Dona de Si: 7 passos para começar a ter responsabilidade social no seu negócio

South_agency/Getty Images
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Responsabilidade social e ações pelo bem-estar do mundo em que vivemos é tarefa de cada uma de nós, independente do tamanho do negócio e de quantos milhões a gente movimente por ano

Caríssima Dona de Si, você já ouviu falar em responsabilidade social, mas acha que para o seu pequeno ou médio negócio não precisa se preocupar com essas práticas, né? Sinto informar que você está equivocada. A responsabilidade social, ações pelo bem-estar do mundo em que vivemos, é tarefa de cada uma de nós, independente de quantos milhões a gente movimente por ano. Para que você consiga pensar em responsabilidade social do seu negócio, há de se entender bem os sete passos abaixo:

O QUE É TERCEIRO SETOR? Para que você possa desenvolver a responsabilidade social do seu negócio, é importante que você conheça o terceiro setor, ou melhor: o empreendedorismo social, que segundo o SEBRAE, é caracterizado pela criação de produtos e serviços que têm o foco principal na resolução, ou minimização, de problemas em áreas como educação, desigualdades de gênero e raça, violência, saúde, alimentação, meio ambiente, etc. Com o objetivo de gerar transformação nas comunidades em que estão inseridas e, também, internamente, com programas de igualdade de gênero e raça nas principais lideranças; contratação de profissionais negros, indígenas ou com deficiência física e inseri-los no dia-a-dia do trabalho. É importante que a consciência social nasça de dentro para fora da sua empresa, sendo, assim, legítima e não uma ação de modinha.

O QUE É A MODINHA SOCIAL? Atenção, caríssima, tenha muito cuidado neste momento para transformar sua empresa num local plural. Sim, você precisa e tem que empregar profissionais negros, trans e PCDs, mas não faça isso de maneira aventureira e irresponsável, para somente ser uma ação de marketing inócua. Lá na frente, aliás, logo ali na frente, todos saberão a verdade das suas intenções e aí, caríssima…sinto dizer, não sobrará nada do seu negócio; porque a hipocrisia está com pouco lastro nas redes sociais e, principalmente, nos movimentos sociais.

REALIZANDO A TRANSFORMAÇÃO: Vamos lá! Para você realizar uma transformação na sua empresa, mirando o equilíbrio de raça e gênero nas suas equipes, é necessário um primeiro aviso prático: não deixe que o RH da sua empresa faça isso sem uma consultoria séria de pluralidade e gênero. Existem profissionais de consultoria em RH, como: Patricia Santos, Carol Moreira, Maitê Lourenço, Deh Bastos, AD Junior, Luana Genot e Viviane Duarte, que tem seus negócios dedicados a esta prática de inserção. Se alie com uma dessas grandes profissionais, contrate-as, escute-as e aí transforme.

PROCESSO DE LONGO PRAZO: A transformação da sua empresa num negócio com responsabilidade social relevante levará algum tempo, é um movimento de cauda longa, que será desenvolvido fase a fase, trazendo para a sua vida a realidade de pessoas que você jamais pensou sobre. Sem problemas. Não pensávamos nisso, essa é a verdade. Mas agora é imperativo que você entenda seu lugar de privilégio; nem que para isso você acabe sofrendo bastante pela sua cegueira, até então. Pode ter certeza que as pessoas sem privilégios sofrem mais. Não. Não é competição de sofrimento. É a verdade, só isso.

A RESPONSABILIDADE É DO TAMANHO DO PRIVILÉGIO: veja bem, o compromisso de uma pessoa branca – privilegiada na pirâmide econômico-social – em realmente agir para promover a equidade de raça e gênero é imperativo. Nosso complexo de narciso, como branquitude “de valor” precisa ser repensado a cada dia e isso, saiba, é um processo libertador. O desmonte do nosso narciso é incômodo, tira nosso confortozinho de sofá de couro de cabra e nos atira na realidade do nosso próprio egoísmo. E, se você não for um psicopata, terá muito para sentir, pensar, agir e mudar. A vida fica muito mais interessante. Para todos.

FAZENDO PONTES: Você pode ser uma pessoa que curte fazer pontes, mas você as atravessa? Ao atravessar a “ponte”, acostume-se a escutar e não mais a falar suas grandes verdades e crenças. A inclusão verdadeira irá te trazer muitas realidades que você jamais imaginou, questões que vão tirar seu eixo e que você vai precisar ouvir. Calar. Agir.

VERDADE COM O CONSUMIDOR: Jamais se esqueça que seu consumidor não é ignorante, ele hoje pesquisa sobre as crenças e ações sociais do seu negócio e entende, rápido, se você é um blefe da responsabilidade social ou não. Alguns impérios já foram abalados ao se fingirem humanizados; não caia nessa vala! Tenha uma bandeira que lhe fale ao coração e comece a agir por ela. Uma vez que essas ações estiverem instaladas na empresa é hora de fazer pela comunidade externa.

Tudo o que você fizer com verdade, honestidade, justiça e vontade real de transformação dará certo e, pasme: o seu sucesso terá novos significados quando você enxergar a mudança de realidade que sua empresa estará fazendo. Você vai lucrar mais, mas a sua ação valerá o dobro para o ser humano. Conscientize-se e parta para a ação.

Sororidade sempre.
Suzana Pires

Primeira atriz também autora de novelas do Brasil, a empresária e empreendedora social Suzana Pires é formada em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), em showrunner na MediaXchange, em Los Angeles, e em empreendedorismo pelo Empretec Sebrae SP. Depois que começou a escrever a coluna Dona De Si, em 2017, surgiu a ideia de criar o Instituto Dona De Si, com o principal objetivo de acelerar talentos femininos. Atualmente, segue como atriz na Rede Globo de Televisão e como autora cria projetos para players nacionais e internacionais através da marca Dona De Si Conteúdos.

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