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A Virada Que o RH Brasileiro Ainda Não Fez com a IA

Enquanto big techs revisitam org design por completo por conta da IA, a maioria dos times de People ainda opera no nível abaixo do potencial

5 min

Em maio de 2026, 335 CHROs brasileiros responderam a uma pergunta simples da Comp: em qual nível de maturidade o time de People da sua empresa opera com IA? A maioria superestimou a resposta.

Quando viram os critérios reais de cada nível, 88% perceberam que ainda operam nos dois primeiros: IA como ganho individual ou coletivo, sem dados integrados e sem decisão proposta pela máquina. O problema não é a adoção, mas sim o seu diagnóstico.

A lacuna que se abriu em 2026 não separa empresas que usam IA das que não usam. Separa as que usam como ferramenta de produtividade individual das que operam com IA como camada de inteligência decisória. A distinção parece sutil, mas define quem vai construir vantagem competitiva na gestão de pessoas nos próximos anos.

Quando as principais empresas de tecnologia do mundo comprometeram centenas de bilhões em infraestrutura de IA ao longo de 2026, a decisão central não foi sobre ferramentas. Foi sobre redesenhar de quais problemas os humanos são responsáveis dentro de uma organização.

O que mudou não foi o tamanho das equipes: foi a função objetivo de cada papel. Empresas brasileiras que observam esse movimento de fora correm o risco de copiar a superfície sem entender a arquitetura por baixo.

“O padrão recorrente [de tentativas de transformação por AI] é alto investimento e baixo retorno sobre o negócio. Sem definição prática, AI-native refere-se simultaneamente a realidades muito distintas e a nenhuma em particular”, aponta Christophe Gerlach, CEO da Comp.

Cinco níveis, uma função objetivo diferente em cada um

Dentro da tese desenvolvida pela Comp sobre a maturidade da adoção da IA nas empresas, ela mostra a atuação da Inteligência Artificial em cinco níveis. Nos dois primeiros, a IA otimiza o trabalho individual e coletivo: execução mais rápida dos mesmos processos.

No terceiro nível, uma camada agêntica única conecta todos os sistemas e responde a qualquer pergunta contextual. No quarto, ela propõe decisões. No quinto (ainda não observado em escala), aprende de forma autônoma com cada resultado.

O ponto: cada nível tem uma função objetiva qualitativamente distinta da anterior, e não incremento marginal sobre as qualidades existentes. E isso muda radicalmente como a adoção deve ser desenhada desde o primeiro dia.

“Em vez de “como subo um nível”, a pergunta certa é: qual o nível-alvo desta área e quais blocos de construção desse nível devem começar a ser montados agora?”, argumenta Pedro Bobrow, CHRO da empresa.

O loop que separa execução de qualidade

A distinção que o paper introduz e que o mercado ainda não incorporou: ciclo aberto e ciclo fechado na adoção de IA são estruturalmente diferentes. No ciclo aberto, os agentes produzem saídas, as saídas vão para o negócio e nada retorna ao sistema.

O sistema processa mais, mas não aprende mais. No ciclo fechado, a aprovação, edição ou rejeição de cada decisão proposta pela IA retorna ao sistema e modifica o comportamento futuro. Ciclos abertos escalam execução. Ciclos fechados escalam qualidade.

“Uma distinção que muitas organizações erram: aprovação humana não é ciclo fechado automaticamente. Quando o sinal de aprovação não retorna ao sistema, o que se produz é governança, não aprendizado”, comenta Gerlach.

Agora parte do ecossistema da Endeavor Brasil, a Comp traz para o centro uma pergunta que o mercado ainda evita: qual é, de fato, o nível de maturidade que cada área deveria alcançar com IA e o que precisa começar a ser construído hoje para chegar lá? Essa não é uma discussão sobre ferramentas, mas uma de estratégia. E, como toda decisão estratégica, existe custo de inação.

Empresas que passarem os próximos anos operando nos níveis mais básicos, sem desenhar a transição para modelos decisórios, vão perceber tarde demais que estavam apenas acelerando o passado. Enquanto isso, outras estarão construindo algo completamente disruptivo.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.

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