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O Músico Pegou a IA Antes da Indústria Decidir o Que Fazer

Pesquisa mostra que 78% dos músicos profissionais já usam IA no processo criativo

5 min

Uma pesquisa da Moises, plataforma em IA voltado para auxiliar artistas no processo criativo de músicas em parceria com a consultoria Water & Music apontou que 78% dos músicos profissionais, quase 8 em cada 10, já utilizam inteligência artificial em seus fluxos de trabalho. O levantamento saiu em 2025, mas o setor deu sua própria confirmação em março deste ano: Charlie Puth, quatro vezes indicado ao Grammy, aceitou o cargo de Chief Music Officer da plataforma. Puth não está em guerra com a ferramenta: está moldando-a.

O setor perdeu anos debatendo a pergunta errada. Enquanto a indústria concentrava atenção nas plataformas de geração automática de conteúdo e nas disputas de direitos autorais que elas produziam, a revolução em curso era outra. A IA musical não chegou para criar no lugar do artista. Chegou para remover o que historicamente separava quem tem talento de quem tem acesso ao processo criativo: a engenharia de mixagem, o equipamento importado, a técnica de estúdio que levava anos.

O mercado que se abriu com isso, não é o do profissional no topo da pirâmide. É a base que a indústria nunca soube nomear: músico de igreja, produtor de quarto, professor, estudante. Pessoas para quem a música é central sem ser necessariamente fonte de renda.

O mercado que a indústria não sabia nomear

Mais de 75 milhões de usuários registrados em praticamente todos os países descrevem uma demanda que estava represada. O Brasil tornou-se um dos maiores mercados da plataforma ao lado de Estados Unidos, México e Índia, confirmando o que a tese pressupunha: o talento está distribuído muito mais amplamente do que o acesso às ferramentas do processo criativo.

A virada que consolidou essa leitura foi uma mudança de pergunta. “Quando parei de perguntar quem é o músico profissional e comecei a perguntar quem é a pessoa para quem a música é essencial, o negócio mudou de tamanho”, diz Geraldo Ramos, CEO e fundador da Moises.

O modelo de dois lados que opera hoje, plataforma de consumo e B2B para a indústria, é consequência direta desse reposicionamento.

Construído para quem o acesso nunca alcançou

O Brasil ensina sobre restrição de acesso, o que outros mercados não ensinam. Boa parte do talento nacional opera a música inteira pelo celular, com dispositivos de entrada. Atender esse público exige construir tecnologia de ponta que rode sob essas condições.

Foi essa exigência que levou a Moises a uma decisão contraintuitiva: desenvolver modelos proprietários de IA em vez de licenciar tecnologia de terceiros.

A plataforma opera hoje mais de 50 modelos de inteligência artificial desenvolvidos para alimentar tanto a plataforma B2C, o Moises, quanto a solução B2B, a Music.AI, voltada para a indústria da música. Embora a empresa tenha evoluído para uma suíte completa de tecnologias, que inclui desde modelos de voz, masterização e geração de instrumentais até recursos de colaboração e gestão de setlists, a separação de faixas continua sendo o coração e a porta de entrada da plataforma.

É o recurso que traduz a tese central da companhia: encurtar a distância entre o usuário e a música que ele quer tocar. A partir do simples isolamento de um vocal ou instrumento, o músico descobre um ecossistema inteiro para estudar, ensaiar e produzir.

A rede que aposta antes do consenso

A seleção de Geraldo Ramos pela Endeavor identifica o padrão que a rede reconhece no ecossistema empreendedor brasileiro: founders que enxergam vácuos antes que o consenso os nomeie. O Efeito Multiplicador opera aqui: conectar essa visão às redes, ao capital e aos pares que permitem que ela escale.

A parede entre quem toca e quem produz vai cedendo à medida que o processo criativo se torna acessível fora do estúdio e do orçamento que ele sempre exigiu. O movimento de Puth confirma que a disputa entre artista e máquina já tem resultado. “O artista vai continuar sendo o motor central da evolução da música na era da IA”, diz Geraldo. “A tecnologia que vai vencer é a que quase desaparece, que não interrompe o processo criativo e só ajuda o artista a transformar sua visão em música”, finaliza Ramos.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.

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