetados de R$ 286,5 milhões. Na área tecnológica, 51,75% das propriedades apresentam nível alto, 42,11% nível médio e 6,14% nível baixo. O tratamento de dejetos está presente em 100% das propriedades, enquanto 97,37% contam com alimentação automatizada e 96,49% utilizam fertirrigação.
“A suinocultura de Mato Grosso do Sul não tem como objetivo estabelecer uma posição específica no ranking nacional ou superar determinado Estado produtor. Nosso foco é outro: crescer de forma orgânica, racional e sustentável”, diz Renato Spera, presidente da Asumas. “Temos espaço para aumentar a produção e gerar mais valor para o Estado, mas esse crescimento precisa acontecer de maneira equilibrada, preservando o mercado, o meio ambiente, a sanidade e a viabilidade econômica do produtor.”
O perfil dos produtores também chama atenção: 34,21% estão entre 51 e 60 anos e 24,56% têm mais de 60 anos. Na sucessão familiar, 66,67% afirmam possuir planejamento, 15,32% estão parcialmente planejados e 18,02% não contam com um plano. Os dados apontam uma cadeia com disposição para investir, modernizar estruturas e ampliar a produção, mas que depende de infraestrutura, mão de obra, crédito e integração para transformar esse potencial em crescimento.
Grunner investe R$ 19,5 milhões em nova plataforma e motores a etanol e biometano

A fabricante de máquinas agrícolas Grunner investiu R$ 19,5 milhões para lançar motores movidos a etanol e biometano e adotar uma nova plataforma estrutural para seus equipamentos. Apresentada no Grunner Day 2026, em Lençóis Paulista (SP), a novidade destina R$ 15,5 milhões às novas matrizes energéticas, projetadas em parceria com a MWM para atender as linhas ATR, ASP e ADS. Os R$ 4 milhões restantes financiaram a nova base exclusiva desenvolvida com a Mercedes-Benz.
“Etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética. Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”, diz o gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, André Torquetti.
O movimento visa reduzir a dependência das usinas ao diesel, permitindo o uso de combustíveis gerados nas próprias unidades operacionais. A empresa prevê ainda a opção de retrofit a etanol para frota em uso. A nova plataforma passa a integrar imediatamente a linha comercial da companhia para ampliar a disponibilidade operacional e mitigar custos de manutenção no campo.
GCI Impulsiona movimenta R$ 100 milhões no agro e projeta R$ 500 milhões na Safra 2026/27
O GCI Impulsiona, solução financeira do Grupo Ceres Investimentos voltada ao segmento Large Corporate, atingiu a marca de R$ 100 milhões desembolsados em seu primeiro mês de operação. A estrutura baseia-se na cessão de recebíveis sem regresso, modelo no qual a indústria ou distribuidora transfere o risco de crédito para o grupo e obtém liquidez imediata. Para a Safra 2026/27, a carteira projeta apoiar o financiamento de mais de R$ 500 milhões em vendas, reunindo mais de 10 grandes parceiros estratégicos do setor.
A metodologia de análise da operação utiliza inteligência de dados sobre o histórico comercial e de pagamentos dos clientes finais para complementar os indicadores financeiros tradicionais. Segundo o CEO da Ceres Agrofinance, Oziel Ferreira, a adesão das indústrias confirma a busca por alternativas que assumam o risco do crédito para destravar balanços e manter as vendas a prazo. O próximo passo da companhia prevê a expansão da atuação junto a grandes indústrias e distribuidores do agronegócio.
Produtores de tabaco movimentam R$ 23,2 bilhões na safra 2025/2026

Os 136 mil produtores de tabaco da Região Sul movimentaram R$ 23,2 bilhões na safra 2025/2026, com 44,6% do montante vindo de outras culturas e da criação animal, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). O tabaco gerou R$ 12,8 bilhões, ocupando 20,3% da área das propriedades. As culturas alternativas somaram R$ 5,56 bilhões, lideradas por pastagens, soja e milho, enquanto a pecuária gerou R$ 4,78 bilhões.
O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, afirma que a alta rentabilidade da cultura central viabiliza a gestão econômica de pequenas propriedades, que têm média de 14,71 hectares. O setor avança nas ações do programa de diversificação para otimizar o uso do solo após as colheitas na Região Sul.
Fortgreen firma parceria com eureciclo e neutraliza 100% do impacto de embalagens
A Fortgreen, fabricante de soluções para nutrição e fisiologia vegetal, firmou parceria com a plataforma eureciclo para compensar 100% do impacto das embalagens que coloca no mercado brasileiro. A operação envolve a reciclagem de mais de 1,6 mil toneladas de resíduos referentes aos anos-base de 2024 e 2025, abrangendo centrais de triagem em 23 estados. A iniciativa evitou a emissão de 3,25 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera e destinou R$ 46 mil a 32 organizações de catadores de materiais recicláveis.
A estruturação via logística reversa por massa equivalente adequa a companhia à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e aos decretos estaduais. O uso do selo na linha comercial busca mitigar passivos ambientais e atender exigências socioambientais de canais de exportação e mercados globais. O investimento soma-se à matriz de energia limpa já adotada na fábrica da empresa.
RTRS bate recorde com 10,3 milhões de toneladas de soja certificada em 2025

A Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) atingiu o recorde de 10,3 milhões de toneladas de soja certificada em 2025, volume 42% superior ao de 2024. No mesmo período, o consumo do grão certificado somou 8,1 milhões de toneladas, alta de 9,5%. Ao completar 20 anos em 2026, a associação sem fins lucrativos acelera a revisão de seus padrões para adequar a cadeia global às novas exigências regulatórias e de mercado.
Liderada pela diretora-executiva Marina Muscolo, a organização atua para ampliar o acesso de pequenos produtores, que já somam mais de 90% dos 84 mil certificados globalmente. Para a próxima etapa, a RTRS foca na atualização do sistema de cadeia de custódia e no desenvolvimento de um padrão específico para produtores de menor porte, mantendo o avanço da rastreabilidade sustentável.
Abisolo e 36 entidades enviam proposta à Casa Civil para regulamentar Lei dos Bioinsumos
A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo) e outras 36 entidades do agronegócio entregaram à Casa Civil uma proposta consolidada com justificativas técnicas para embasamento do decreto regulamentador da Lei nº 15.070/2024. A iniciativa visa resgatar os consensos construídos desde abril de 2025 no Grupo de Trabalho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), assegurando que o texto final contemple as demandas operacionais do mercado de insumos biológicos no país.
O movimento ganhou tração após reunião presencial em Brasília, viabilizada com apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Roberto Levrero, presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, destaca que o documento fundamenta a busca por segurança jurídica para empresas e produtores, além de favorecer o crescimento do setor. As entidades acompanham a análise da equipe técnica ministerial para a publicação do decreto definitivo.
Il Barista lança safra de café especial e destinará 20% das vendas ao Instituto Protea

A empresária Gelma Franco, fundadora da rede Il Barista, lança em 13 de outubro a safra 2026/27 do café especial La Vie en Rose, vinculada à 12ª edição do projeto social Beba Essa Causa. Os grãos da variedade Mundo Novo foram produzidos pela cafeicultora Marisa Contreras na Fazenda Capoeira, em Areado (MG), e torrados por Franco. Nesta edição, 20% do valor arrecadado com as vendas da embalagem de 250 gramas irá para o Instituto Protea, focado no custeio de tratamento de câncer de mama para mulheres vulneráveis.
O projeto já beneficiou entidades como o A.C.Camargo Cancer Center e o Hospital de Amor de Barretos ao longo de 12 anos. As vendas do novo lote ocorrerão nas lojas físicas da Il Barista e no canal e-commerce da marca.
Produção de tilápia cresce 148% em dez anos e setor foca em eficiência e bem-estar animal
A produção brasileira de tilápia cresceu 148,2% em dez anos, atingindo 707,5 mil toneladas em 2025 e consolidando a espécie com 70% da piscicultura nacional, segundo dados da terceira edição do relatório Observatório do Peixe, da ONG Alianima. O levantamento aponta que o segmento respondeu por 92% do volume exportado pela atividade em 2025 e indica que o avanço da cadeia exige agora a união entre ganho de eficiência, diferenciação e a adoção de práticas de bem-estar animal para sustentar a expansão.
Diante do cenário de mudanças tarifárias nos Estados Unidos e maior concorrência, a publicação correlaciona avanços de manejo ao aumento na qualidade do produto final. Para a diretora de Desenvolvimento e Inovação do Ministério da Pesca e Aquicultura, Luciene Mignani, a sustentação da trajetória dependerá de políticas públicas direcionadas à transformação digital e ao acesso a novos mercados. As empresas do setor direcionam esforços para alinhar a gestão produtiva aos novos indicadores. Clique aqui para acessar a 3ª edição do Observatório do Peixe.
Cobb-Vantress nomeia Vinicius Faria como novo Gerente de Vendas no Brasil

A Cobb-Vantress anunciou a contratação do médico veterinário Vinicius Borges de Faria para o cargo de Gerente de Vendas Brasil. Com nove anos de atuação no mercado avícola, o executivo integrará a equipe comercial da companhia com a missão de maximizar os resultados do negócio no país e fortalecer o relacionamento com a base de clientes, respondendo diretamente ao Diretor Nacional de Vendas, Gustavo Triques.
Mestre em Patologia pela USP, Faria acumula experiência em Pesquisa & Desenvolvimento, consultoria técnico-comercial nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e na coordenação nacional de contas-chave no setor de matrizes e frangos de corte. Segundo a fabricante de genética avícola, a chegada do profissional busca identificar novas oportunidades comerciais e sustentar as parcerias estratégicas no mercado brasileiro.
Projeto no RS gera 36 mil kg de mel de soja e expande integração no agro
O Projeto Coexistência entre Agricultura e Apicultura, liderado pela BASF em parceria com a Fundação Eco+, Unipampa e APACHA, resultou na produção de 36 mil quilos de mel da florada da soja no Pampa Gaúcho na safra 2025/26. O volume extraído por 23 apicultores em São Gabriel (RS) representa uma alta de 44% em relação ao ciclo anterior. Em resposta ao Dia Nacional das Abelhas, celebrado em 3 de outubro, as entidades realizaram o plantio de 5 mil mudas de 27 espécies nativas em 2,5 hectares para garantir a oferta de recursos florais durante a entressafra.
A iniciativa será mantida na safra 2026/27 para integrar mais produtores sob as diretrizes de manejo conjunto desenvolvidas com a Embrapa e o Senar. Segundo o gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, Maurício do Carmo Fernandes, o modelo comprova que a produtividade agrícola e a conservação ambiental avançam de forma integrada. O programa busca ampliar a conectividade de fragmentos vegetais no bioma e consolida um formato replicável para outras regiões produtoras do país.
Primeiro polo de ciência e tecnologia de asininos é inaugurado no Nordeste

O projeto “Jegue Land” foi inaugurado no sertão baiano como o primeiro polo de ciência e tecnologia voltado para asininos do ecótipo Nordestino no Brasil. A iniciativa foi estruturada em parceria com a UFV, UFAPE e UFRPE para desenvolver pesquisas em conservação genética, reprodução, bem-estar animal e nutrição adaptada à Caatinga. O objetivo central é estruturar a cadeia produtiva regional por meio do aproveitamento de derivados como leite, cosméticos, alimentos e carne.
Com foco em gerar indicadores zootécnicos e econômicos, o complexo operará como um laboratório a céu aberto para viabilizar tecnologias de reprodução assistida, incluindo inseminação artificial e criopreservação de embriões. O zootecnista Alex Bastos afirma que a estrutura demonstra a viabilidade do desenvolvimento econômico aliado à preservação na região. A etapa seguinte do projeto prevê a transferência dessas tecnologias aos produtores locais via ações de extensão universitária.