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Arte de Carlos Bunga É Lugar Nômade de Escuta e Encontros

Em exposição individual em Nova York, o artista português aborda questões filosóficas e politicas centrais para o nosso tempo

6 min

“Bunga continuamente mapeia, marca caminhos e enfatiza a porosidade da arte”, é como o diretor artístico de nossa galeria Luis Pé rez-Oramas sintetiza o conceito que inflama a arte do português Carlos Bunga, que participou da 35a Bienal de São Paulo, há dois anos, e está com sua primeira individual em Nova York, “Fragmentos para uma Cartografia do Retorno”. Na verdade, a mostra é uma grande instalaç ão site-specific, composta de pinturas, ready-mades e esculturas, produzidos com materiais impermanentes, que se relacionam diretamente com o instante e com a transformação.

“Interessa-me o gesto que passa, a estrutura que se desmonta, a matéria que respira”, diz o artista, nascido na cidade de Porto, que vive e trabalha em Barcelona, onde se dedica à exploração de temas como o nomadismo, o colonialismo e a rigidez culturais e políticas das fronteiras usando a arte como seu instrumento de luta por um mundo mais justo.

Veja as mensagens de Carlos Bunga, artista contemporâneo e pensador singular:

Arte I

“Ao abrir espaços para o imprevisto, para a participação e para a fragilidade, busco uma arte que não se impõe, mas que se deixa habitar. Uma arte que se dá no encontro”.

Arte II

“Procuro ativar memórias silenciadas e revalorizar o comum. A arte, neste sentido, torna-se um espaço de escuta crítica e imaginação política, um lugar a partir do qual se podem ensaiar modos alternativos de habitar o mundo”.

Obra I

“A minha obra gira em torno dos conceitos de arquitetura, lar e domesticidade, temas que se entrelaçam para explorar a ideia de casa como espaço simbólico e emocional”.

Obra II

“Cada obra minha é uma espécie de arquitetura poética e não definitiva, mas em constante deslocamento físico, conceitual e emocional. Minhas obras não se enquadram facilmente em categorias estanques: circulam, adaptam-se, desfazem-se”.

Opostos

“Trabalho com tensões que se manifestam entre memória e esquecimento, presença e ausência, ruína e protótipo, passado e futuro, ausência e utopia os quais não apenas estruturam a obra, mas também refletem o meu modo de estar no mundo”.

Cortesia da Galeria Nara RoeslerVista parcial da individual de Carlo Bunga na Galeria Nara Roesler, Nova York

Gesto

“Minha prática artística é um gesto nômade, político e poético, que procura responder criticamente à complexidade do presente”.

Tempo

“A transitoriedade e a efemeridade não surgiram no meu trabalho de maneira consciente. Elas foram aparecendo e se manifestaram de forma constante, quase inevitável, em tudo o que eu fazia. Com o tempo, compreendi que aquilo que realmente é permanente é a constante transformação provocada pela passagem do tempo. Essa percepção molda minha arte”.

Caos

“Tenho ideais que não consigo cumprir, e luto contra vícios que secretamente alimento. Por muito tempo, tentei esconder esse caos interno, como se a coerência fosse uma exigência da existência. Mas compreendi que habitar esse caos é, talvez, a forma mais honesta de ser”.

Nomadismo

“No meu trabalho, o nomadismo aparece associado à ideia de transitoriedade, tanto a nível físico quanto simbólico. Essa condição de movimento constante é uma estratégia de resistência às estruturas fixas de poder, identidade e pertencimento”.

Tinta

“Comecei a expandir a minha prática, incorporando à tinta materiais como lixo, folhas secas, flores ou cera como elementos vivos ou descartados que carregam consigo histórias, cheiros, texturas e temporalidades”.

Cortesia da Galeria Nara RoeslerVista parcial da individual de Carlo Bunga na Galeria Nara Roesler, Nova York

Pintura I

“Compreendo a pintura como algo que está sempre mudando, que escapa a qualquer tentativa de fixação. Para mim, a pintura é uma superfície orgânica, quase uma pele que carrega entropias, fendas, texturas imprevisíveis. É, ao mesmo tempo, um lugar e um não- lugar, confortável e desconfortável”.

Pintura II

“A pintura se entrelaça com a arquitetura, com o corpo, com o espaço urbano e com o tempo atmosférico. Ela já não se limita a representar, mas a acontecer como presença, como gesto, como matéria viva”.

Escultura I

“Vejo a escultura não como objeto fixo, mas como um lugar em trânsito, uma presença instável que se constrói no tempo, na matéria e na relação com o outro. Questiono as lógicas tradicionais que associam a escultura à monumentalidade, à verticalidade impositiva e à permanência”.

Escultura II

“Crio a partir dos opostos entre centro e margem, visível e invisível, estabilidade e colapso. Entre gesto e matéria, entre forma e afeto, entre eu e o outro que minha obra encontra seu lugar. A minha escultura não se define por aquilo que é, mas por aquilo que provoca”.

Vulnerabilidade

“Em tempos marcados pela fragmentação e pelo medo, insisto na potência da vulnerabilidade. Talvez seja justamente aí, nesse lugar de instabilidade e partilha que ainda possamos imaginar outros modos de existir no mundo abrindo espaços para a empatia, o imprevisto, a participação e a fragilidade”.

Cortesia da Galeria Nara RoeslerVista parcial da individual de Carlo Bunga na Galeria Nara Roesler, Nova York

Campo de tensão

“Habito nas contradições, transporto conflitos internos, e com isso aprendi a compreender que essa instabilidade é uma expressão da condição humana. Sou, no fundo, um campo de tensão e começo a entender que essa condição de ser me torna humano”.

Carlos Bunga: Fragmentos para uma Cartografia do Retorno

Até 18 de outubro, 2025

Galeria Nara Roesler, Nova York

Com colaboração de Cynthia Garcia, historiadora de arte, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) [email protected]

Nara Roesler fundou a Galeria Nara Roesler em 1989. Com a sociedade de seus filhos Alexandre e Daniel, a galeria em São Paulo, uma das mais expressivas do mercado, ampliou a atuação inaugurando filial no Rio de Janeiro, em 2014, e no ano seguinte em Nova York.

[email protected]
Instagram: @galerianararoesler
http://www.nararoesler.com.br/

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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