“The future is female”. A frase que estampou T-shirts da Dior, marcou gerações e protagonizou discussões sobre o feminismo. O que poucos sabem é que a popularização do slogan foi liderada pela então diretora de criação Maria Grazia Chiuri, que recentemente retornou à Fendi nessa mesma posição depois de mais de vinte anos fora da maison.
Ao ocuparem os espaços de poder na indústria da moda e da beleza, as mulheres podem produzir em maior alinhamento com as suas próprias necessidades. A realidade, no entanto, ainda revela uma desigualdade notável na ocupação desses cargos.
A Forbes analisou a diretoria criativa de 18 maisons internacionais e observou que, das 20 pessoas na liderança, apenas 7 são mulheres. São elas: Grace Wales Bonner (Hermès), Miuccia Prada (Prada), Maria Grazia Chiuri (Fendi), Louise Trotter (Bottega Veneta), Sarah Burton (Givenchy) e Meryll Rogge (Marni).

Já as grifes analisadas foram: Chanel, Gucci, Valentino, Yves Saint Laurent, Hermès, Dior, Prada, Balenciaga, Dolce & Gabbana, Louis Vuitton, Fendi, Giorgio Armani, Bottega Veneta, Balmain, Versace, Givenchy, Maison Margiela, Marni e Burberry.
Durante a história da moda, inúmeros casos exemplificam os frutos da participação da mulher no campo, como Coco Chanel e Elsa Schiaparelli. Não se trata de eliminar a parcela masculina da indústria, mas de abrir caminhos para uma participação mais justa que possa trazer soluções inovadoras.
Neste Dia Internacional da Mulher, conheça 8 inovações do mundo da moda e da beleza criadas por e para mulheres:
Sutiã

Apesar de terem sido queimados posteriormente por movimentos feministas no final da década de 1960, os sutiãs marcaram uma grande mudança no conforto das mulheres que antes vestiam espartilhos rígidos e e apertados. Aos 19 anos, em 1910, historiadores acreditam que Mary Phelps Jacob tenha criado o primeiro sutiã com duas faixas de seda e uma fita. Quatro anos depois, em 1914, Jacob patenteou a criação.
Bolsas práticas

Outra invenção que priorizou as necessidades femininas foram as bolsas práticas. Apesar de já serem amplamente utilizadas pelas mulheres, as bolsas se limitavam às famosas clutches com um tamanho reduzido e sem alças, já que eram carregadas sempre nas mãos. Foi então que Gabrielle Chanel, conhecida como Coco Chanel, criou a icônica Chanel Flap Bag 2.55, em 1955, a primeira bolsa de ombro da história. A transformação provocada pela estilista no mundo da moda feminina, no entanto, não se resume apenas à bolsa. Coco Chanel também foi responsável pela popularização do uso de calças femininas, o uso da cor preta para além do simbolismo de luto, a adesão ao tecido mais confortável Jersey, entre outras inovações.
Minissaias

Mãe da minissaia, a estilista inglesa Mary Quant começou a testar a modelagem mais curta das saias ainda em 1958, um pouco antes da grande popularização na década de 1960. Durante esse período, a peça se alinhou com o momento da “libertação das mulheres”, com pautas como o voto feminino, sexualidade e o trabalho. Quant morreu em 2023, mas ficou eternizada como um dos nomes da moda que contribuíram para quebrar paradigmas conservadores que ditavam como as mulheres deveriam se vestir ou o quanto elas podiam mostrar de seus corpos.
Vestido monástico

Claire McCardellrevolucionou a moda feminina a partir de peças que priorizavam o maior conforto das mulheres. Ainda na década de 1940, contra os padrões da alta-costura europeia, a estilista americana criou a modelagem do vestido monástico, peça ampla sem ombreiras ou com a cintura marcada. O modelo do vestido permitiu algo inédito: adaptação para cada silhueta. Com o uso de um cinto, cada mulher pôde estilizar a peça da forma mais confortável para seu tipo de corpo.
Escova de cabelo
Item indispensável na rotina matinal, a escova de cabelo como a conhecemos hoje em dia foi criada ainda no século 19 pela cabeleireira afro-americana Lyda D. Newmann. A design inovador patenteado em 1898 consistia em uma escova com cerdas enfileiradas e espaçadas que possibilitavam a maior ventilação e a fácil limpeza do item. Além de cabeleireira, Lyda também lutou pelos direitos das mulheres e participou ativamente do movimento sufragista da época.
Roupas de banho com sutiã embutido

Criado e patenteado por Elsa Schiaparelli, um maiô com sutiã embutido em seu interior para dar sustentação aos seios teve sua técnica posteriormente reproduzida em vestidos. A estilista italiana foi uma das grandes pioneiras e contribuidoras do mundo da moda ao lado de Coco Chanel, chegando a ser a primeira estilista mulher a ser capa da Time Magazine. Além do trabalho com roupas de banho, Schiaparelli também criou uma saia-calça para tenistas, introduziu a cor rosa-choque no mundo da moda, aplicou zíperes de plástico aparentes em vestidos e inovou o styling de gala com a sobreposição de jaquetas elaboradas.
Produtos para cabelo crespo

Annie Turnbo Malone e Madam C.J. Walker foram as pioneiras no desenvolvimento de produtos capilares para cabelos crespos e cacheados. Além da promoção das mercadorias, as empresas das duas mulheres negras também possibilitaram o emprego para centenas de afro-americanos em uma sociedade extremamente segregada e sexista. Em uma época em que os cabelos crespos eram constantemente alisados, as linhas de produtos criadas pelas empreendedoras representaram mais que o autocuidado e assumiram um papel de resistência negra. A história chegou a inspirar a criação de uma série da Netflix A Vida e a História de Madam C J. Walker com Octavia Spencer, lançada em 2020.
Batom vermelho “Victory Red”

Apesar de sua invenção datar desde à Antiguidade, o tom de batom vermelho histórico “Victory Red”, utilizado pelas mulheres após a vitória da Segunda Guerra Mundial, foi criado pela empresária de cosméticos Elizabeth Arden. A transformação da cor como símbolo do movimento sufragista na década de 1920 também foi impulsionada por Arden, que distribuiu tubos de batom vermelhos em 1912.