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34% das Scale-ups Brasileiras Colocam a IA no Centro dos Negócios, Aponta Endeavor

Levantamento com 125 startups e scale-ups mostra que 34% dessas empresas possuem a inteligência artificial no core do negócio, mas ainda assim, 51% não medem o seu impacto

8 min

Ainda há uma distância entre adotar a IA e escalar seu impacto para um estágio transformacional. Atualmente, as scale-ups já têm adotado a IA em alta velocidade no último ano, com um caminho para ampliar a adoção a níveis mais relevantes, com medição de impacto. 16% das scale ups do estudo nasceram com IA no core e 34% delas tornaram IA no core, reposicionando produto e operação no meio do caminho. Enquanto isso, 42% ainda não tornaram a IA em eixo central embora vejam ganho comprovado na sua adoção. É o que mostra o estudo inédito “Inteligência Artificial nas Scale-Ups Brasileiras”, idealizado pela Endeavor Brasil, organização global de apoio ao empreendedorismo de alto impacto do país, com apoio da Salesforce e da Onfly.

Para a organização, a inteligência artificial é uma oportunidade sem precedentes para o ecossistema brasileiro, mas depende do nível de adoção das empresas saltar de um estágio experimental e operacional para transformacional no negócio. Por isso, o levantamento ouviu 133 empreendedores de 125 empresas entre junho e julho de 2026 e somou 90 mentorias agregadas e dez conversas com empreendedores e mentores da rede que conduzem essa transição dentro de suas organizações.

A partir das respostas, a Endeavor calculou o Índice de Percepção de Adoção de IA, que combina estágio de adoção, investimento em IA, disseminação entre os times e medição de impacto. A média ficou em 6,0 sobre 10 – patamar que posiciona o grupo no estágio “em desenvolvimento”: a experimentação já passou, mas o negócio ainda não foi transformado pela tecnologia. As scale-ups estão batendo em um teto: depois de capturar ganhos táticos com a IA, o desafio agora é torná-los transformacionais.

Nem toda empresa terá IA como seu core business. Mas toda empresa será impactada pela tecnologia – a forma de operar, tomar decisões, desenvolver produtos e construir vantagem competitiva. Essa transformação começa quando a adoção deixa de ser incremental e passa a estar dentro da operação, o que exige sistema de dados, integração de sistemas e arquitetura, interface e governança, dentre outros. Ainda que haja adoção em algumas áreas, a transformação começa quando os processos são redesenhados, a liderança e o time ganham novas funções, os agentes entendem o ciclo de vida dos clientes. Aqui começa um grau de transformação para o negócio.

Metade dos empreendedores afirma que a IA está no centro da sua companhia — seja porque nasceu com essa operação, seja porque reposicionou produto, estratégia e operação ao longo do caminho. Outros 42% possuem aplicações com ganho comprovado, ainda que a tecnologia não seja o eixo central da companhia.

A percepção dos empreendedores é que este tem sido um ano de rápidas transformações. Nos últimos 12 meses, 70% das empresas reorganizaram áreas ou times em resposta à IA. Em 63% delas, a tecnologia já é usada de forma intensa dá liderança à base; metade dos empreendedores afirma que a IA está no centro da companhia, e 84% pretendem aumentar seus investimentos nos próximos 12 meses.

Empresas mais jovens saem na frente

As companhias fundadas nos últimos cinco anos marcam 6,9, contra 5,2 das que têm mais de 16 anos. Pela receita, as de até R$ 30 milhões chegam a 6,3, enquanto as acima de R$ 300 milhões ficam em 5,3. Em relação à idade das empresas, companhias fundadas nos últimos 5 anos se destacam tanto pela centralidade da IA no negócio quanto pelos investimentos, enquanto o principal desafio daquelas com mais de 15 anos é disseminar o uso de IA na organização.

Para a Endeavor, o retrato é de um ecossistema pronto para o próximo passo: a janela atual não se repete, pois permite ao Brasil participar da construção da tecnologia, e não apenas usar o que chega pronto de fora. O talento e a proximidade com o problema já existem – o que ainda trava o avanço é a espera pelo cenário perfeito para começar.

O gargalo é o dado, não o modelo

Se todos conseguem gerar código com IA generativa, a diferenciação passou a estar na organização do contexto da empresa. Entre as barreiras para adotar a tecnologia, “dados não bem integrados” lidera, apontada por 30% dos empreendedores, seguida por falta de talento qualificado (29%), qualidade dos outputs (25%) e privacidade e segurança dos dados (23%).

“Dados sem integração impedem a jornada para uma empresa tornar-se agêntica. Além da integração, os dados precisam de governança e contexto — é essa a fundação que gera confiança, escalabilidade e segurança”, afirma Daniel Hoe, VP de Marketing da Salesforce para a América Latina.

A adoção já chegou aos times

Em 63% das empresas, a IA já é usada de forma intensa dá liderança à base – e, nos últimos 12 meses, 70% reorganizaram áreas ou times em resposta à tecnologia. Nessas empresas, a liderança têm sido a chave para a adoção de IA. As scale ups têm buscado descentralizar toda a responsabilidade da adoção em um squad único: 26% possuem champions distribuídos em várias áreas, 26% possuem uma pessoa liderando formalmente e apenas 18% têm um time focado em IA.

Um movimento feito por empresas mais avançadas na adoção de IA é de reduzir os níveis hierárquicos, com spans de controle maiores liderados por contribuidores individuais (IC) seniors. Além disso, squads de duas ou três pessoas estão substituindo estruturas que antes reuniam produto, design, research, frontend, backend, infraestrutura e analytics.

Na Olist, o fundador Tiago Dalvi descreve como o ganho de produtividade encurtou os ciclos: squads de 7 a 12 pessoas deram lugar a pods de 3 a 5. “Nosso objetivo é transformar ciclos que antes eram mensais em ciclos diários, encurtando o caminho entre chegar às informações, tomar a decisão e o aprendizado voltar para o time”, diz.

Principais áreas

Por área, produto e engenharia lideram a adoção (77%), seguidos por atendimento e suporte (57%) e dados e BI (35%); jurídico e RH ainda buscam o equilíbrio entre julgamento humano e automação, com 10% cada. O movimento já mexe na estrutura de trabalho. Enquanto a automação adquiriu rápida velocidade entre os times de engenharia (77%) e atendimento e suporte (57%) – normalmente diretamente atrelados ao produto e core da operação – as outras áreas estão em um momento de transição.

Geralmente, a adoção interna ainda acontece em ritmos diferentes: produto e engenharia avançaram mais rápido, enquanto áreas como marketing, pessoas e operações seguem em outros estágios.

Adoção não é sinônimo de impacto: o olhar de negócios

O dado mais revelador não é quantas empresas usam IA, mas quantas provam o que ganharam com isso. O Índice de Percepção de Adoção de IA, calculado pela Endeavor, chegou a 6,0/10: o ecossistema já superou a experimentação, mas ainda não chegou à transformação plena – intervalo em que mora o risco do ai-washing: comunicar adoção de IA sem demonstrar impacto real no negócio.

Hoje, 51% das scale-ups não têm nenhuma métrica de negócio atrelada à IA – o que torna difícil distinguir ganho real de percepção de ganho. Mesmo assim, 84% das empresas planejam ampliar o investimento nos próximos 12 meses, e 37% pretendem mais do que dobrar o aporte. A confiança cresce com a experiência: entre as scale-ups que investem mais de 20% da receita em IA, 62% já percebem aumento de receita, contra apenas 9% das que investem menos de 1%.

O estudo propõe uma régua que evolui em dois níveis. No primeiro, de exploração, o objetivo é gerar tração e aprendizado: quantidade de agentes criados e consumo de tokens, número de pessoas usando um mesmo agente, tempo de piloto até a primeira versão em produção e tempo de ciclo por processo. No segundo, de transformação, as métricas passam a ser finalísticas: receita por colaborador, margem bruta e EBIT/EBITDA, custos, ROI por caso de uso e indicadores de cliente como conversão, satisfação, churn e tempo de resolução.

Entre os Empreendedores Endeavor, a métrica mais recorrente para o estágio de transformação tem sido a receita por colaborador, mas ela não deve ser lida isoladamente, já que também é sensível a decisões de negócio sem relação direta com a IA, como terceirização ou mudança no mix de produtos.

A dificuldade não é só brasileira. No mundo, apenas 39% das organizações atribuem algum impacto em EBIT à IA.

Ao longo dos próximos meses, a série terá novos capítulos com foco em liderança, performance empreendedora, produtos AI-native e talentos. O conteúdo completo desta primeira edição está disponível neste link.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores.

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