Uma das frases mais conhecidas de Giorgio Armani diz que a verdadeira elegância está em ser lembrado, e não em ser notado. Realizado na noite do domingo (28/09), em Milão, o desfile de primavera-verão 2026 da marca que leva seu nome mostrou que não resta dúvida quanto à maneira através da qual lembraremos do estilista italiano, que nos deixou no início deste mês, aos 91 anos.
Realizado na Pinacoteca di Brera, o desfile foi o último a contar com o olhar criativo de Armani, fato que se soma a um pano de fundo igualmente emblemático: desde sua concepção, a coleção havia sido desenhada como uma celebração dos 50 anos de sua etiqueta. Acompanhando o marco histórico, as salas do museu recebem pela primeira vez uma exposição dedicada à moda, com 150 looks do arquivo Giorgio Armani em diálogo com as obras-primas da galeria.
Mas o show começou antes do desfile. Vestidas à altura da ocasião, uma constelação de estrelas compareceu à noite de homenagens: fiel cliente da marca, a atriz Cate Blanchett surgiu com casaqueto estruturado de listras douradas e calça preta com acabamento brilhante, numa perfeita demonstração da habilidade de alfaiataria do designer; enquanto a eterna supermodel Marisa Berenson vestiu outros emblemas de estilo da grife, como o veludo em tom profundo de azul das calças que fizeram par com um casaco alongado inteiramente bordado com contas, um admirável trabalho manual que fez aceno à linha couture da casa italiana, Armani Privé.
Em um desses momentos full circle, Richard Gere se uniu aos convidados da fila A – o ator americano foi um dos responsáveis por revelar a assinatura de Giorgio Armani para o mundo, vestindo as criações do estilista como figurinos do filme “Gigolô Americano”, em 1980. “A sequência quase fetichista em que Richard, como Julian Kay, escolhe o que vestir em um armário repleto com minhas criações foi mais penetrante e eficaz do que uma série de anúncios. Criou, em nível internacional, a lenda de Armani”, como nos lembrou Giorgio em sua autobiografia, “Per Amore”.
Quando as luzes se apagaram, o piano de Ludovico Einaudi embalou a entrada dos looks, com um casting que mesclou modelos presentes em cada uma das cinco décadas da grife. Aos pares, os looks entraram na passarela, em uma sequência dividida por materiais que transitavam do casual ao formal. Paletós desestruturados, calças soltas do corpo e vestidos-coluna deslizaram com fluidez. Uma paleta extensa navegou com naturalidade entre cáquis delicados, pretos intensos, marinhos profundos, verdes escuros, cinzas etéreos, lilases e roxos sofisticados, formando um degradê que partiu dos neutros opacos aos tons intensos e brilhantes.
Ao final, a sobrinha do fundador e atual responsável pelo estilo feminino, Silvana Armani, se uniu a Leo Dell’Orco, à frente do masculino, para receber os aplausos. Estavam visivelmente emocionados – assim como eu e todo o resto da plateia. Uma noite para ficar na memória.
Com Antonia Petta e Milene Chaves
Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.
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