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Coleção Roadster da Cartier Retorna em Versão Reinterpretada

Um dos ícones cult da relojoaria nos anos 2000 volta aos holofotes pelas mãos da Cartier – agora reinterpretado para uma nova era

5 min

Certo dia uma centena de artesãos recebeu o desafio de dar vida a uma nova versão de um ícone da relojoaria dos anos 2000 lançado pela Cartier: o Roadster. Resgatar um modelo considerado cult entre colecionadores é também uma forma de exaltar a excelência desse savoir-faire pelo qual a maison, fundada em 1847, se tornou conhecida – tratar seu legado como um patrimônio vivo de criatividade e inovação. Especialmente no segmento de relógios, que ao longo do tempo reinventa com maestria criações magníficas como o Cartier Santos, o Cartier Tank e o Ballon de Cartier.

“Trabalhar sobre nossos relógios de pulso emblemáticos é um exercício familiar para nós na Cartier, e que continuamos a fazer nos últimos anos. Essas criações oferecem um design que é ao mesmo tempo reconhecível e capaz de comportar variações futuras, permitindo que evoluam com o tempo e com os estilos de vida”, conta Pierre Rainero, diretor de imagem, estilo e patrimônio da Maison. Mas e o Roadster?

Trata-se de uma invenção de design aerodinâmico que, pela própria metáfora ligada à sua função, parece acelerar o tempo. Criado originalmente em 2002 e descontinuado em 2012, o modelo já nascia com a proposta de incorporar códigos ousados do universo da mecânica automobilística – em um flerte audacioso com os carros esportivos clássicos dos anos 1950, como os da Jaguar e da Ferrari.

“Louis Cartier era apaixonado pelas inovações de transporte de sua época: automóvel, barco e até avião. Essas revoluções transformaram nossa percepção do tempo e das formas de design”, diz. Também, como ele também lembra, “Louis Cartier concebeu o primeiro relógio especificamente desenhado para ser usado no pulso para o aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont, atendendo ao seu pedido por maior ergonomia”.

No caso do Roadster, seu mostrador remete a um velocímetro, enquanto a coroa cônica, a lente de aumento da data em formato de farol e os rebites e parafusos aparentes reforçam essa linguagem mecânica. Tudo nele é sedutor, sobretudo pela combinação de detalhes que ajudaram a estabelecer um novo repertório estético – não apenas dentro da maison, mas também no universo da relojoaria. Suas linhas esculturais, no entanto, permaneceram fora do mercado por anos – e agora ressurgem ainda mais elegantes.

DivulgaçãoA pulseira do Roadster é equipada com o sistema QuickSwitch, que permite trocá-la
rapidamente para um ajuste a diferentes ocasiões e estilos

A missão, que envolveu de designers a relojoeiros, passando por fabricantes de mostradores, polidores e estampadores, foi reinventar o Roadster a partir das necessidades contemporâneas, buscando elevar ainda mais sua sofisticação e seu apelo aerodinâmico sem trair o design original. Um modelo ainda hoje desejado pelos órfãos do relógio, que vasculham a internet em busca de um exemplar para chamar de seu – e que agora encontram, no que vem pela frente, uma nova oportunidade. “A nova versão pode atrair tanto os aficionados de longa data, que apreciarão acompanhar a evolução do design, quanto uma nova geração que está descobrindo o relógio pela primeira vez”, comenta Rainero.

Para esse retorno, a equipe da Manufatura Cartier, em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, procurou redefinir proporções, tornar as linhas mais precisas e repensar a ergonomia. Também buscou encontrar o equilíbrio ideal entre o cristal e o metal, valorizando a forma geral e unificando elementos como a coroa, a lente de aumento e o mostrador — acentuados pela abertura do calendário e pelo cabochão metálico.

O mostrador icônico do relógio, com padrão circular estriado, minuteria tipo rail track e numerais romanos, agora é ressignificado com técnicas decorativas minuciosas: um efeito appliqué, criado por meio de uma ferramenta de estampagem que adiciona relevo, além de um verniz aplicado aos índices e à minuteria transferida. “Além disso, nossos artesãos são movidos pela busca da excelência, algo totalmente compatível com o respeito pela herança — especialmente na Cartier, onde a inovação faz parte do legado”, acrescenta.

Quanto às versões que dão as boas-vindas a esse novo capítulo, o modelo chega em três combinações – ouro, ouro e aço, e aço – disponíveis em dois tamanhos: médio e grande. Já a pulseira, que mantém o mesmo nível de qualidade, foi retrabalhada pelo estúdio de design para refinar sua estética e otimizar a funcionalidade.

Dos elos mais curtos e ergonômicos ao jogo entre superfícies polidas e escovadas, cada detalhe valoriza sua versão metálica, equipada com o sistema patenteado QuickSwitch, que permite trocá-la com facilidade. “Essa é uma característica do modelo original que está alinhada com a demanda atual dos clientes por relógios adaptáveis. A troca fácil permite que o relógio se ajuste com naturalidade a diferentes ocasiões e estilos”, explica Rainero. À altura do que se espera de um clássico em 2026.

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