Na última terça-feira (6), o Departamento de Estado dos EUA expandiu de forma significativa um programa de caução para vistos anunciado pela primeira vez em agosto, adicionando 25 países cujos cidadãos poderão ser obrigados a pagar cauções de até US$ 15 mil para entrar nos Estados Unidos com visto de turismo.
Com isso, o número total de países incluídos na lista sobe para 38 — dos quais 24, quase dois terços, estão localizados na África.
A exigência de caução para os países recém-adicionados — que também incluem Venezuela e Cuba — entra em vigor em 21 de janeiro.
O governo define a caução como uma garantia financeira de que o visitante não ultrapassará o prazo do visto, observando que o valor será devolvido caso o turista deixe os EUA até a data de vencimento do visto, acabe não viajando ao país ou tenha a entrada negada em um porto de entrada.
Em julho passado, o Congresso anunciou a criação de uma taxa de US$ 250 para integridade de vistos, aplicável à maioria dos vistos não imigrantes dos EUA — incluindo vistos de turismo — a partir de 2026.
“Qualquer cidadão ou nacional que viaje com passaporte emitido por um desses países e que seja considerado elegível para um visto B1/B2 [turismo] deverá pagar uma caução de US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil”, afirma uma página atualizada do Departamento de Estado. “O valor é determinado no momento da entrevista para o visto.”
Contexto
Os Estados Unidos foram o único país a registrar queda nos gastos de visitantes internacionais em 2025, segundo um estudo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), que analisou 184 destinos. O levantamento atribui a retração a uma série de iniciativas do governo Trump que tornaram a entrada de turistas estrangeiros no país mais difícil ou mais cara.
A U.S. Travel Association (USTA), grupo de lobby da indústria de turismo americana, identificou a “limitação do acesso sem visto” como uma barreira para o aumento do turismo internacional de entrada, observando que os EUA permitem a entrada sem visto de cidadãos de apenas 43 países — bem menos do que o Reino Unido, por exemplo, que concede isenção de visto a cidadãos de 102 países.
Quando o programa de caução foi anunciado pela primeira vez, em agosto passado, executivos da USTA disseram à Forbes que a organização estava mais preocupada com a nova taxa de US$ 250 para integridade de vistos, aprovada recentemente pelo Congresso, que se aplicará a todas as categorias de vistos não imigrantes e a todos os solicitantes. A USTA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Forbes sobre a ampliação do programa de caução.
Quais turistas são impactados pelo programa de caução de vistos dos EUA?
Estes são os 38 países incluídos no programa, com as respectivas datas de implementação – o Brasil não está na lista, por enquanto.
- Argélia (21 de janeiro de 2026)
- Angola (21 de janeiro de 2026)
- Antígua e Barbuda (21 de janeiro de 2026)
- Bangladesh (21 de janeiro de 2026)
- Benin (21 de janeiro de 2026)
- Butão (1º de janeiro de 2026)
- Botsuana (1º de janeiro de 2026)
- Burundi (21 de janeiro de 2026)
- Cabo Verde (21 de janeiro de 2026)
- República Centro-Africana (1º de janeiro de 2026)
- Costa do Marfim (21 de janeiro de 2026)
- Cuba (21 de janeiro de 2026)
- Djibuti (21 de janeiro de 2026)
- Dominica (21 de janeiro de 2026)
- Fiji (21 de janeiro de 2026)
- Gabão (21 de janeiro de 2026)
- Gâmbia (11 de outubro de 2025)
- Guiné (1º de janeiro de 2026)
- Guiné-Bissau (1º de janeiro de 2026)
- Quirguistão (21 de janeiro de 2026)
- Malawi (20 de agosto de 2025)
- Mauritânia (23 de outubro de 2025)
- Namíbia (1º de janeiro de 2026)
- Nepal (21 de janeiro de 2026)
- Nigéria (21 de janeiro de 2026)
- São Tomé e Príncipe (23 de outubro de 2025)
- Senegal (21 de janeiro de 2026)
- Tajiquistão (21 de janeiro de 2026)
- Tanzânia (23 de outubro de 2025)
- Togo (21 de janeiro de 2026)
- Tonga (21 de janeiro de 2026)
- Turcomenistão (1º de janeiro de 2026)
- Tuvalu (21 de janeiro de 2026)
- Uganda (21 de janeiro de 2026)
- Vanuatu (21 de janeiro de 2026)
- Venezuela (21 de janeiro de 2026)
- Zâmbia (20 de agosto de 2025)
- Zimbábue (21 de janeiro de 2026)
Número expressivo
US$ 254 bilhões. Esse foi o valor gasto por turistas internacionais em viagens e serviços relacionados ao turismo nos Estados Unidos em 2024, segundo a Administração de Comércio Internacional.
O que ainda não se sabe
Ainda não está claro se esse novo obstáculo financeiro para turistas internacionais afetará a presença de público na Copa do Mundo deste ano , evento no qual a indústria de turismo dos EUA aposta para ajudar a reverter a queda na visitação internacional.
A FIFA projetou que o torneio geraria US$ 30,5 bilhões em impacto econômico nos Estados Unidos, mas essa estimativa se baseou na suposição de que o país receberia um “afluxo de visitantes” estrangeiros para ocupar estádios e hotéis. A entidade informou às cidades-sede que a expectativa é de uma divisão de 50% entre visitantes domésticos e internacionais, segundo autoridades locais de turismo ouvidas pela Forbes.
Quatro dos países adicionados à lista de caução nesta terça-feira — Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim e Senegal — estão classificados para a Copa do Mundo.