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Com o Movimento Autoral Brasil-França, Djamila Ribeiro Joga Luz sobre Livros Escritos por Mulheres

Iniciativa integra ciclo especial do ‘Clube do Livro Mulheres que se Escrevem’, que recebeu a francesa Nadia Yala Kisukidi

4 min

Há clubes do livro. E então há espaços onde a leitura vira um gesto para transformação. No Espaço Feminismos Plurais, instituto sem fins lucrativos fundado em 2022 e presidido por Djamila Ribeiro, esse gesto tomou forma no clube do livro “Mulheres Que Se Escrevem”. Criado para potencializar a literatura escrita por mulheres, o clube é coordenado pela pesquisadora Maria Carolina Casati, que também conduz as mediações dos encontros. Neste 2025, ano em que Brasil e França celebram, mutuamente, suas trocas culturais, a iniciativa ganhou um ciclo especial com o Movimento Autoral, uma parceria entre o instituto e a Embaixada da França.

“O Clube do Livro foi criado justamente para que mais mulheres pudessem ser lidas”, conta Djamila, em entrevista exclusiva à coluna. O instituto já promovia ações com esse intuito, especialmente no apoio a publicações independentes. “Nesta edição específica Brasil-França, a ideia é trazer autoras francófonas para serem estudadas e lidas pelas mulheres brasileiras”.

Entre essas vozes, uma ganhou lugar central nesta semana: a da francesa de ascendência congolesa Nadia Yala Kisukidi, convidada do encontro dedicado ao seu romance “A Dissociação”, publicado no Brasil pela editora Bazar do Tempo. Djamila participou virtualmente da conversa, direto de Massachusetts.

“Esse livro de Nadia é um romance que trata de como nós, pessoas negras, às vezes nos dissociamos. A gente cria uma dissociação em resposta a uma sociedade violenta, com estereótipos que quer fixar sobre nós, em um lugar de não humanidade. Por isso, é um livro que me atravessa muito e diz muito também sobre a minha própria trajetória. Nadia provoca uma reflexão sobre a experiência de ser um corpo negro no mundo”, explica Djamila.

As duas autoras já dividiam afinidades antes deste reencontro. Em 2021, publicaram juntas “Diálogos Transatlânticos” (lançado apenas em francês), obra em que pensam suas trajetórias como mulheres negras na filosofia – Djamila no Brasil, Nadia na França – e o que significa produzir pensamento a partir de uma diáspora compartilhada.

O Movimento Autoral, que existe desde a criação do instituto, tem como foco promover lançamentos, sobretudo independentes, e criar pontes entre autoras e leitoras. O encontro com Nadia foi o primeiro, dentro do clube, a contar com a presença de uma escritora cuja obra está sendo estudada ali. Foi o penúltimo de uma série de cinco, em um ciclo que se encerra no dia 09 de dezembro.

Com 40 vagas por edição (“para trabalhar com qualidade e não quantidade”), o clube ocorre quinzenalmente e de forma on-line, permitindo a participação de mulheres de todo o país. “Ano que vem a gente retoma o Movimento Autoral, continuando o nosso compromisso em publicar e ler mulheres”, antecipa Djamila.

E, se o assunto são livros, pergunto a Djamila o que ela nos recomendaria. “Eu indicaria obras que tenho lido ultimamente. Além do livro de Nadia, um outro que eu estou lendo no momento e tenho gostado muitíssimo é ‘A Contagem dos Sonhos’ [Companhia das Letras], de Chimamanda Ngozi Adichie. Um livro que acho muito legal também é o ‘Contos da Cela Três – Memórias de uma presa política na ditadura’ [Ema Livros], de Amelinha Teles [Maria Amélia de Almeida Teles]. Amelinha é uma mulher de 80 anos, que ainda está escrevendo, e eu acho que é importante combater esse etarismo, ler escritoras mais velhas que seguem produzindo. E, claro, eu indicaria uma outra publicação, que é o livro da minha vida e que releio sempre que posso: ‘O Olho Mais Azul’ [Companhia das Letras] de Toni Morrison. É um livro fabuloso”, finaliza.

Encontre informações sobre a programação do Movimento Autoral Brasil-França e o Clube do Livro Mulheres que se Escrevem através das redes sociais do Espaço Feminismos Plurais.

Com Antonia Petta e Milene Chaves

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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