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Como as Cores das Paredes Podem Valorizar (ou Desvalorizar) Seu Imóvel em até R$ 90 mil

Estudo recente da Zillow revela que tons como verde-sálvia valorizam propriedades, enquanto o amarelo-ocre pode desvalorizar a casa em mais de R$ 90 mil

13 min

Quando a sua propriedade está no mercado, as cores das paredes podem atrair propostas maiores ou reduzir o quanto os potenciais compradores acham que ela vale.

De acordo com uma análise de cores de tinta feita pela Zillow em 2026, algumas tonalidades podem adicionar US$ 2,3 mil (cerca de R$ 12 mil no câmbio atual) ao preço de oferta de uma casa – no entanto, uma pigmentação em particular pode subtrair US$ 18,1 mil (R$ 94,2 mil) do valor percebido do ativo.

Continue lendo para descobrir quais opções são populares ou desagradam o público – e saiba como corretores de imóveis e uma especialista no assunto avaliam essas paletas.

Um Quarto Marrom-Chocolate Quente É Irresistível

ons de marrom-chocolate ajudam a criar um santuário
Getty ImagesTons de marrom-chocolate ajudam a criar um santuário

Segundo a pesquisa da Zillow, pintar um quarto de marrom-chocolate pode somar US$ 2,27 mil (R$ 11,8 mil) ao valor da proposta.

“O marrom-chocolate está vivendo um momento cultural agora – ele aparece em todos os lugares, de passarelas de moda e cafeterias até perfis de design de interiores, e o público está reagindo muito bem a isso”, explica Amanda Pendleton, especialista em tendências de moradia da empresa.

Em um nível subconsciente, ela afirma que tons terrosos quentes criam uma sensação imediata de aconchego e refúgio, exatamente o que os clientes de hoje procuram em um dormitório.

“Queremos que nossos lares pareçam um santuário contra o caos da vida cotidiana, e tons mais escuros e envolventes proporcionam isso”, detalha Pendleton.

Sue Kim, diretora de marketing de cores da Valspar, conta que essa coloração se tornou bastante procurada nos últimos anos, por isso faz sentido que essa nuance rica e estabilizadora esteja marcando presença nos quartos.

“Por exemplo, a Groundbreaking 8005-8F, da Valspar, é um marrom aconchegante que acalma e aquece o ambiente de imediato”, diz.

“Acabamentos com menos brilho, como o fosco, costumam ser o padrão nos dormitórios; porém, um toque de semibrilho ajuda a realçar os reflexos sedosos e luxuosos presentes no marrom-chocolate.”

Kim recomenda incorporar a cor como uma opção complementar ou mesmo por conta própria através da técnica de pintura monocromática (cobrindo paredes, teto e rodapés). Ela observa, ainda, que esse tom escuro harmoniza perfeitamente com madeira, metais quentes e outros materiais naturais.

O marrom harmoniza bem com madeira, metal e outros materiais naturais
Getty ImagesO marrom harmoniza bem com madeira, metal e outros materiais naturais

Como Bill Golden é corretor de imóveis e sócio na Keller Williams Realty Intown Atlanta, decidi buscar sua opinião sobre o relatório. Ele avalia que um quarto com esse padrão visual pode funcionar na residência certa, mas ressalta que é algo muito situacional.

“Se for um espaço projetado por profissionais, com ampla luz natural e uma estética geral coesa, os interessados podem achar o resultado bastante atraente”, afirma. No entanto, o profissional alerta que a mesma tinta, quando usada em um ambiente menor ou pouco iluminado, pode causar uma incômoda sensação de confinamento.

“E lembre-se: algumas pessoas podem simplesmente não gostar de uma pigmentação específica, como o marrom, e é por isso que sempre incentivo os vendedores a optarem pela neutralidade.”

Golden explica que é muito mais fácil para o novo proprietário alterar uma parede de tom neutro. “Por outro lado, o mercado costuma enxergar cores muito ricas ou escuras como sinônimo de mais trabalho na hora da reforma”, pondera.

Karen Kostiw, corretora de imóveis na Coldwell Banker Warburg, em Nova York, alerta para o risco de levar esses valores financeiros ao pé da letra.

“A cor da tinta, por si só, não determina o preço; na verdade, o que importa é a planta, a metragem, a iluminação, a localização e o estado de conservação da propriedade”, relata.

A especialista defende que a pintura funciona apenas como um apoio para a apresentação do ativo. Ela concorda com a visão de Golden de que o marrom-chocolate quente pode ser convidativo para alguns — e indiferente para outros —, mas também capaz de espantar certas pessoas.

“Contudo, não acredito que o mercado atribua um valor monetário às escolhas de tintas; o público é atraído pelo conjunto da obra, não pela cor isolada”, acrescenta.

Verde-Sálvia é o Novo Branco

Valspar Warm Eucalyptus 8004-28F e Groundbreaking 8005-8F
ValsparValspar Warm Eucalyptus 8004-28F e Groundbreaking 8005-8F

Você acreditaria que o verde-sálvia se consagra como o grande destaque de 2026, segundo a Zillow? Pendleton relata que essa é a única nuance a se classificar no patamar de preferência mais alto em absolutamente todos os cômodos, recebendo notas excelentes nos banheiros, quartos e salas de estar.

E ela não está surpresa.

“O tom é visto como algo fresco e atemporal”, nota a executiva. “É inspirado na natureza na medida certa para transmitir calma e um aspecto orgânico, mas não chega a ser ousado a ponto de polarizar opiniões da forma como uma tinta vibrante faria.”

Essa cor fica excelente em fotografias – um fator fundamental agora que outro levantamento da companhia revelou que o anúncio online se tornou o novo “cartão de visitas” (a primeira impressão) dos imóveis. Além disso, Pendleton comenta que ela combina bem com quase todos os revestimentos, incluindo madeira, pedra, linho e latão.

“O tom dialoga perfeitamente com a estética do modernismo orgânico, que tem guiado os projetos residenciais nos últimos anos.”

A pesquisa da Zillow revela que existe uma tendência de certas opções performarem bem em um ou dois espaços, mas fracassarem em outros.

“Entretanto, o verde-sálvia apresenta uma versatilidade incomum, sendo a principal recomendação para quase todos os vendedores, em praticamente qualquer ambiente”, explica Pendleton. Quando aplicada no quarto, a especialista nota que a tinta pode adicionar mais de US$ 1 mil (R$ 5,19 mil) ao preço final, e na sala de estar o acréscimo chega a quase US$ 500 (R$ 2,59 mil).

Valspar Sprig Sage 8004-28F
ValsparValspar Sprig Sage 8004-28F

A Cor do Ano de 2026 da Valspar, sobre a qual já discorremos, é a Warm Eucalyptus 8004-28F. “O verde-sálvia está em alta agora porque as pessoas anseiam por conforto, nostalgia e uma conexão mais profunda com a natureza dentro de casa”, diz Kim. Restauradora e serena, a diretora explica que a coloração funcional de tom médio traz bem-estar por meio de seus laços com o meio ambiente, criando um espaço acolhedor e relaxante.

“Tonalidades de sálvia são ótimas para cobrir ambientes por completo, estimulando a serenidade, como ocorre em banheiros, ou para estabilizar áreas de transição, a exemplo de halls de entrada e espaços de serviço”, indica Kim. A Sprig of Sage 8004-28D é outra opção recomendada por ela. “Nas cozinhas multifuncionais modernas, onde as famílias cozinham, trabalham, se reúnem e recebem convidados, o modelo traz uma energia sólida e receptiva, equilibrando-se muito bem com a duradoura simplicidade dos brancos clássicos”, pontua.

Valspar Warm Eucalyptus 8004-28F
ValsparValspar Warm Eucalyptus 8004-28F

De todas as opções mencionadas, Golden avalia que o verde-sálvia provavelmente é o que faz mais sentido prático. “É uma tinta suave, versátil e frequentemente vista como quase neutra, funcionando com uma imensa variedade de estilos de design e atraindo um amplo espectro de clientes.”

Contudo, o corretor descarta a ideia de que a cor seja uma espécie de fórmula mágica para aumentar o valuation. “O segmento imobiliário é situacional e hiperlocal. As preferências do público variam conforme a praça, o padrão do empreendimento e a faixa de preço”, esclarece.

Já Kostiw não considera a opção tão neutra assim — para ela, continua sendo uma escolha bem pessoal. “Eu tinha uma captação em carteira com armários em verde-sálvia e o consenso geral das visitas foi de que não era básico o suficiente, o que afastaria os interessados”, relembra. No mercado secundário de revenda, a especialista garante que o público ainda prioriza unidades repintadas em um creme quente ou no tradicional branco. “O objetivo maior é entregar uma tela em branco para que os futuros moradores consigam visualizar seu próximo capítulo ali.”

O Erro nas Cores de US$ 18 mil (R$ 93,3 mil) Que Você Deve Evitar

O amarelo-ocre pode até ser aconchegante, mas não está entre as cores favoritas dos compradores
Getty ImagesO amarelo-ocre pode até ser aconchegante, mas não está entre as cores favoritas dos compradores

Se você está refletindo se pintar a casa de forma equivocada gera impactos reais no momento da comercialização, preste atenção neste dado: Pendleton aponta que o amarelo-ocre é a pior alternativa para paredes internas, podendo reduzir em US$ 18,1 mi (R$ 93 mil) o preço de venda quando aplicado na cozinha, sala, quarto e banheiro. “Se estiver presente apenas na cozinha, esse tipo de dourado escuro pode derrubar as propostas em US$ 6,63 mil (R$ 34,4 mil)”, compartilha a especialista da Zillow.

Portanto, quando a tinta é replicada ao longo de várias áreas, a matemática da reforma começa a pesar. “Se o cliente contabiliza mentalmente entre US$ 5 mil(R$ 25,9 mil) e US$ 10 mil (R$ 51,9 mil) em despesas de repintura, ele automaticamente embute isso no preço, resultando em uma proposta menor”, destaca. “A cifra de US$ 18,1 mil (R$ 93,9 mil) retrata justamente esse efeito cumulativo em todos os quatro espaços – a conta sobe muito rápido”, detalha.

Nancy Batchelor, fundadora e diretora da equipe Batchelor na Compass, em Miami, reforça que a primeira impressão é tudo. “Um dos maiores baldes de água fria que testemunhamos é errar na cor, em especial qualquer coisa com uma inclinação mais amarelada.” A profissional reconhece que a opção já foi o auge nos anos 1990 — principalmente em construções de estilo mediterrâneo —, mas reitera que hoje isso só confere um aspecto cansado e obsoleto à arquitetura.

“Os compradores buscam um visual limpo, com excelente curadoria e apelo atemporal. Nós aconselhamos fortemente que o dono faça o investimento de repintar tudo de branco sempre que as finanças permitirem, porque uma demão limpa e neutra eleva o patamar do bem de imediato, além de conferir uma sensação de maior amplitude”, ensina Batchelor. A recomendação da especialista passa por tons puríssimos, a exemplo do Chantilly Lace da Benjamin Moore. “Esse produto reflete a iluminação de forma espetacular e é fotogênico ao extremo.”

As fotos que ilustram essa tese muitas vezes impressionam. Em um imóvel listado recentemente por Batchelor em Miami, a estrutura externa era toda amarela; ela convenceu o titular a mudar para o branco. “Isso melhorou de maneira substancial o apelo estético da fachada e provocou um pico imediato de interesse dos investidores”, constata.

Por outro lado, Golden afirma que jamais diria ao proprietário que pintar suas paredes de amarelo-ocre o faria perder, automaticamente, US$ 18.mil (R$ 93,4 mil). “Esse tipo de cravada sugere um grau de exatidão que simplesmente não existe nas transações imobiliárias do dia a dia”, pondera o corretor, lembrando que não existem soluções milagrosas no mundo do design. No entanto, ele concorda que os números evidenciam um comportamento mercadológico muito claro.

“Padrões ousados, excessivamente autorais ou muito difíceis de se conviver no longo prazo vão invariavelmente enxugar a base de possíveis interessados”, frisa. E o broker faz um aviso importante: quanto mais o visitante precisa gastar energia focando naquilo que terá que demolir ou repintar, mais complexo se torna o exercício imaginativo de se ver morando ali. “Reitero, o caminho de menor risco financeiro é prover um ambiente clean e básico, dando margem para as pessoas idealizarem seus próprios móveis, objetos decorativos e lifestyle no lugar.”

Kostiw concorda que a saturação do amarelo-ocre repele potenciais novos donos, mas defende que o comprador invariavelmente precifica os gastos de pintura ao submeter uma proposta. “Atrelar um desconto fixo de US$ 18.mil (R$ 93,4 mil) a isso é uma simplificação exagerada de como as pessoas determinam o valuation de um patrimônio e definem suas decisões financeiras”, rebate.

Vermelho É Redflag Para os Compradores

Segundo a Zillow, um banheiro vermelho pode reduzir a proposta de um comprador em US$ 8 mil (R$ 41,4 mil)
Getty ImagesSegundo a Zillow, um banheiro vermelho pode reduzir a proposta de um comprador em US$ 8 mil (R$ 41,4 mil)

Seu lavabo tem aquela coloração típica de vermelho de caminhão de bombeiro? Pendleton calcula que você pode receber propostas de compra quase US$ 8 mil (R$ 41,5 mil) menores por causa disso. “O rosa pálido também amarga péssimas colocações em praticamente todas as métricas, podendo gerar um custo oculto de US$ 6,01 mil (R$ 31,1 mil) para o vendedor se estiver no banheiro, e outros US$ 4,2 mil (R$ 21,8 mil) na cozinha”, detalha.

No campo puramente lógico, as pessoas entendem que basta lixar e pintar de novo. Contudo, Pendleton recorda que a jornada de compra residencial tem forte viés emocional. “As tomadas de decisão acontecem rápido, de forma instintiva. A percepção primária afeta drasticamente a forma como valorizam o imóvel.” Sendo assim, quando os indivíduos trombam com uma estética barulhenta e desconfortável, um atrito instantâneo é criado. A especialista adverte que, mesmo se a propriedade possuir uma fundação impecável e uma boa base arquitetônica, é duríssimo contornar os danos de uma paleta mal escolhida.

O rosa pálido pode ser uma escolha de cor que gera distração
Getty ImagesO rosa pálido pode ser uma escolha de cor que gera distração

Embora Golden evite transformar certas tintas em índices fixos de desvalorização, ele concorda integralmente que abordagens visuais gritantes e datadas jogam contra quem está tentando vender. “Um banheiro berrante ou uma casa inundada de rosa claro viram distrações absolutas na hora da visita; o interessado passa a fazer contas mentais de obra e dor de cabeça em vez de admirar as qualidades e diferenciais que o imóvel possui”, ilustra o profissional.

Com mais de três décadas e meia no setor imobiliário, Golden aprendeu uma regra de ouro: neutralidade fecha negócios. “O consumidor final costuma ter muita dificuldade espacial para visualizar como um ambiente vazio pode ficar no futuro, ainda mais quando está agendando cinco ou seis visitas por semana. Então, quanto mais pacificado e com cara de ‘pronto para morar’ o imóvel se apresentar, menos atrito haverá no processo imaginativo do comprador”, resume.

Para Kostiw, todavia, tudo é muito relativo ao perfil do adquirente. Mesmo que o uso de vermelho e rosa polarize as massas, ela ressalta que banheiros e cozinhas com projetos bem executados nesses tons podem se tornar obras de arte que roubam a cena. “Por fim, se as cores polêmicas e os reparos se limitarem apenas à cozinha e ao banheiro, não será isso que vai derrubar o preço de mercado da casa.”

A corretora finaliza lembrando que proprietários tendem a mudar as tintas de suas moradias mais de 15 vezes ao longo dos anos de uso, englobando até mesmo a esmaltação da marcenaria sob medida. (Não à toa, um levantamento recente da Thumbtack revelou que a pintura, reforma ou restauro de armários e móveis planejados se consolidou como uma das maiores tendências de mercado para observar neste ano). “A valoração final de um imóvel continuará sendo ditada pela lei de oferta e demanda da região, localização privilegiada, metragem disponível, segurança e bom estado de conservação”, conclui.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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