A Suzano deve conseguir resultados melhores no quarto trimestre ante o terceiro, impulsionada por cenário de preços favorável para a celulose, sazonalidade e câmbio e deve seguir com a estratégia de limitação de sua produção nos próximos meses, afirmaram executivos da companhia nesta sexta-feira (6).
“Estamos esperando geração de caixa muito forte para o quarto trimestre, vemos cenário construtivo para preço de celulose e o câmbio está mais alto”, afirmou o vice-presidente financeiro da maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, Marcos Assumpção, em entrevista a jornalistas.
Apesar disso, a empresa deve manter nos próximos trimestres a política de não produzir tudo o que sua capacidade permite, diante de uma avaliação de que o chamado custo de produção marginal ainda não permite isso.
A empresa anunciou no início do ano que manteria a política de deixar sua produção de celulose de mercado cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal da empresa, de aproximadamente 13,5 milhões de toneladas por ano.
“Com as condições de mercado que estamos vendo hoje…não vemos motivo para mudarmos essa estratégia. O foco é termos retorno em cada tonelada marginal produzida”, disse Assumpção.
A ação da Suzano subia 0,36% às 13h40, cotada a R$52,45, enquanto o Ibovespa tinha alta de 1,5%.
Os analistas Gabriel Barra e Pedro de Mello, do Citi, mantiveram recomendação de compra para a ação da Suzano, mencionando que a empresa se destaca como “nome defensivo” após o resultado das eleições no Brasil.
Mas os analistas reduziram o preço alvo de R$65 para R$52 citando que, apesar de estarem mais cautelosos sobre a trajetória dos preços de celulose no médio prazo, a exposição da Suzano ao câmbio torna a empresa “um dos nomes preferidos de nossa cobertura”.
O presidente-executivo da Suzano, João Alberto de Abreu, afirmou que, após a compra dos ativos de papel tissue da Kimberly-Clark e formação da joint-venture Arbex, a desalavancagem da Suzano deve começar “de forma estruturada”.
A companhia terminou setembro com alavancagem financeira de 3,7 vezes em dólares, acima das 3,3 vezes de um ano antes. A dívida líquida cresceu de US$12,9 bilhões para US$14,7 bilhões por conta do pagamento pelos ativos da Kimberly-Clark.
“A expectativa é fechar o ano com dívida líquida abaixo de US$14 bilhões”, disse Abreu, citando que o quarto trimestre será o “o melhor do ano” para a Suzano.
Abreu afirmou que a companhia está reforçando estrutura de combate a incêndios em sua unidade de Imperatriz (MA) diante da seca causada pelo El Niño e que no Mato Grosso do Sul o grande volume de chuva acima da média histórica tem gerado “maior desafio logístico”, embora isso deve melhorar a produtividade florestal no longo prazo. Esses custos, porém, não são materiais para os resultados, disse o presidente da Suzano.
O colega de Abreu na Klabin, Cristiano Teixeira, afirmou na semana passada que o El Niño deverá pressionar as operações da empresa até o final do primeiro trimestre. A Klabin tem ativos florestais concentrados no Paraná, que tem sido duramente castigado por temporais este ano.
Questionado sobre o resultado das eleições no Brasil, Abreu afirmou que o governo precisa tomar medidas para que o país possa voltar à tendência de corte da Selic, interrompida nesta semana quando o Banco Central decidiu manter a taxa de juros em 13,75% ao ano.
“O resultado da eleição traz mais volatilidade cambial, o que não é bom para o país… Tudo vai depender da política fiscal que esse governo venha adotar. Ações precisam ser tomadas.”
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