A arte brasileira pulsa por força própria, mas ganha novos horizontes quando encontra o apoio de marcas que entendem o valor da cultura como o verdadeiro patrimônio de uma sociedade. Fernanda Ingletto Vidigal logo soube isso e, ainda em 2017, deixou o setor de wealth management para fundar a 2 Art Lovers, uma consultoria de arte criada para pensar a formação de coleções e o desenvolvimento de projetos curatoriais, alinhavando o vínculo entre grandes empresas e a produção artística contemporânea.

Colaborando com a JHSF desde 2021, a 2 Art Lovers assina agora um de seus maiores e mais ambiciosos projetos: a Galapagos Capital Art House, que acaba de abrir as portas dentro do town center do Boa Vista Village, complexo do grupo em Porto Feliz, no interior de São Paulo. Através da articulação de Fernanda, a Galapagos Capital entrou para o negócio, assumindo o patrocínio master e os naming rights do espaço. O resultado é um centro cultural que, logo na estreia, recebe obras das mais prestigiadas galerias brasileiras, como Fortes D’Aloia & Gabriel, Gomide & Co, Simões de Assis, Galatea e Galeria Leme.
Para a exposição inaugural, em cartaz por três meses, a curadoria mergulha em uma pergunta: na produção da nossa contemporaneidade, o que ainda ressoa dos modernismos brasileiros? “A Galapagos me pediu para falar sobre evolução; resolvi falar sobre a evolução da arte brasileira nos últimos 100 anos”, conta Fernanda à coluna. Ao invés de tratar períodos como momentos isolados, a mostra promove um encontro direto entre obras históricas e trabalhos recentes. Por essa razão, será possível encontrar jovens talentos ao lado de um tríptico de Adriana Varejão, dos anos 2000, que já integrou uma mostra no MoMA, em Nova York.

“Sempre falamos que não há evolução sem cultura. Desde sua concepção, eles [Galapagos Capital] falam isso. Fora do Brasil, é muito comum que grandes bancos patrocinem feiras e possuam coleções importantes de arte. Aqui deve ser igual”, opina Fernanda. “O mercado financeiro é muito eficiente e ágil, e seus profissionais são risk takers; gostam de evolução, seja ela patrimonial ou financeira. Sem o investimento do setor privado não conseguimos manter os principais museus e instituições culturais aqui no Brasil. O MASP, por exemplo, teve uma grande ampliação graças à doação de 20 famílias brasileiras. Só assim conseguimos perpetuar nosso legado cultural, do qual todos se beneficiam”.

Aberta ao público de quarta a domingo, a Art House projeta receber três mostras inéditas por ano. Para além da contemplação, a proposta é de conexão: a experiência se desdobra em uma programação efervescente de talks, oficinas e cursos, desenhada tanto para atrair o olhar de colecionadores, quanto para acolher quem está dando os primeiros passos no universo das artes.
Galapagos Capital Art House
Quarta a domingo, das 11h às 19h
Boa Vista Village, Porto Feliz, São Paulo
Com Antonia Petta