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Casa com Alma: 7 Mandamentos de Marcelo Felmanas para Decorar com Personalidade

Na contramão dos ambientes padronizados, o curador divide os princípios para criar espaços que sobrevivem às tendências e contam histórias

4 min

Em um mercado de decoração frequentemente dominado por tendências instantâneas, ambientes “instagramáveis” e casas que parecem cenários montados, o empresário e curador Marcelo Felmanas prefere olhar na direção oposta. À frente da 6F Decorações, ele passou quase quatro décadas desenvolvendo um repertório baseado menos em modismos e mais em personalidade, memória e permanência.

Essa visão ganha escala na nova edição da Casa 6F, que acontece até o dia 29 em uma residência assinada por Isay Weinfeld, no Jardim Europa, em São Paulo. Distante do formato tradicional das grandes feiras do setor, com corredores e estandes padronizados, o projeto ocupa os ambientes da casa como vitrines vivas para 17 marcas de décor, mesa posta e lifestyle. Se na edição passada, o evento movimentou cerca de R$ 15 milhões em negócios e reuniu mais de 2 mil visitantes, a expectativa para 2026 é crescer 20% em volume de negócios.

Ao reunir marcas como Ginori 1735, Missoni Home, Rosenthal e Bitossi Home, Felmanas também tenta traduzir um movimento mais amplo do décor contemporâneo: o desejo por casas menos cenográficas e mais autorais. “Hoje, as pessoas querem conexão emocional com os objetos”, costuma defender o curador.

A seguir, as pequenas “obsessões” de decoração que hoje guiam o olhar de Marcelo Felmanas:

1. Casas precisam parecer vividas – não montadas

Para Felmanas, um dos maiores erros da decoração contemporânea é transformar a casa em uma espécie de showroom. Ambientes excessivamente alinhados às tendências tendem a perder personalidade rapidamente. O que realmente cria identidade, diz ele, são objetos carregados de memória: uma peça herdada, um vaso comprado em viagem, uma obra de arte afetiva ou até pequenas imperfeições que revelam quem mora ali.

Ambiente da Casa 6F

2. O contemporâneo de verdade não envelhece

Na visão do curador, peças criadas há décadas continuam atuais porque nasceram de boas ideias, não de tendências passageiras. Ele vê valor justamente na convivência entre clássicos históricos e produções recentes, desde que exista consistência estética e qualidade de execução. O bom design, para ele, atravessa o tempo sem pedir licença.

3. Objetos precisam ter “alma colecionável”

Para além de meramente decorar, Felmanas procura peças capazes de criar vínculo emocional. Ao longo dos anos, desenvolveu coleções com nomes como Sig Bergamin e Fabrizio Rollo pensando justamente em objetos que sobrevivam ao tempo pelo desejo que despertam – não apenas pela função.

Ambiente da 6F Decorações

4. Misturar referências traz verdade aos ambientes

Uma das suas maiores convicções é que boas casas não seguem cartilhas rígidas de estilo. Um móvel moderno pode conviver com porcelanas históricas, peças contemporâneas e objetos de família sem que o resultado pareça caótico. Pelo contrário: são essas camadas que criam profundidade visual e autenticidade.

5. O design precisa provocar alguma emoção

Felmanas demonstra fascínio por peças que fogem do previsível. Entre os exemplos que mais o encantam estão os vasos assinados por Luca Nichetto e o trabalho irreverente da designer Inge Simonis, marcado por formas inesperadas e cores vibrantes. Para ele, decoração não deve apenas preencher espaços, mas gerar surpresa, humor ou encantamento.

Ambiente da 6F Decorações

6. Repertório cultural virou ferramenta de curadoria

Viagens, história da arte, design, arquitetura, gastronomia e comportamento fazem parte do processo criativo do empresário. É dessa bagagem que nasce sua capacidade de identificar movimentos antes que eles virem tendência e de descobrir marcas menos óbvias para o mercado brasileiro.

7. O novo luxo está nos detalhes silenciosos

Para Felmanas, luxo hoje deixou de estar ligado ao excesso. O valor passou a morar na curadoria, na raridade, na inteligência estética e na capacidade de um objeto criar conexão emocional. São peças que não necessariamente chamam atenção pelo tamanho ou extravagância, mas pela sensação que deixam no ambiente – e em quem vive nele.

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