1. Início
  2. /
  3. Forbes Agro
  4. /
  5. Super El Niño Avança e Amplia Pressão Sobre as Economias Asiáticas
Forbes Agro

Super El Niño Avança e Amplia Pressão Sobre as Economias Asiáticas

Seca prolongada pode reduzir a produção agrícola, enquanto alta de combustíveis, fertilizantes e alimentos aumenta a pressão sobre inflação e crescimento na região

3 min

O El Niño é um fenômeno recorrente, embora irregular, dos padrões climáticos globais. Ele ocorre a cada poucos anos, quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico sobe, e costuma provocar impactos econômicos de intensidade moderada a severa em toda a Ásia. Mas o efeito do El Niño de 2026, que deve ganhar ainda força ainda neste ano, será ampliado por um fator mais imprevisível, presente desde o início do ano: o conflito no Irã.

O fenômeno climático e o conflito representam uma pressão dupla para as economias asiáticas. Países desenvolvidos e em desenvolvimento da região já enfrentam forte alta nos preços de combustíveis e fertilizantes, enquanto o fluxo de suprimentos pelo estratégico Estreito de Ormuz praticamente para. Especialistas em clima já alertam que o fenômeno deste ano provavelmente será um “super” El Niño. A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou em julho que as previsões mais recentes “apontam cada vez mais para um El Niño muito forte e potencialmente excepcional”, que pode figurar entre os eventos mais intensos já registrados e “se estender por boa parte de 2027”.

Uma seca prolongada em toda a Ásia inevitavelmente provocará forte queda na produção agrícola, deixando os formuladores de políticas diante de escolhas difíceis. Eles podem precisar apertar a política monetária para conter a inflação e elevar os gastos públicos para reduzir o impacto do El Niño sobre a população. O consumo é um importante motor de crescimento em boa parte da região, em especial na Índia, Indonésia e Filipinas, e a alta dos preços tende a enfraquecer a confiança e reduzir o crescimento econômico.

Os responsáveis pela política econômica certamente se lembram de que o “super” El Niño de 1997 e 1998 coincidiu com a crise financeira asiática. O epicentro daquela dupla crise foi a Indonésia, país fortemente atingido pela seca e pelo colapso financeiro, com grandes manifestações sociais. A Ásia, no entanto, construiu proteções econômicas mais robustas desde 1998. China, Índia, Vietnã e Indonésia passaram a ocupar posições importantes na economia mundial.

Ao mesmo tempo, o ritmo das mudanças climáticas também acelerou nesse período, com aumento da frequência de desastres naturais e secas. Os incêndios florestais recentes na Indonésia, a temporada de monções abaixo do normal na Índia e as enchentes repentinas no Nepal e na China são manifestações dessas tendências. Um “super” El Niño tende a intensificar esses efeitos.

Embora os fenômenos naturais estejam fora de seu controle, os formuladores de políticas na Ásia dispõem de instrumentos para enfrentar o choque econômico. Um primeiro passo seria uma coordenação maior para evitar controles unilaterais sobre as exportações de produtos essenciais, como arroz e açúcar, medidas que agravariam a escassez regional e a pressão inflacionária. Ações unilaterais adotadas no passado atrasaram a recuperação e deterioraram as relações entre os países.

A Ásia ainda representa a parcela mais dinâmica da economia mundial, e o próximo El Niño oferece aos formuladores de políticas uma oportunidade de mostrar que a região amadureceu na gestão de crises regionais. Caso isso não ocorra, a resposta poderá vir das ruas, com aumento da agitação e dos protestos sociais.

Publicado originalmente em Forbes EUA

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.